Ciência e Transformação Social na BRASCON 2018

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Foto: Arquivo pessoal - BRASCON 2018 na Ohio State University.
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Ciência e Transformação Social na BRASCON 2018.

Este texto conta o que rolou na BRASCON 2018. A BRASCONBrazilian Students and Scholars Conference é uma conferência para estudantes e Pesquisadores brasileiros nos Estados Unidos. Uma conferência científica aberta ao público em geral. O que isso tem a ver com o Brasileiras Pelo Mundo? TUDO. Já explico!

Cerca de 99% dos participantes da BRASCON é brasileiro, residente no Brasil ou EUA, cursando mestrado, doutorado, postdoc, trabalhando em pesquisa, inovação e indústria. A maioria destes participantes são mulheres (inclusive colunistas e seguidoras do BPM) que se mudaram para os EUA em busca do sonho da educação e treinamento científico de alta qualidade. É uma mudança profissional com grande impacto na vida pessoal para nós e para nossas famílias. Por isso, não dá para falar apenas de ciência na BRASCON: Precisamos falar sobre inspiração. Convidamos palestrantes que possam nos inspirar tanto na vida profissional quanto na pessoal.

Leia também: BRASCON e o empoderamento da Comunidade Científica Brasileira

BRASCON 2018

Na edição 2018 da BRASCON, tivemos o privilégio de contar com cientistas e empreendedores. O primeiro, José Pires (Global Excellence & Innovation Leader – Andeavor) compartilhou sua experiência desde a infância pobre no Rio de Janeiro, a pós-graduação nos EUA, o trabalho na SONY, no Japão, até se firmar como líder global de excelência e inovação. Em seguida, tivemos um painel de discussão com Drs. Roberto Alvarez e Marcio Resende, falando sobre liderança na carreira científica na indústria e na academia. Impossível não se identificar com tanta verdade e transparência!

Já no segundo dia da BRASCON, tivemos o Dr. Ulisses Mello da IBM Research Brasil contando sua trajetória pessoal e os avanços da IBM no Brasil, enchendo-nos de esperança pela valorização dos cientistas e uma porta para repatriação. Completando o programa da conferência, tivemos apresentação de trabalhos nas sessões oral e pôster, nos enchendo de admiração pela qualidade do cientista brasileiro. Não devemos em nada para qualquer outra nacionalidade.

O que nos falta então? Talvez falte transformação social. Pois, nos jornais e na TV só se fala numa imensidão de pessoas querendo ir embora do Brasil. Segundo publicação recente do Datafolha, 43% da população iria embora do Brasil se pudesse. Entre os jovens de 16 a 24 anos esse número aumenta para 62% (19 milhões ou toda a população de Minas Gerais). Vontade de ir embora não é novidade. Porém, estes números nunca foram tão altos. O sonho de morar fora e experimentar o mundo não assusta e seria até hipocrisia criticar quem sonha em se mudar, sendo que eu também me mudei. O que me preocupa é a falta de esperança num Brasil melhor. Se mais de 50% dos jovens querem ir embora, o que será do nosso futuro?

Foto: Arquivo pessoal – BRASCON 2018 na Ohio State University.

Mulheres Cientistas e Transformação Social

Nisso, o BPM e a BRASCON têm algo em comum. Falamos de transformação. Aqui no BPM os textos falam sobre transformação, da mudança para outro país e da necessidade de adaptar-se a uma nova vida. Enquanto isso, na BRASCON, falamos da transformação profissional e da importância de tornar-se um agente de transformação social. As Dras. Duilia de Mello e Joana Felix são exemplos dessa transformação que queremos ser. Dra. Duilia também conhecida como a “mulher da NASA”, transformou a curiosidade de criança numa carreira extremamente bem sucedida. Astrônoma renomada com diversas contribuições como a descoberta de uma Supernova, em 1997, trabalhou na NASA além de orientar diversos alunos durante os 25 anos dedicados à ciência e trajetória acadêmica na Universidade Católica dos Estados Unidos. Duilia também está à frente da Associação Mulher das Estrelas, investindo em estudantes e transformando o sonho deles em realidade, no Brasil e fora dele.

Quem também transforma a vida dos alunos é a Dra. Joana Félix. Na BRASCON, ela contou sua trajetória saindo do curtume, o sofrimento com a fome, o racismo e o retorno ao curtume após concluir o pós-doutorado, em Harvard. Joana transforma a realidade dos alunos até então excluídos da sociedade. Na ETEC em Franca, Joana e seus alunos transformam resíduos em soluções ambientais e biomédicas. E o mais importante – transforma a vida de estudantes marginalizados e contribui para uma sociedade melhor.

A mudança que queremos

Entendo que todos nós temos o dever de colaborar com um Brasil melhor da forma que pudermos, independentemente de onde morarmos. Investir em educação e ciência é um dos caminhos. A BRASCON tem grande responsabilidade neste sentido. Este ano, além da ciência, tivemos uma profunda reflexão sobre o Brasil que queremos mesmo sendo expatriadas. Choramos quando a Dra. Joana contou sobre o racismo e quando a Dra. Duilia contou sobre as crianças no Complexo da Maré. Consegui me ver na história da Jane Aparecido, filha única que lutou para fazer faculdade. Me inspirei com a Kessia Cericola falando sobre envolvimento com a comunidade. Este texto destaca as mulheres que passaram pela BRASCON, mas enfatizo que todos os palestrantes nos inspiraram a sermos melhores. 

Agradeço ao time da BRASCON, a BRASA OSU, a Brazil Gateway, aos palestrantes, patrocinadores e participantes por todo o trabalho para realizar a terceira edição da BRASCON. Fica aqui o convite para 2019!

A vida de expatriada favorece o crescimento profissional que queremos, mas não nos isenta da responsabilidade de contribuir com um Brasil melhor. Encerro citando José Saramago: “É preciso sair da ilha para ver a ilha”. Acrescento que quem saiu da ilha, ainda é parte dela. É preciso contribuir para um Brasil melhor mesmo não morando nele. Visite sua antiga escola, compartilhe o que aprendeu, dê motivação para quem não tem. Precisamos ser a mudança que queremos ver.

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