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Áustria

Coisas que me desagradam na Áustria

Alô, caras leitoras e leitores!

Para mim é sempre difícil falar de coisas que soem não muito positivas aqui na terra de Mozart, primeiro: porque amo a Áustria; segundo, porque isso é algo de percepção bastante privada e o que pode me desagradar, pode não desagradar você. De qualquer jeito, fiz uma listinha de situações/fatos que me deixam desconfortável por aqui. Repito: isso não é estudo, nem pesquisa, é única e exclusivamente a minha opinião sobre segmentos da vida local. Vamos lá!

MODA:

Infelizmente, esse é o ponto que mais me entristece. Confesso que hoje, após sete anos morando aqui, já consegui descobrir uma ou outra loja que me alegre os olhos com cores e cortes interessantes. Como uma prática corriqueira de países do centro/norte europeu, os nativos daqui não costumam usar roupas com cores vibrantes. Eu não gosto de espalhafato, mas pelo menos um pouquinho mais de cor, sobretudo no verão. Até bem pouco tempo atrás, algumas lojas que eu frequentava ofereciam cores bem sem sal – para o meu gosto – para a estação mais quente: vestidos preto e branco; bermudas de uma cor só e, geralmente, em tons pastéis; blusinhas apáticas, do tipo cinza, azul-marinho, marrom, preto. Biquínis ou maiôs pretos, azul-marinho e por aí vai. Resolvi entrar em outros estabelecimentos e, de uns tempos para cá, até está melhorando, já tenho encontrado vestimenta mais alegre, mas ainda assim, não é como nas nossas lojas brasileiras, cheias de cores, modelos diversos, vibração. Pode ser apenas “vício de olho”, mas toda vez que chego do Brasil com roupas, bijuterias, bolsas do nosso estilo alegre e colorido, minhas amigas daqui enchem os olhos e sai um sonoro: “que lindo! Onde eu encontro?” Tenho de desapontá-las dizendo que o produto não está disponível por estas bandas e, sim, vem da minha terra natal.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Áustria

PISCINAS NA SOMBRA OU NO ALTO DE MORROS:

As piscinas públicas, aqui, são maravilhosas. Limpas, todas de inox e, na grande maioria, internas. Algumas que ficam do lado de fora dos pavilhões de recreação aquática, trazem uma característica interessante que costumava me irritar profundamente logo que cheguei: nas 3 diferentes piscinas públicas que frequentávamos em Viena (Schönbrunn, Ottakringerbad e Hutteldorferbad), a piscina para as crianças ficava embaixo de árvores e a piscina externa, para adultos, geralmente em cima de um morro. Eu entendo que eles gostem de vista bonita e Viena é privilegiada nisso, mas quando nubla e bate um ventinho, mesmo no verão, é o suficiente para as criancinhas ficarem roxas, azuis e eu sair da água correndo de friagem. Os nativos, por outro lado, continuam lépidos e faceiros dentro do “gelo”. Mudamos de Viena e em uma das termas, próximas da nossa casa, há uma piscina natural, novamente, embaixo de uma imensa árvore. A piscina de inox, fica embaixo de várias outras árvores. A piscininha infantil fica no morrinho, embaixo de vegetação. Toda a vez que vou lá, não aguento mais que 20 minutos na água. Eu compreendo que, assim como nós, brasileiros, não temos tolerância para temperaturas negativas, os austríacos não aguentam muito tempo embaixo de um sol de 26 graus Celsius (pra eles, isso já é o fim do mundo de calor), por isso, fazem de tudo para se proteger dele. Entretanto, a pobre sul americana aqui não tem resistência pra permanecer na água, que em muitos locais já está na sombra – fria portanto -, quando o sol desaparece e o ventinho sopra “cruel”! Nem todos os banhos públicos têm essa mesma configuração (em cima de morros e na sombra), mas que o austríaco tem uma predileção por se esconder do sol, nessas situações, tem.

CENA NEONAZI:

Infelizmente esse é um tema ainda existente por aqui. A grande maioria da população austríaca é pacífica, solidária e não compactua com esse tipo de ideologia nefasta. E todas as vezes, nos últimos anos, em que embates exigiram o esforço do austríaco comum na luta contra o neonazismo, ele se mostrou bravo e engajado, todavia essa é uma batalha de muita vigilância.

Nunca presenciei cena de racismo ou com motivos nazi, entretanto, são crescentes as ocorrências de discriminação, ódio e vandalismo, inclusive, a mostras públicas de sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, bem como a cemitérios judaicos. Repito: isso não é a Áustria nem o austríaco comum! Isso são fanáticos que ainda vivem em um passado muito distante e se alimentam de uma ideologia assassina e fracassada.

O que me causa preocupação é o fato de pessoas jovens ainda se iludirem com esse sistema mortal. Aqui, infelizmente, quem se engaja nessas irmandades obscuras, cuja ideia central cultua o nazismo, o faz sabendo onde está se enfiando. A história é ensinada nos bancos escolares sem floreios, sem rodeios e bem clara. Não há, por parte de instituições de ensino nem do Estado, romantização do horror que isso foi. Os sobreviventes estão, ainda, entre nós. E aqui é crime cultuar ou demonstrar publicamente admiração por figuras ou símbolos nazistas, podendo render até cadeia. Entretanto, como já referi, são fanáticos que negam fatos históricos cientificamente comprovados e testemunhados pelos sobreviventes.

Como exemplo de desgraça que esse regime trouxe, conto a história dos tios do meu marido. Dois únicos meninos em uma família de 10 crianças. Pelos idos de 1944 foram convocados como “bucha de canhão”, um com 16 anos e o outro com 19. Eram meninos do campo, que pouco ou nada sabiam do manejo de uma arma e o pai (um dos únicos do vilarejo a não se filiar ao partido nazista, tendo falido por conta disso, já que os nazis proibiram as remessas de qualquer matéria prima para o moinho do qual era dono) tentou protegê-los o que pode, mas contra uma convocação militar ele não tinha como lutar contra. Pois bem, minha sogra, irmãzinha com 6 anos à época, chora até hoje – sim, há coisas que nem muito tempo apaga. Ela está com 81 anos – e conta que entregou o cantil cheio de água para um irmão e a marmitinha, preparada pela mãe, para o outro. Eles se despediram e ela veio a  reencontrar um deles em cemitérios coletivos na Normandia, onde pereceu. Isso quando já estava adulta, casada e com filho pela mão. Ninguém saiu vencedor nesse maldito conflito.Do outro, só se sabe que pereceu em guerra não se sabendo onde.

Para meu consolo, essas pessoas que enveredam para o lado do mal são, em grande maioria, monitoradas pelo serviço secreto do país e pelo movimento de Resistência (aquele mesmo criado na II Guerra para combater o regime. Aqui, ele ainda existe e tem por missão observar e estudar esses fenômenos neonazis que surgem e ressurgem em território austríaco).

O que se tira de lição dessa página infeliz? Democracia precisa de cuidado e vigilância diária!

DIRIGIR DENTRO DE VIENA:

Viena é super organizada em termos de trânsito. O problema não é ela. O problema sou eu mesma. Ocorre que quando se mora dentro da cidade, não há necessidade de se ter automóvel – a menos que exista uma exigência profissional para tanto – por conta da alta eficiência dos meios de transporte. Todavia, quando se visita Viena de carro e não se está acostumado com a extrema organização deles, dirigir pode se tornar algo irritante. Se você não conhece as pistas ou não presta atenção nas setas que estão desenhadas nelas, você pode ser levado a um destino totalmente diferente do que estava planejando e, para fazer o bendito retorno, é que “são elas”. Esse retorno pode ser rápido ou pode lhe tomar uns 30 minutos.

Dica 1: sempre que for dirigir dentro de Viena, utilize a navegação por GPS.

Repito, é um problema mais meu do que da cidade que é muito eficiente no tange a transportes e mobilidade, mas quando a gente se perde do destino original, é quase inafastável não sentir o mínimo de raiva.

Dica 2: evite passar aborrecimento no trânsito. Dentro de Viena, vá de transporte público!

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