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SchoolFox, o app da vida escolar

SchoolFox, o app da vida escolar

Encerro, com este, o ciclo de artigos sobre a educação fundamental aqui na Áustria.

No artigo de setembro, relatei um pouco sobre a preparação e início letivo para quem está ingressando no fundamental aqui do país. Hoje, tratarei um pouco acerca do dia-a-dia das primeiras semanas da dinâmica escolar, tanto para o aluno quanto para a família, no nosso distrito.

Relembro sempre que estou retratando a realidade de uma escolinha primária, pública, de bairro. Não conheço as escolas particulares daqui.

Já no primeiro dia de aula, meu pequeno trouxe lição de casa. As comunicações entre família e professora se fazem, além do que as crianças já conseguem memorizar, através de um “caderninho de compartilhamento” (Mitteilungsheft): todos os avisos de reunião, de horários de aula, novidades, pedidos de material, autorizações, são reportados por ali e, quando os pais tomam conhecimento da informação, devem assinar, no próprio caderno, atestando que leram e estão cientes.

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Só por aí, já foi um ajuste e tanto, pois – e concordo plenamente – tive de desenvolver uma nova dinâmica com meu filho para revisarmos imediatamente o caderno de compartilhamento, logo que ele chegue da escola. Dessa forma, se há material a ser providenciado ou alguma especialidade a respeito da lição de casa, já sanamos na sequência. Excelente!

Isso vem funcionando bem desde ontem, quando, dentro do caderno de compartilhamento veio uma solicitação de autorização para download de um determinado aplicativo (App): a professora pedia permissão aos pais para se comunicar conosco, via eletrônica, e já estavam ali todos os dados a serem baixados e o código correspondente a identidade virtual do meu filho na interface da escola.

Nada temos contra a tecnologia, mas, para mim, esse tipo de iniciativa é de uma velocidade que me pega sempre desprevenida. Afinal de contas, temos uma semana e meia de aulas a recém. Ok, o pai baixou o aplicativo no telefone dele e eu baixei no meu. Pelo que compreendi, no futuro – que talvez nem seja tão distante -, o caderninho de compartilhamento desaparecerá (assim como o quadro negro, para eles, já desapareceu. Agora, é um imenso Smartboard, multimídia, onde estão aprendendo a escrever, ler e calcular), dando lugar única e exclusivamente ao SchoolFox, ferramenta eletrônica de controle da vida escolar dos nossos pequenos aqui no distrito.

A instalação é simples e o manuseio também não parece complicado. Fizemos via Google Play.

Inicialmente, deve-se vincular o nome do filho ao nome da professora. Há os campos para compromissos, necessidade de falta (avisar doença, por exemplo) e reporte de conclusão de tarefas. Pronto. Tenho a vida escolar do meu pequeno, literalmente, nas mãos, ou, na plataforma do meu Smartphone.

E isso, para uma criança de 6 anos de idade, que está na primeira semana e meia da primeira série é o que me espanta. Penso ser rápido demais. Penso que meu filho já terá identidade na rede mundial de computadores. Penso também, que, por mais que choque, não há mais como voltar atrás na metodologia. Já referi isso em outra coluna. Mas, cada vez mais me convenço: o problema é comigo e, não, com o avanço da tecnologia aplicado à educação austríaca. É um exercício e tanto adaptar-se ao novo, ao que nunca vivi como estudante, ao que não existia!

O presidente da República da Áustria, em uma de suas falas à nação, pediu que nós, adultos, ouvíssemos mais nossas crianças, respeitássemos suas fantasias, estimulássemos suas habilidades, porque elas, certamente, irão lidar, trabalhar, mover o mundo com coisas que nós – hoje, adultos – nem imaginamos ainda que virão a existir.

Quando me deparo com esses desafios tecnológicos, relativos ao meu filho, lembro dessas palavras do presidente e me convenço cada vez mais de que meu papel como mãe – dentre outras coisas – é o de facilitadora, de condutora e não mais, como no modelo tradicional, de quem dita o certo.

Meu pequeno já tem muito mais habilidades em tecnologia do que eu. Há duas semanas ainda tive de ouvir, dele, a seguinte frase: “mamãe, isso não está correto. Tu tens de ler o Tutorial” (risos). E haverá, certamente, coisas com as quais não saberei mexer, mas terei de guiá-lo. Pra isso preciso estar consciente: saber que, em muitos momentos, serei apenas guia do meu filho para que ele desempenhe e desenvolva o  necessário na sua educação. Novamente: não é tarefa simples, mas também não é impossível!

O importante – penso eu – é não temer aquilo que ainda não conhecemos. Possivelmente, haverá momentos de dúvida; de decisão sobre qual melhor caminho seguir; qual botão apertar para não se errar, mas que não haja paralisação no agir por conta do medo da tecnologia ou por se pensar que ela pode ser maléfica para nossos filhos. É uma ferramenta e precisa ser domada por eles.

Desejo boa sorte a todos nós, pais e mães e responsáveis pela educação das crianças dessa geração conectada. Que consigamos bem orientar nossos pequenos e que eles usufruam da tecnologia com bastante sabedoria!

Até a próxima!

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