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Turquia

Como é morar na Turquia, um país muçulmano

A Turquia, dentre os mais de 35 países com população predominantemente muçulmana, é hoje um dos mais liberais de se morar, principalmente quando se vive em grandes cidades como Istambul, Ankara e Izmir.

Porém, mesmo a Turquia sendo menos restrita em comparação aos demais países muçulmanos, ainda sim é muito conservadora e há uma grande diferença de costumes quando comparamos com o Brasil, que tem uma cultura bastante liberal.

Há também grande mudança de comportamento dentro da própria Turquia, de acordo com as regiões. A costa litorânea a oeste, que está mais próxima à Europa, recebe as influências ocidentais através do grande número de estrangeiros morando na região e do constante fluxo de turistas e por isso é mais liberal e aberta.

Os turcos da cidade de Izmir, por exemplo, se orgulham de viver num local de hábitos considerados modernos. Com grande número de estudantes universitários, a vida noturna é bastante agitada. O consumo de álcool, considerado proibido na grande maioria dos países muçulmanos, é programação certa na beira mar da cidade, durante o verão.

Foto: Arquivo pessoal

Já na região sudeste do país, mais próximo às fronteiras com a Síria, Iraque e Irã, o conservadorismo aumenta bastante. Há relatos de brasileiras na internet que falam sobre o uso de calça jeans não ser bem visto e da superioridade explícita, que os homens consideram ter sob as mulheres.

É comum os turcos perguntarem entre si qual a cidade natal, pois de acordo com a região é possível ter ideias sobre os costumes e crenças de cada pessoa.

Há também várias diferenças na cultura e no dia a dia que chama a atenção de qualquer pessoa não muçulmana que chegue ao país.

O som emitido pelo Muezin, como são chamados os religiosos islâmicos, que do alto do minarete das mesquitas chamam os fiéis para oração, é umas das primeiras coisas que atraí a atenção na chegada a qualquer cidade na Turquia.

Este chamado para oração é realizado cinco vezes ao dia, em alto e bom som. Os horários variam durante o ano, podendo ser a primeira chamada antes das 5 horas da manhã e a última depois das dez horas da noite.

De acordo com a visão muçulmana, vestir-se de maneira mais discreta possível vale para ambos os sexos, porém impacta muito mais o gênero feminino.

Mulheres usando algum tipo de véu, como o hijab ou a shayla também chamam a atenção. Seu uso não é obrigatório na Turquia e as mulheres mais jovens aderem cada vez menos ao seu uso, nas grandes cidades. As mais idosas, em sua maioria, usam, algumas de modo tradicional e outras de maneira bem informal, só amarrado embaixo do queixo.

No centro da cidade ou locais universitários, onde há mulheres mais jovens, a grande maioria não usa nenhum tipo de vestimenta para se cobrir. No verão é comum ver mulheres usando vestido, saia, shorts ou blusinhas de alça nas grandes cidades. Há também as estilosas, desfilando com lindos lenços coloridos, combinando com seu traje.

Usar ou não um dos modelos de véu não significa que uma mulher é mais ou menos religiosa, este fato é relacionado à quão conservadora e tradicional é uma família.

Poucas vezes vi mulheres usando vestimentas da forma mais coberta possível, como o chador ou nekab, aquela roupa preta que cobre todo o corpo, ficando somente os olhos de fora.

Em relação ao consumo de drogas e álcool, apesar de não ser inexistente, acontece de uma forma muito menos intensa na Turquia. Esse é um dos motivos pelos quais o país é mais seguro. Ao sair nas ruas não é preciso se preocupar com a sua bolsa, carteira ou celular e até uso de joias valiosas.

Durante um jantar, já presenciei o dono do restaurante sentar numa mesa do lado de fora e contar grande maço de dinheiro em público, sem nenhuma preocupação.

No lugar de bares, há muitos cafés que ficam lotados nos fins de semana ou nos dias de jogos importantes. Os homens normalmente se reúnem para conversar, beber chá, fumar cigarro ou narguilé, assistir jogos de futebol e divertir-se com os jogos de tabuleiro.

Já na alimentação, de acordo com a crença muçulmana, a carne de porco e seus derivados são considerados impuros e por isso seu consumo é proibido. Apesar de haver outras restrições alimentares, essa é a mais praticada. Muitas pessoas, mesmo não sendo religiosas, não consomem carne de porco.

Procurada por estrangeiros, a carne de porco é encontrada em raros supermercados que vendem produtos importados.

Os turcos são também muito discretos. Casais extrangeiros logo notam que não há muitos beijos ou expressões de afeto calorosas em público. Muitas vezes, mesmo os turcos não religiosos não se sentem à vontade em dar um beijo ao encontrar com sua namorada ou esposa na rua.

O cumprimento fica sendo um beijo no rosto, ou melhor, dois, um de cada lado da bochecha conforme o costume turco.

Essa fato está mudando entre os mais jovens e liberais. Em 2012, houve um beijaço coletivo no metrô de Ankara, organizado pelas redes sociais. O protesto ocorreu após um anúncio de voz ter sido feito na estação do metrô, solicitando que os passageiros agissem de acordo com as leis morais, depois que câmeras registraram um casal se beijando.

Protesto similar ocorreu também em Istambul um ano antes, quando um motorista de ônibus disse a um casal que aquele não era local para sexo.

É difícil imaginar a Turquia do futuro. De um lado estão ocorrendo graduais e importantes mudanças no plano de educação. A partir deste ano por exemplo, a teoria da evolução de Darwin será excluída dos livros de ciências e ensinada somente após o segundo grau, para quem cursar o ensino superior.

Houve também a inclusão de vários conceitos no currículo das aulas religiosas, como o jihad, jejum, oração e peregrinação e um aumento no número de instituições de educação dirigidas por religiosos – İmam Hatip, vêm ocorrendo.

Porém, a tecnologia permite acesso a informações do mundo todo. As pessoas estão viajando cada vez mais e fica quase impossível viver em nossa bolha, sem contato com outras formas de ver o mundo, culturas e crenças.

Para quem viaja ou mora em países muçulmanos, é preciso estar disposto a entender a cultura e religião local. Manter-se aberto às diferenças é uma maneira de aprender a respeitar outras crenças, opiniões e comportamentos.

Aqui é possível conferir um texto da colunista Pollyane Martins, que relata como é ser cristã praticante em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, país que também é muçulmano.

Fotos: Arquivo Pessoal e Miriadna

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7 comentários

Andrea Dezembro 15, 2017 at 9:43 am

Rubiana,

você tem alguma informação sobre escolas para crianças brasileiras aí na Turquia?
Existe algum colégio internacional c/ ensino em Português ou em Espanhol ou em Italiano?
Ou a única solução seria matricular num colégio americano ou britânico?

Obrigada!

Resposta
Rubiana Paula Dezembro 17, 2017 at 3:53 pm

Olá Andrea,
Eu ainda não sou mãe, então vou lhe falar com base no que sei de outras mães brasileiras por aqui.
Nas escolas internacionais o idioma principal é sempre o inglês e as outras linguas são secundárias. Entre os estrangeiros, há muitas crianças trilingues e elas aprendem o português em casa mesmo, com a família.
Tem um grupo de Brasileiros Residentes na Turquia no facebook. Com certeza as mães do grupo podem lhe orientar melhor e compartilhar a experinências delas.

Resposta
Isabel Janeiro 9, 2018 at 12:12 am

Muito bom o texto, a cada linha podemos nos imaginar na Turquia vivenciando o descrito.

Resposta
cristina maria ferreira Maio 10, 2018 at 10:11 pm

OI ME CHAMO CRISTINY E ESTOU PLANEJANTO IR A TURQUIA ATE O FINAL DO ANO, QUAL SERIA O QUANTITATIVO DE DINHEIRO PARA LEVAR ? VC CONHECE ALGUMA POUSADA OU HOTEL NAO MUITO CARO? FORA O PASSA´PORTE O QUE MAS PRECISO TER

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Inês Santos Agosto 31, 2018 at 5:27 pm

Oi Rubiana, muito agradável ler seu texto. Já estivemos por duas vezes em Istambul mas agora gostaríamos de conhecer a Riviera Turca num roteiro independente com carro alugado. É tranquilo? Gostamos de tomar um vinho no jantar, vamos encontrar dificuldades devido a religião? Muito obrigada.

Resposta
Inês Santos Agosto 31, 2018 at 5:29 pm

Oi Rubiana pretendemos viajar pela Riviera Turca eu e meu marido com carro alugado, você acha que encontraremos dificuldades? Outra coisa que nos preocupa é que gostamos de tomar um vinho no jantar, teremos dificuldade em achar restaurantes que ofereçam bebidas alcoólicas? Obrigada.

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Cleo Abril 9, 2019 at 11:41 pm

Oi querida tudo bem? Aliaga fica em Izmir? É um bom lugar para se morar?

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