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Como o Japão se protege dos perigos de um novo tsunami

Como o Japão se protege dos perigos de um novo tsunami.

Há pouco mais de 8 anos, no Japão, em 11 de março de 2011, às 14:56 horário local, com magnitude de 9.1, ocorreu um terremoto na Costa do Pacífico, em Tohokuausou, causando muitas mortes, destruição e conseguindo, ainda por cima, abalar as estruturas do planetaTerra.

Foi considerado o maior terremoto do Japão e o quinto maior do planeta, desencadeando um poderoso tsunami com ondas que atingiram alturas de até 40,5 metros, em Miyako e Iwate. De acordo com a Agência Nacional de Polícia, foram 15.884 mortes, 6.147 feridos e 2.636 pessoas desaparecidas. O desastre trouxe consequências graves para o Japão, incluindo uma crise nuclear, além do seu impacto ter sido tão grande que deslocou a Terra (entre 10 cm e 25 cm) sobre seu eixo de rotação, mudando a forma como a massa do planeta é distribuída.

Leia também: O que não me contaram sobre morar no Japão

Eu me lembro perfeitamente desse dia, ainda morava no Brasil, mais precisamente na cidade de Osasco, quando assisti à reportagem no Jornal da Tarde. Era devastador, aquele mar adentrando o país em que hoje vivo, na época em que parte da minha família já estava aqui.

Peguei o celular e mandei mensagem, ninguém me respondeu, entrei em desespero, não conseguia fazer mais nada, sem a resposta dos meus familiares. Por sorte, não foi onde eles moravam, assim que amanheceu o dia, eles me retornaram e me acalmei!

Mas, e hoje, como está o Japão após essa tragédia? Eu moro bem perto do mar e vejo muitas medidas tomadas, e também a paisagem mudou muito, seja pelas grandes dunas de areia construídas artificialmente, ou pelas milhares de casas, hotéis e estabelecimentos à beira mar que foram abandonados por seus donos. É  realmente triste, é desolador como isso atingiu os japoneses!

Onde moro, sempre passo em frente a uma casa maravilhosa, com a sala de estar toda em vidro, que antes teria uma vista linda para o mar, porém, agora, para a infelicidade ou não do seu dono, foi construída uma enorme duna, transformando a vista espetacular que é a do mar da praia de Omaezaki, na cidade de Shizuoka, em uma enorme parede de areia.

Eu, particularmente, não gostaria de morar ali.  Moro relativamente perto, porém longe o bastante para ser atingida pela força de um tsunami, vejo de minha casa várias florestas que foram plantadas estrategicamente entre o mar e a cidade vizinha a ele.

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Refúgio de tsunami construído após o terremoto de 2011. Existem vários espalhados pela cidade – Foto: acerco pessoal

Como prevenção, há alguns refúgios de tsunami feitos em concreto ou ferro, espalhadas pelas cidades. As prefeituras, escolas e empresas também fazem várias simulações de evacuação, sempre mandam alertas de treinamento para todos os aparelhos ligados à internet, celulares, tablets e rádios, (você quase morre do coração, com o susto) e também avisam nos alto-falantes que todo bairro tem.

Estamos preparados para uma nova tragédia? Não, não estamos, ninguém está, mas temos estrutura para nos salvar, e assim evitar o horror que foi em 2011, com tantas mortes e pessoas desaparecidas.

Sempre quando vejo essas construções e as iniciativas tomada por japoneses, esfria-me o coração, sabe?, bate aquela saudade do meu país, aquele sentimento confuso: “Será que fiz a coisa certa?”. Porque não é fácil, uma coisa é você solteira e sem filhos se aventurar em um país estrangeiro, cheio das catástrofes naturais, outra coisa bem diferente é você envolver sua família, com filhos que não pediram para ter essa mudança na vida!

E isso é perigoso? É sim, mas daí vem na mente a lembrança de que o Brasil também está perigoso. Esses dias, uma conhecida me contou que a prima foi esfaqueada em um assalto, por um menor que queria seu celular. Por conta de um aparelho barato, ela perdeu a vida, desgraçou a vida dos pais, e o marginal está solto, e já praticou mais dois furtos. Ou, ainda, o risco enorme de morrer em uma fila, no hospital público. Meu marido sempre rebate, quando eu falo que tenho medo de ficar aqui, por conta dos desastres naturais:

– Você prefere morrer em um terremoto? ou de bala perdida?

-Nenhum dos dois, meu querido.

E, assim, sigo a minha vida no Japão, amo o país que me acolheu, mas não esqueço das minhas raízes, e torço para que a realidade do meu Brasil um dia mude, para que eu volte ou para que escute:

-Aqui está tudo maravilhoso!

O Brasil do meu amor, terra de Nosso Senhor, Brasil pra mim…. ( como diz na música de Ary Barroso)

Página usada na pesquisa: Japão em foco.

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