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A culinária brasileira no Japão

Conhecendo a culinária brasileira no Japão, em busca de amenizar a saudade.

Há três anos, quando resolvi junto com minha família vir ao Japão de mala e “cuia”, sabia de verdade que sentiria muita falta da minha terra. Sem brincadeira, sinto falta até do cheiro da minha cidade, Tatuí, que é cercada por pinheiros, muito perfumada. Bom, voltando a falar sobre o que me faz falta, e acredito que pra maioria das pessoas que se aventura a sair de sua terra natal, com ou sem família, além do calor humano do brasileiro, a culinária é bem marcante no quesito saudade.

Jesus, como sinto falta dos barzinhos de lá, porção de torresmo do Dito Leiteiro, e do Frango do Nardo. Sou botequeira (era né, aqui não tem boteco).

E aí, como fazemos? Consumir produtos brasileiros no Japão é bem caro, 1 kg de feijão chega custar 9 dólares, porém, quem não consegue ficar sem, que não é meu caso, paga e com muito gosto. Mas, o bacon, por exemplo, não é defumado, o salame tem gosto de mortadela, e a mortadela não tem gosto de nada. Pão francês o nosso queridinho que ganha vários nomes pelo Brasil, na minha terra é chamado de filãozinho, faz realmente uma falta enorme; tem aqui? tem, mas não tem nada a ver com o nosso, o lá da padaria Teles, que saudade, chego a sentir até o aroma das 17:00.

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Feijoada dá pra fazer, mas já sabe, né, se a mortadela tem gosto de nada, a calabresa nem existe, paio nunca nem vi, porém, se quiser comprar na loja de importados, dá também, mas você come a feijoada e fica sem o rim, porque tem que deixar lá pro dono da loja, pra poder pagar um pacotinho de 300 g de um “misturadinho” disso tudo aí citado acima.

Aí vem a turma do: “Nossa, como você reclama, né? Comida japonesa é tão boa, tão saudável”. Nem vem opinar se você come temaki com cream cheese e sushi com morango e chantilly. Vocês acham mesmo que japonês vive disso? Vem aqui comer nato (soja fermentada) com um cheiro horrível, arroz sem sal, sem tempero e bem mole, tudo grudado. Bom, com tudo se acostuma, porém, às vezes da aquela saudade, e a gente parte em busca de uns restaurantes brasileiros.

Nessa busca, em uma de minhas viagens lá pra cidade de Toyota, na casa dos meus irmãos, nós conhecemos um restaurante da região que fica em Karya, província de Aichi ken, chamado Capricciosa (isso, nome italiano).

Fui duas vezes e na terceira tive que chamar a dona pra perguntar tudo, afinal, quando o espirito da colunista baixa, não deixa o cavalo enquanto a curiosidade não é sanada!

A Patrícia (uma das muitas brasileira que deram certo no Japão), me contou que chegou 14 anos atrás, com os mesmo objetivos de todas nós, vir juntar um dinheiro e voltar para o Brasil, montar um negócio, comprar uma casa, parece até script, todo mundo vem com essa ideia.

No início, ficaria por apenas 3 anos, mas já ficou por esse tempo 5 vezes mais. Cansada de trabalhar em fábrica, lembrou que cozinhava muito bem, resolveu então fazer marmitas para as colegas da fábrica e, quando percebeu, ficou tão fora de controle que teve que alugar um ponto, pois já estava fornecendo para a maioria das fábricas da região.

Com o ponto alugado, ela continuou a fazer marmita (bento), mas um dia fez uma pizza, o povo amou, e deu tão certo que ela deixou de fazer as marmitas e ficou só com as pizzas. Hoje, Patrícia, juntamente com seu esposo, tem um restaurante e pizzaria que sustenta os dois e mais três filhos.

A Capricciosa oferece também pratos feitos, e retornei lá para comer o mesmo, é serio, eu como o bife à milanesa que é bem parecido com o da minha mãe, mas com o dobro do tamanho, o bicho chega a ser do tamanho do prato, que não é pequeno, e acompanha arroz soltinho, feijão com bacon defumado, tudo de bom mesmo.

À noite, eles servem porções e bebidas alcoólicas, outra vitória de Patrícia, para vender bebida no Japão, você tem que preencher vários requisitos, inclusive ter uma vida reta e nunca ter tido problemas com a justiça. O local tem que ser adequado e visitado pelo bombeiro, a coisa é tão séria que se um cliente beber, posteriormente se envolver em um acidente e nele houver vítima com óbito, a polícia chega a fechar o estabelecimento.

Aqui, antes de eles entregarem bebida e cigarro, eles perguntam se você é maior e se não vai dirigir. No caso da bebida, quando passamos a cerveja pelo caixa do supermercado, apita mais forte o código de barras, daí a moça do caixa pergunta se você é maior e não vai dirigir, eu já olhei com cara de deboche (tipo o “lokoooo”), com essa cara de velha? As tiazinhas nunca acreditam que eu já tenho 42 anos, vai ver a cara transparece a idade mental!

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Bem, graças ao Universo, Deus, Alá, seja quem for, que algumas pessoas que cozinham bem têm a maravilhosa ideia de montar algo para nós brasileiros, que como eu, morrem de saudade de tudo do Brasil. Agora, a comida, ah!, essa a gente fica até com febre, ela montou mesmo para brasileiro, mas me contou também que vão vários japoneses lá e, acreditem se quiser, eles amam o feijão, também, vamos combinar, eles comem feijão com sorvete, quando experimentam o feijão da Paty, não querem saber de mais nada, tem até uma senhorinha japonesa que vai lá e pede só feijão e toma como sopa, vamos respeitar as doideiras alheias.

E assim sigo em busca das coisas que possam diminuir minha saudade.

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