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Como se adaptar no Uruguai

Como se adaptar no Uruguai.

Morar fora do seu país de origem é um desafio constante. A saudade diária e as dificuldades de se adaptar em um novo local são pontos sempre relevantes quando se decide morar fora do Brasil. Algumas pessoas têm mais facilidade que outras, mas é difícil para todos.

O Brasil, um país continental, com tantas influências e culturas, se mostrou rico quando, por exemplo, vim morar no Uruguai. Nunca damos valor à nossa grama, sempre a do vizinho.

Os uruguaios são muito mais reservados. Senti dificuldade, no início, em fazer amigos! Passei a frequentar lugares que os locais frequentam, me inscrevi em um curso gratuito na faculdade, me inscrevi no espanhol, procurei um grupo de yoga, porém, só consegui me sentir com amigos depois que comecei a trabalhar,  conheci uruguaios no trabalho e fiz um treinamento.

E aí, depois que você quebra a barreira (que faz eles parecerem frios), são amigos maravilhosos! São pessoas simples, em geral, prontas a ajudar, amáveis e que gostam de estar sempre em grupo tomando mate ou conversando.

Então, minha dica é a seguinte: procure se enturmar no Uruguai. Uma hora você vai conhecer pessoas legais. Não tenha receio por eles parecerem frios ou tímidos.

Um outro ponto que demorei muito a me adaptar é a língua. O espanhol do Uruguai tem muitas influências do castelhano e de alguns lugares diferentes da Espanha, e por isso ele é diferente do espanhol que se fala na Argentina ou na Colômbia, por exemplo.

Eu vim para o Uruguai com uma noção de espanhol e quando cheguei aqui não entendia nada. Os uruguaios falam espanhol com um sotaque completamente diferente do espanhol da Espanha, por exemplo. Possuem palavras e gírias completamente diferentes e o mais difícil: a junção de dois Ls, o LL, tem som de X. Por exemplo, ella se pronuncia exa.

A primeira coisa que procurei foi um curso de espanhol para brasileiros ou estrangeiros e aqui tem muitos! Gratuitos ou não! Curtos ou longos! Só escolher!

Mas não se assuste, a maioria dos uruguaios fala português. A língua é obrigatória nas escolas e os uruguaios que são da fronteira conseguem falar muito bem o português também.

Um terceiro ponto que senti dificuldade no Uruguai foi o frio. Eu cheguei em janeiro em Montevidéu, em pleno verão. Não senti diferença, pois como as estações são bem marcadas, estava calor, bastante sol, tudo lindo e verde. Quando começou o outono comecei a usar casacos leves, começou a esfriar e cair as folhas dos plátanos, mas nada demais.

Quando começou o inverno eu percebi que não gosto muito de frio. Eu já havia sentido frios com temperaturas bem baixas antes, inclusive na neve. Mas aqui no Uruguai é diferente, é chuva e ventania na maior parte do tempo. Sério, você não entende de que lado o vento está vindo. Peguei temperaturas baixas e disseram que esse ano nem fez tanto frio assim.

Uma semana fez 1 grau à noite. Para quem é brasileiro, nascido no Rio de 40 graus, é terrível de se adaptar! E no inverno ficamos mais propícios a ficar isolados, preguiçosos e tristes. As árvores ficam totalmente sem folhas e as mais velhas são podadas porque venta muito, elas podem cair e acertar um carro na rua.

Mas, por outro lado, é uma experiência viver numa cidade tão fria como uma cidade europeia, com os mesmos estilos de árvores, construções e nível de vinho. Beber vinho no Uruguai é mais barato que beber cerveja, e o frio ajuda tudo isso!

Depois que aprendi a me vestir em camadas, consigo barrar o vento e o frio e sair normalmente.

O último ponto que senti dificuldade no Uruguai foi a comida. Não tem jeito, não tem comida mais gostosa que a brasileira. Mas tentei me adaptar. Os uruguaios comem muito carboidrato (batatas e massas), assim como outros países da América do Sul, e muita carne e laticínios. Como é muito frio, muitos legumes, frutas e verduras que estamos acostumados no Brasil não existem aqui.

Leia também: Dez motivos para morar no Uruguai

Não há costume de sal também devido a uma lei de saúde do governo de diminuir o sal nos lares e restaurantes, então se proibiu o uso de carnes salgadas. Um dia fui pesquisar como iria fazer uma feijoada. Não havia feijão preto como estamos acostumados, encontrei no mercado um grão menor preto. Depois fui procurar as carnes, como costela, carne seca, bacon e linguiça para feijoada. Nada disso existe! Ou se existe, não é salgado ou não é como no Brasil. Por fim, fui procurar a couve, que também não existe! Às vezes você encontra uma verdura chamada acelga que pode substituir, mas a couve é raridade.

Então, é simples, tudo tem que ser adaptado. É claro que não fica igual, não tem os mesmos temperos, não fica o mesmo gosto, mas dá para matar a saudade. Existem coisas que realmente não se encontram e não conseguimos substituir. Mas, a maioria, sim.

Depois conheci muitos brasileiros que fazem comidas brasileiras aqui. Estou sempre encomendando e comendo, como coxinha ou brigadeiros.

É também uma oportunidade de conhecer outros alimentos como o zapatillo, que é uma variedade de abobrinha deliciosa que eu só vi por aqui até hoje. Ou aprender a comer sorrentinos, que são como ravioles grandes e recheados que se apreciam com molhos de champignon ou tomate, deliciosos!

Viver no Uruguai me ensinou que não há melhor lugar do que o nosso lar. E que nada se cria, tudo se transforma.

Apesar das frases feitas, o Uruguai me ensinou que se adaptar não é tão difícil. É um aprendizado para a vida. Às vezes aprender a mudar ou se adaptar traz crescimento pessoal. Você se torna uma pessoa mais flexível e isso é muito importante na nossa vida.

Aprendi a dar mais valor a pequenos produtores, como de laticínios e verduras, pois trazem mais sabor e qualidade nos produtos.

Leia também: Dicas para economizar no Uruguai

Aprendi a ir à feira, coisa que não fazia no Brasil, pois às vezes encontramos produtos brasileiros, variedades de frutas da época.

Aprendi a não desperdiçar a comida, pois no Brasil estamos acostumados a isso. Aqui no Uruguai se economiza, pois não há quantidade, há mais qualidade.

O Uruguai é uma experiência de vida!

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3 comentários

Pablo David Pagues Ernst Setembro 17, 2019 at 7:20 pm

Muito legal seu post. Parabéns

Como uruguaio que mora fora do Uruguai, uma das coisas que me fazem falta são os “Bizcochos” e em geral as padarias de la, que são únicas eu diria. Curiosamente não é algo que vejo aos brasileiros comentar.

O clima no inverno no Uruguai alem de frio é miserável. Muito úmido e muito ventoso. Como você bem falou, chega a ser pior que em lugar que cai neve.

O uruguaio é sim mais frio se comparado aos brasileiros, alias, tudo mundo é frio se comparado aos brasileiros! Se ha algo que define aos uruguaios é a simplicidade, fidelidade e humildade.

Creio que seja “Zapallito” e não “zapatillo” 🙂

Mais uma vez parabéns!

Resposta
Rafaella Manfrenatti Setembro 17, 2019 at 9:52 pm

Obrigada Pablo! Verdade, as padarias são otimas!!!!! Iso! Algum erro de digitação! Vou tentar arrumar! Obrigada

Resposta
Aquiles Peixoto Manfrenatti Setembro 18, 2019 at 5:22 pm

Parabéns pelo post, pois acompanho cada vírgula dele e sei bem como é estar longe de nossas raízes, sofro cada dia, como se estivesse de drone, observando os passos de vc’s, o mais importante é que estão vencendo as barreiras propostas pela escolha e podendo vivenciar como morar e viver em outro país… Muito sucesso e muitas realizações!!!

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