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Como sobreviver o verão na Itália?

Como sobreviver ao verão na Itália? Eu sou Brasileira e de verão eu entendo.

Já tomei sol até ficar com cor de camarão muitas vezes, até aprender que no máximo eu conseguiria um problema de pele. Foram muitos verões em Minas Gerais, mais frequentemente em Conceição de Ipanema, considerada a pós-graduação do verão, com temperaturas de quase 40 graus e pouco vento.

Sobrevivi ao auge do verão no Rio de Janeiro, Mato Grosso, Brasília, já viajei o Norte e Nordeste inteiro, já desidratei no Acre e já desejei desmaiar em Salvador só pra alguém me abanar.

Por falar em pós-graduação, fiz mestrado em Catanduva – SP, e já estive em dois desertos no mundo e o mais impressionante é que nada disso me preparou para o verão na Itália.

Eu estava tranquilamente aproveitando a brisa da primavera quando do nada, 40 graus na sombra.

Escolas fechando para as crianças não desidratarem, ruas desertas das 11h às 18h, todas as casas com janelas e portas lacradas, água em todas as fontes para os turistas e aquele alarme de tempestade constante junto com o BEBA ÁGUA, BEBA ÁGUA pois você pode morrer.

Nada disso é exagero, foi exatamente assim.

Morreram pessoas na Espanha, na Itália e na França pelo que acompanhei. A França bateu o recorde do seu anterior pior verão de 2003, quando 15 mil pessoas morreram por causa das altas temperaturas.

Esse ano o governo redobrou os cuidados e alertas, e claro que todas as atenções se voltam também aos incêndios.

Leia também: Como se tornar um autêntico italiano por um dia

Uma amiga até me avisou, mas acho que eu não compreendi quão sério ela estava falando; meu cérebro brasileiro deve ter pensado: “não há verão que possa me surpreender”.

No primeiro apartamento que morei na Itália não havia ar condicionado e em uma tarde com 44 graus, me deitei no chão em total desespero e antes de desmaiar pensei: “vou para um hotel com ar condicionado”.

Meu marido trouxe gelo, colocou no meu pescoço e em 1 hora estávamos com as malas prontas e airbnb reservado.

Andamos 200 km, ligamos o ar condicionado e trabalhamos por 3 dias com pausas para a piscina do condomínio após às 20h, único horário que dava para pensar em sair do ar refrescante artificial.

Lá, conversando com alguns italianos, entendi que eu não estava exagerando, na verdade isso é uma prática muito comum por aqui.

Normalmente as casas italianas não têm ar condicionado em todos os ambientes, até porque a maior parte do ano faz frio. Quando tem, fica em um ambiente intermediário, que na teoria é mais saudável e deveria refrescar vários ambientes da casa, na prática não funciona muito bem.

Entre julho e agosto, que é o período mais quente, é comum que as famílias se organizem com as férias escolares e fujam para o ar fresco das montanhas.

No dia 15 de agosto comemora-se o Ferragosto que é um feriado que determina oficialmente o início da temporada de fuga.

Exceto centros históricos, que são frequentados por turistas, as cidades ficam completamente vazias. Os comércios praticamente todos fechados e os locais de atendimento básico como correios, farmácias, postos de combustível, todos com horário reduzido.

Quem fica em casa, fecha todas as portas e janelas por causa do calor e você só encontra alguém na rua por extrema necessidade ou durante a noite, depois do pôr do sol.

Leia também: Dicas de turismo pelas regiões italianas

A região de Veneto é montanhosa e andando apenas 50km, dependendo de onde estiver, é possível chegar em uma cidade com 10 graus a menos de temperatura.

Claro que muitas pessoas aproveitam para ir às praias do Sul, aos Lagos do Norte ou para a Grécia e Croácia, que são próximos e muito procurados nas férias.

Os lagos italianos ficam repletos de turistas principalmente alemães, também pela proximidade.

Nas cidades maiores acontecem os festivais de Verão e é uma ótima oportunidade, pois é possível assistir Elton John, por exemplo, em um espaço com 10 mil pessoas, como ocorrido esse ano. Para brasileiros é um público bem pequeno.

Festival de Ópera de Verão na Arena de Verona – arquivo pessoal

 

O que muitas pessoas me perguntam é se vale a pena vir para a Europa no verão. Bom, pra mim definitivamente não, pois sou uma amante do frio; tudo fica mais caro, mais cheio nos locais turísticos, mais trânsito… mas se você ama o verão e quer curtir os lagos, praias e festivais de música, eu sugiro planejar muito bem a sua viagem.

Checar se a hospedagem oferece ar condicionado, evitar grandes centros e pontos turísticos mais concorridos, buscar os destinos de praia, lagos e montanhas e se o foco for os festivais, sugiro começar o dia mais cedo e fazer uma pausa para descanso no auge do sol.

Como anoitece perto das 22h, se fizer uma pausa pós almoço poderá curtir muito mais a noite.

Para quem vem morar, sugiro não se mudar durante o verão, além de tornar o processo da mudança muito mais cansativo você terá algumas dificuldades em serviços.

Se puder fazer a mudança fora desse período, sugiro entrar no clima e se está na Itália, aproveitar o verão como os italianos: dormindo na montanha ou na praia.

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