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Comprando roupas na Arábia Saudita

Quem não gosta de comprar roupas novas? Conheço poucos que não!

Sou uma pessoa que adora perder tempo no meio das araras procurando algo que combine comigo, tenha um preço bom e qualidade.

Aqui na Arábia Saudita, podemos dizer que o esporte nacional é ir para o shopping. Com a falta de outras fontes de lazer como cinemas e festas, o destino do fim de semana é bater perna nas lojas e fazer uma parada em algum restaurante. Opções não faltam, tanto para lojas e restaurantes, aqui contamos com franquias famosas do mundo inteiro, desde marcas populares à grifes de luxo.

Me mudei pra cá trazendo muitas roupas que remetiam à minha adolescência. Hoje em dia, trabalhando e com um pouco mais de condições de investir no guarda roupa, precisava dar uma renovada.

Também, por conta da novidade e dos inúmeros restaurantes, no primeiro ano, acabei engordando alguns quilinhos e perdendo quase todas as minhas calças jeans.  

Dinheiro na mão, lojas à escolher, me deparo com algumas questões que tornam o ato de comprar roupas por aqui uma pedra no sapato:

Qual tamanho escolher?

As roupas são importadas e a padronagem de tamanhos é confusa. E agora?

Há roupas com tamanho americano, europeu, mexicano, chinês, inglês… até o famoso P-M-G, dependendo da marca, varia. A etiqueta, às vezes vem com várias indicações de tamanhos diferentes. Eu procuro me basear no tamanho europeu que acho um pouco mais parecido com os nossos (36 – 38 – 40 – 42…). Para os calçados, a mesma coisa.

Mas aí, você vai me sugerir a solução mais óbvia: prove as roupas antes de comprar! E eis que surge o próximo problema.

Não tem provador nas lojas

Pois é, nas lojas femininas não podemos provar as roupas. Existe apenas um shopping de vestidos de festa aqui na minha cidade, que eu sei que tem provador, o resto não tem. Pra mim isso é algo que incomoda muito.

Minhas roupas antigas eram sempre muito básicas, eu não ousava muito em modelagens da moda ou tecidos diferentes, então quando vejo uma peça em um corte que eu nunca tinha usado antes, não tenho a mínima ideia se vai ficar bem em mim ou não. E aí volto para o ciclo de comprar peças básicas.

Para as calças jeans também, sabia que precisava comprar um tamanho maior que antes, mas sem provar, quase sempre comprava algo muito maior ou menor, ou de modelagem que não favorece o corpo da brasileira. Hoje em dia, tem duas lojas que eu já conheço a numeração de calças e procuro optar por comprar lá, desse jeito não esquento a cabeça.

Numa das primeiras idas ao shopping, deslumbrada com a variedade, fomos em uma loja chamada “Forever 21”. A loja estava bem vazia, tinha apenas um caixa. Meu marido, vendo minha aflição, achou um lugarzinho entre umas araras e um depósito e ficou cuidando se alguém chegava perto, enquanto eu provava as roupas por debaixo da abaya.

Trocas e devoluções

Felizmente, aqui existe uma política de trocas e devoluções um tanto quanto boa e curiosa.

Eu mencionei que não existiam provadores dentro das lojas, mas existem provadores dentro dos banheiros dos shoppings.

O que a gente faz é: escolher o que quer, pagar no caixa e ir ao banheiro provar.

Depois de provado e escolhido, se a compra te agradou, ótimo, pode continuar seu passeio, mas se por acaso, o tamanho não serviu ou você não gostou da peça, é hora de voltar à loja e trocar as peças que não serviram ou solicitar o dinheiro de volta.

É um processo bem chatinho esse de ter que pagar pra provar algo que você não tem certeza se quer. A não ser que você tenha uma boa quantia em dinheiro, isso não vai te permitir levar várias peças de uma vez, pois a conta pode ser alta.

O processo de devolução do dinheiro, no geral é simples. Só apresentar a nota dentro do prazo estipulado junto com a peça a ser devolvida. O valor é devolvido em dinheiro.

Você também pode levar suas compras pra casa e voltar no outro dia pra trocar ou pegar o dinheiro de volta.

Para a devolução do dinheiro, as lojas podem dar um prazo de 3 a 5 dias, e para a troca da peça por outra entre 5 a 14 dias, dependendo da loja.

A abaya

Pra quem acompanha meus textos, sabe como o horário da reza aqui me aborrece. Não pelo fato da reza em si, mas porque todos os estabelecimentos comerciais fecham por meia hora durante esse período.

Durante à noite, temos duas rezas que tem uma hora e meia de intervalo entre elas. Então, se você resolve sair às compras nesse período, precisa fazer tudo na correria: comprar, provar, trocar.

Às vezes, eu fico quase na certeza do tamanho, só quero ver se a cor e o modelo combinam. Então procuro um espelho dentro da loja e tento aquele famoso truque rapidinho de colocar a roupa na minha frente pra imaginar como ficaria no corpo, o problema é que estou de abaya! Aí fica bem difícil imaginar a peça sendo que você mal pode ver seu corpo.

A abaya é um vestidão preto bem largo que precisamos usar aqui pra sair em público. Como ela é grandona, cobre as pernas e os braços, é bem complicado imaginar onde tá o seu corpo ali dentro. 

Como disse no início, aqui temos predominantemente marcas de franquias internacionais. Não muda muita coisa entre um shopping e outro, quase todos têm as mesmas lojas e isso torna tudo meio monótono. Ir a um shopping novo, as vezes é mais pra conhecer a arquitetura do lugar do que pra descobrir lojas diferentes. E eles capricham nos prédios e esculturas.

As marcas locais vendem roupas tradicionais, como as abayas e as jellabiyas, que são vestidos típicos de festas, sempre muito coloridos e enfeitados.

E apesar de usarmos a abaya pra sair nas ruas, as árabes também compram roupas normais.

Quando cheguei me espantei em ver nas vitrines micro vestidos, decotes e roupa justa. Achava que elas não usavam isso. Mas usam sim, por baixo da abaya, roupas normais como a gente. Vale lembrar, que a abaya é retirada quando estamos em ambientes particulares ou locais onde sejam exclusivos para mulheres.

O que eu e muitas outras mulheres, inclusive as árabes fazem, é deixar pra comprar roupas quando viajamos ou quando vamos para o Bahrain (um país aqui perto que é bem menos rígido), pois lá podemos nos divertir dentro dos provadores das lojas, que são praticamente as mesmas que temos aqui.

Ou dançar conforme a música e fazer a peregrinação loja-banheiro-loja.

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Até o próximo mês.

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