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Relações de trabalho na Arábia Saudita

Fonte: Pixabay.com

Relações de Trabalho na Arábia Saudita.

A Arábia Saudita ainda recebe anualmente milhares de pessoas buscando passar um período à trabalho por aqui. É importante aclarar alguns pontos a quem está considerando aceitar essas oportunidades aqui nesse país do Golfo.

Apesar dos esforços do governo em empregar a população saudita, o país ainda depende da força de trabalho estrangeira. Seja pela experiência e habilidade, ou por trabalhos pesados que não são exercidos pelos mesmos, essa prática tende a continuar.

Uma coisa é certa, é praticamente impossível chegar no país sem ter um trabalho acertado. 

Salários

Os salários na Arábia Saudita variam muito quanto ao cargo, setor e até mesmo a nacionalidade do trabalhador. É uma prática muito comum que funcionários de um mesmo cargo recebam valores distintos de acordo com sua nacionalidade. Soa bem absurdo, mas é a realidade aqui do país.

Os valores dos salários costumam ser maiores que os oferecidos em outros lugares, mas o que atrai muita gente não é apenas isso.

O grande atrativo de trabalhar na Arábia Saudita é que não existe nenhum tipo de taxação sobre o salário bruto. O que foi combinado como salário no seu contrato é o que você vai receber na conta. 

Além disso, quase todo o empregador costuma oferecer adicionais como: 

  • Moradia (que pode ou não cobrir despesas como luz, água, internet)
  • Transporte ou um valor para cobrir essa despesa
  • Plano de saúde (médico e dental)
  • Escola para filhos a partir de certa idade
  • Passagens anuais para o país de origem
  • Um bônus ao término do contrato de trabalho
  • Bonus por performance, etc.

Na hora de analisar se vale a pena passar um tempo aqui no deserto, acho interessante sempre fazer um cálculo do que está sendo oferecido. Se esse valor cobre e vai além do que toda a família já recebe. 

Muitas mulheres que acompanham os maridos acabam por deixar a carreira em stand-by por conta da mudança e não é tarefa fácil se recolocar no mercado de trabalho saudita. Portanto o salário delas tem que ser somado à conta para valer a pena a mudança.

Não tenha medo de valorizar seu passe, afinal, é uma mudança drástica de vida.

Leia mais: Aplicativos úteis na Arábia Saudita

Horas de trabalho

As horas de trabalho costumam variar entre 40 – 48 horas semanais dependendo da empresa.

No mês do Ramadan, o horário de trabalho dos muçulmanos costuma ser reduzido por conta do jejum e os não muçulmanos trabalham no horário regular.

Os horários de abertura e encerramento dependem muito do setor. Meu marido que trabalha no setor petroquímico trabalha das 7am – 4pm, com alguma flexibilidade. Escritórios, consultórios tem outro horário de funcionamento. Atendimento ao público costuma fechar mais tarde, pela noite.

Aqui na Arábia temos cinco rezas diárias e muitos locais fecham por volta de 30 minutos durante esses momentos. No entanto, nem todo o trabalho é afetado. 

Vale lembrar que os dias úteis na Arábia vão de domingo à quinta, sendo sexta e sábado o fim de semana oficial do país. Sexta-feira é o dia muçulmano de descanso e sábado é como o nosso sábado, podendo haver expediente completo ou meio período.

Curiosidade

Antigamente o fim de semana era na Quinta e Sexta o que somados aos Sábados e Domingos no resto do mundo, traziam uma pausa muito longa e a possível perda de negócios. Então o governo instituiu o segundo dia como Sábado, de forma que as Quintas ainda pudessem ser usadas para fechar negócios com o resto do mundo e não perder oportunidades financeiras.

Sponsorship

A Arábia trabalha com um sistema de “sponsor”, que significa que todo estrangeiro trabalhando, morando ou visitando o país precisa estar vinculado a um “sponsor”.

O “sponsor” pode ser uma pessoa física, uma empresa ou uma instituição que fica responsável pela vida do expatriado no país. Ele vai agir como um guardião, sendo responsável por toda a parte burocrática em nome do expatriado, como por exemplo: solicitar vistos, alugar imóvel. Esse sistema é uma forma de controlar a imigração, pois o “sponsor” também é responsável caso o expatriado aja em desacordo com as leis locais. 

Férias

Por lei, os empregados tem direito a 21 dias de férias por ano, mais 4 dias ao fim do Ramadan, outros 4 dias no feriado do “Hajj” e mais um dia no feriado do Dia Nacional da Arábia Saudita, em 23 de Setembro. Totalizando em torno de 30 dias. 

Algumas empresas são flexíveis dando a escolha de tirar pequenos períodos de férias várias vezes ao ano (dentro dos 21 dias). Já em outras, principalmente em níveis mais baixos de serviço, o funcionário só tem direito a tirar férias pagas depois de 2 anos de trabalho.

Ambiente

Quanto ao ambiente de trabalho, a hierarquia é muito forte e seguida à risca nas empresas. É muito provável que seu superior seja um Saudita. Por conta da Sauditização, muitos postos de trabalho são ocupados exclusivamente por eles. Geralmente os mais altos e importantes.

Não é difícil encontrar pessoas que possuíam um cargo mais elevado no país de origem, trabalhando em um cargo abaixo aqui na Arábia, com alguém com menos experiência como seu superior. 

O ritmo de trabalho costuma ser lento e burocrático. 

Honestamente falando, não espere agregar muito conhecimento novo durante o período que trabalhar aqui e nem almeje por promoções ou subidas de cargo como expatriado. Tenha em mente que virá para fazer o serviço que foi designado, não mais e nem menos.  

Leia Também: “Sauditização” e a mão de obra estrangeira

A Arábia Saudita é um lugar muito bom para ganhar dinheiro. Fazendo escolhas sábias, investindo bem, com alguns anos de Arábia é possível garantir uma quantia bacana para um futuro confortável. Porém é muito importante não se perder na hora hora de utilizar esse dinheiro. Aqui, assim como é fácil ganhar, é fácil de gastar. 

Em resumo, acho que é preciso vir preparado pra cá, com a mente aberta ao choque cultural. 

Para finalizar deixo abaixo algumas questões importantes de serem refletidas na hora de fazer a decisão tanto positiva quanto negativa. 

  • Eu estou disposto a passar alguns anos fora da minha zona de conforto? (Longe dos amigos, família, ambiente de trabalho em que está acostumado).
  • Minha família está preparada para embarcar comigo? (Idioma, independência na hora de se virar enquanto o outro está trabalhando. Estou disposto a resolver todas as questões do dia a dia enquanto os outros membros da família não conseguem por si próprios?).
  • Qual o impacto essa mudança vai trazer na vida dos meus filhos? Na educação/desenvolvimento deles? (Veja que aqui podem ser impactos muito positivos como aprender inglês na escola, por exemplo).
  • Provavelmente irei passar um bom tempo “estacionado” no meu conhecimento, eu tenho desejo de estudar mais (mestrado, doutorado)? Isso vai ser possível nesse período?

A única certeza no Oriente Médio é a incerteza.

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