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Turistas não serão obrigadas a usar abaya na Arábia Saudita

Turistas não serão obrigadas a usar abaya na Arábia Saudita

Dia 27 de Setembro de 2019 foi mais um dia histórico e que está gerando um burburinho aqui na Arábia Saudita. Nesse dia o governo lançou oficialmente o visto de turismo do país, que até então era bem restrito. Só que com o visto de turismo, outra bomba veio junto: as turistas estrangeiras não serão obrigadas a usar a vestimenta tradicional que precisamos usar, a abaya!

E desde então muitas dúvidas vem surgindo sobre que roupa usar na Arábia Saudita, visto que o texto fala em vestimentas modestas e não reveladoras. As residentes também podem abandonar a abaya e finalmente gastar os looks que ficam escondidos? Os locais aceitarão isso de forma tranquila? 

É só uma peça de roupa, mas que gera tanta polêmica!

Atualmente aqui no país temos que usar, em público, por cima das roupas normais uma roupa chamada abaya, que é tipo um robe que cobre dos ombros até os pés, fechado na frente. O cabelo, dependendo da cidade, não precisa mais ficar coberto.

Quando cheguei aqui, ainda existia a polícia religiosa que impunha e fiscalizava o uso dessa peça e também do lenço que cobre a cabeça. Na época, quase não se viam abayas coloridas e lembro de sair notícias de algumas lojas que foram fechadas por venderem abayas de cores chamativas. Era quase todo mundo no tradicional pretinho básico.

 

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Nesses mais de quatro anos as coisas mudaram de forma até que rápida: a polícia religiosa perdeu os poderes, com isso não podiam mais impor o uso ou chamar atenção de quem não estivesse ao gosto deles. As abayas coloridas começaram a dar as caras e serem vistas com muito mais frequência, em cores claras e materiais dos mais diversos, inclusive em jeans. 

Criaram até a abaya esportiva, que tem zíperes e punhos nas canelas, como se fosse um macacão bem largo, que permite correr e andar de bicicleta sem enrolar ou atrapalhar. Algumas árabes mais jovens começaram a andar com as abayas abertas, mostrando parte da roupa que vestem por baixo. Eu, por conta da correria, vivo nessa categoria: só jogo a abaya por cima e deixo aberta. E de vez em quando a podemos ver alguém mais corajoso pelo shopping ou mercado, usando roupas normais, compridas. 

Eu já saí sem abaya por aqui algumas vezes. Claro que muito discreta e para lugares que eu senti que não teria problemas em estar assim. E realmente nada aconteceu além de alguns olhares. No aeroporto também, é um lugar que já faz um bom tempo eu nunca mais usei a abaya e sempre foi tranquilo.

Mas até o dia 27/09/19 isso era tudo o que tinha acontecido. Algumas declarações dos governantes sobre a não obrigatoriedade da peça chegavam a encorajar algumas meninas, mas no fundo eram sempre rumores, nada oficial. Porém dessa vez, com o anúncio do visto de turismo, o assunto da abaya estampou várias matérias inclusive da mídia local. 

 

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Porém visitar o país e não usar abaya não é novidade. Esse privilégio era restrito à figuras importantes e personalidades famosas. Mariah Carey que se apresentou aqui em Janeiro, usou um longo vestido justo, preto e cheio de brilhos. Angela Merkel, Michelle Obama e Melania Trump também não usaram quando estiveram aqui. 

Michelle Obama por exemplo usou uma calça preta soltinha, uma túnica azul royal cobrindo os quadris e um casaco longo com estampa azul, preta e branca. 

Porém tudo é muito recente e cheio de interpretações, será que nós, as residentes, também iremos poder aproveitar dessa regalia? Só saberemos com o andar dos próximos meses e a repercussão dessa notícia.

O que dizem os órgão oficiais?

A etiqueta de vestimenta para as turistas ainda é muito vaga. Apenas referem-se a não obrigatoriedade da abaya em público, sugerem uma vestimenta modesta, não reveladora com decotes, transparências e justas. Que cubram os ombros e joelhos.

Também sugerem que não contenham estampas com imagens e textos ofensivos e profanos.

Podemos interpretar modéstia de várias maneiras e isso torna tudo um pouco mais complicado. Mas no geral, acredito que uma calça larguinha e uma camisa solta que cubra os quadris e os braços são um bom pontapé inicial. Vestido ou saia longa, combinando com uma jaqueta ou blazer. Eu realmente gostei muito da escolha da Michelle Obama, ficou moderno, elegante e alegre.

E quanto à reação dos locais?

Essa acredito que é a parte mais delicada, porque parte da população é a favor do progresso e outra parte teme que tamanha liberdade venha a prejudicar a cultura de alguma forma. 

Só iremos mesmo saber conforme os turistas forem chegando e as residentes se sentindo mais à vontade de abandonar a abaya

Conversando com amigas, sinto que muitas ainda tem receio e que não querem arrumar problemas. Aqui nem tudo é preto no branco. Muitas mulheres já foram presas por de certa forma protestar quanto ao uso da abaya

Só que dessa vez o anúncio tem o aval do príncipe, mas ainda muito aberto à interpretações.

Outra questão é que por mais que seja algo imposto, a abaya tem suas vantagens. É algo bem prático pra quem não quer ou não tem tempo de ficar se arrumando. Para saídas rápidas de casa é muito prático só colocar a abaya por cima. Dá até para sair de pijama que ninguém vai saber.

Eu tenho uma forte esperança que se repita o que aconteceu quando liberaram a direção para as mulheres aqui na Arábia. Eu achei que demoraria um pouco a aceitação local das mulheres dirigindo, que teriam reprovações e comportamentos ofensivos, mas tudo ocorreu tão rápido e de forma tão tranquila, que parece muito natural dirigir por aqui hoje em dia. 

Claro que ainda é um número pequeno de mulheres que dirigem, mas a aceitação foi positiva. Tenho fé que o bom senso prevaleça e que o futuro mostre ser possível manter o respeito à uma cultura podendo escolher o que a gente vai usar para sair na rua.

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