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De mudança para o Vietnã – primeiras impressões

De mudança para o Vietnã.

Quando ainda morava na Europa, lembro que a primeira vez em que planejei uma viagem à Ásia o primeiro destino que me veio a cabeça foi o Vietnã.  Pensava nos campos de arroz, nas montanhas, nos cruzeiros pela baía de Halong, na comida, nas senhoras com os típicos chapéus cônicos vendendo suas mercadorias na rua. Acabei indo ao Laos, à Tailândia e, mais tarde, ao Myanmar. Mas sempre mantive o Vietnã em mente como um lugar que gostaria de visitar.

Eis que, após pouco mais de um ano morando em Myanmar, surgiu uma oportunidade de trabalho em Ho Chi Minh City, antigamente conhecida como Saigon. Não conhecia muito sobre a cultura, não conhecia ninguém na cidade, não falo o idioma. Mas, mais uma vez, decidi ir ao encontro do desconhecido. A oportunidade era muito boa e o destino me parecia muito empolgante, dinâmico. Antes de nunca ter sequer visitado o país como turista, me mudei para trabalhar. Vi como uma chance de aprender mais sobre este que é um dos gigantes do sudeste asiático.

Vietnã (Việt Nam no idioma local) faz fronteira com a China, Laos, Camboja, fazendo parte da chamada Indochina Francesa, como eram chamadas as colônias francesas até 1954 (Vietnã, Camboja e Laos). O país, que é uma República Socialista, conta com cerca de 95 milhões de habitantes, é um dos gigantes do turismo da região e é um dos países emergentes no sudeste asiático. Nas últimas décadas, o Vietnã se desenvolveu rapidamente passando de um dos países mais pobres do mundo para uma economia de médio porte. Possui uma cultura muito rica e uma história conturbada. Das mais antigas dinastias sob influência chinesa, foi colônia francesa até 1954 e foi também abalado pela guerra na década de 70, o que deixou cicatrizes profundas.

O Vietnã é um dos destinos turísticos mais populares do sudeste asiático. O clima varia consideravelmente nas diferentes regiões, chegando a ter um inverno rigoroso no Norte, épocas de monções e um clima mais quente no Sul.

Vista do prédio Bitexco Tower, Saigon Skydeck. Fonte: arquivo pessoal.

Um dos fatos mais conhecidos sobre as duas maiores cidades – Hanoi e Ho Chi Minh City, ou Saigon – é a respeito do trânsito extremamente caótico. Qualquer cidade grande na Ásia tem um trânsito complicado, mas no Vietnã é diferente devido à quantidade de motos circulando. Saigon é uma cidade de nove milhões de habitantes e tem uma média de praticamente uma moto por habitante! Dá para imaginar o tanto de motos em circulação e o caos que isso causa. Mas parece ser um caos relativamente organizado, apesar de acidentes acontecerem, geralmente o trânsito segue seu caminho. Existem vários artigos e vídeos sobre como atravessar uma rua em Hanoi ou Saigon, já que mesmo com faixas de pedestre os motoristas não param (a não ser nos semáforos, claro). Na minha primeira semana aqui, peguei um táxi para ir ver um apartamento e o táxi me deixou do lado errado da rua, eu tinha que ir ao lado oposto. Entre eu e meu destino final, um mar de motos, zunindo, passando sem parar. Não cheguei a ficar ali na calçada com minha cara de desespero por mais de dois minutos. De repente, aparece uma senhorinha do meu lado, pega na minha mão e me leva até o outro lado da rua. Ela deveria ter uns sessenta e poucos anos. O jogo se inverteu, não é?  E eu fiquei imensamente grata.

Leia também: Da Holanda para Hanoi

Uma coisa que tinham me dito antes de eu chegar aqui era que os vietnamitas eram mais fechados, reservados. Eu morei em Myanmar, que sem dúvida poderia roubar o título de land of thousand smiles (país dos mil sorrisos) da Tailândia. As pessoas sorriem sempre e te recebem de braços abertos. Chegando em Saigon, quando mudei para meu apartamento, que fica em um prédio antigo, local onde só moram vietnamitas, meus novos vizinhos me olhavam com uma cara fechada nos primeiros dias. Eu tentava cumprimentar, parecia não haver retorno. Onde moro é, no entanto, um pouco especial. A entrada para os apartamentos é por uma loja de sapatos. Isso mesmo, não há uma entrada separada para o prédio. Eu sempre passo, literalmente, por dentro da loja, e a maioria das pessoas que trabalha na loja também mora no predinho. Quando cheguei com minha mudança (que se tratava de uma mala e uma mochila), uma das senhoras que toma conta da loja me pediu para esperar um pouco mais para o lado, com uma cara fechada, aparentemente eu estava atrapalhando a entrada da loja. Mas logo ela veio e pediu para um dos rapazes levarem minha mala mais pesada até o apartamento, que fica no primeiro andar.  Agradeci, mas ela não respondeu. Achei um comportamento interessante. Depois se acostumaram comigo e me cumprimentam. Uma outra senhorinha um dia até trocou umas palavras em vietnamita comigo me perguntando de onde venho, quanto anos tenho.

Muitos estrangeiros reclamam de problemas de saúde após se mudarem para o Vietnã.  Mulheres, com frequência, têm problemas com queda de cabelo devido à má qualidade da água, outros se queixam de problemas respiratórios e de cansaço. Eu tinha a vantagem de ter morado antes em um país muito menos desenvolvido, então não tive esse choque ao chegar.

Saigon oferece muitas possibilidades que eu não tinha em Yangon (Myanmar). É uma cidade mais cosmopolita, aqui é mais fácil encontrar produtos ocidentais, em geral a vida é mais confortável e fácil do que no Myanmar. Eu continuo adorando Myanmar e sua cultura mas para mim foi uma boa mudança e uma oportunidade de adquirir experiência em outro país.

Moro no centro da cidade, onde o trânsito é mais pesado, há muito barulho de carros e motos, turistas. Há também os vendedores ambulantes com suas bicicletas, os restaurantes locais típicos com suas mesinhas onde as pessoas se sentam para comer, tomar café e observar o movimento da rua, senhores jogando xadrez nas ruas. É uma cidade vibrante.

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2 comentários

Henrythel Junho 25, 2018 at 4:58 pm

Gostei de seu comentário. Eu estava de malas prontas para a Europa, fiz todo plano para morar em Faro, Sul de Portugal, isto há um ano (junho/2017), e meu telefone tocou as 2:00 a manhã e acabei sendo fisgado por uma Vietnamita, que mudou meu itinerário. A família toda criada e independente, junto com a condição de divorciado, me recusei a mofar no meu apto, sendo vitima da violência, e sem esperança nos políticos, abri as asas rumo a um novo horizonte. Visitei Ho Chi Minh, por 14 dias ao lado de minha futura esposa, onde conversamos e trocamos conhecimentos, acabei por conhecer toda a família dela, e nos comunicamos diariamente. Voltei ao Brasil, e estou providenciando toda documentação, para a migração definitiva, sim , isto mesmo, definitiva, pois tenho mais de 60 anos, e sei que não me resta tanto tempo. Porem entre mofar no meu apto, na frieza e escuridão da solidão, vou me dar oportunidade de novas conquistas, novos ares, nova lutas e vitorias. Por falar em novas lutas, o pedido de residência provisórias esta sendo uma delas. Não vou vender meus bens no Brasil, quero que fiquem para meus filhos, porem pretendo me casar ( e ela também), e acredito que em minha falta, minha aposentadoria poderá lhe ser util.

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Natalie Lima Junho 28, 2018 at 4:24 am

Bom dia Henry, muito interessante que seus planos tenham mudado desta forma, ainda e um tanto incomum Brasileiros por esta parte do mundo e em relacionamentos com Vietnamitas. Te desejo tudo de bom e boa sorte na sua nova jornada na Asia!

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