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Psicologia

Deixando velhos hábitos

Deixando velhos hábitos.

Ultimamente, tenho pensado bastante sobre como acabamos vivendo as nossas vidas de forma automática. Mesmo quando as pessoas têm horários que podem mudar um pouco, dependendo do dia, acabo sempre observando que é difícil definir se é a pessoa que se dirige, ou se é o dia a dia que a direciona: sempre os mesmo rituais, sempre as mesmas atividades e algo que acaba chamando demais a minha atenção é a questão de sempre, mais ou menos, as mesmas atitudes diante dos problemas. Sabe aquela sensação de, de repente, se ver agindo de uma forma que você não gosta muito?

Sou psicóloga e agora, em janeiro, acontece uma campanha que surgiu em Belo Horizonte, chamada #JANEIROBRANCO.

“Uma campanha dedicada a convidar as pessoas a pensarem sobre suas vidas, o sentido e o propósito das suas vidas, a qualidade dos seus relacionamentos e o quanto elas conhecem sobre si mesmas, suas emoções, seus pensamentos e sobre os seus comportamentos.”

Acho que lendo só esse trecho que coloquei aí em cima, você já deve pensar, como eu, que saúde mental e imigração tem tudo a ver, né?

Como podemos ler com frequência no BPM, uma mudança de país é algo extremamente desafiador! Nos faz sair da zona de conforto e, consequentemente, nos dá a oportunidade de repensar a forma como temos vivido, ao nos depararmos com uma nova cultura e novos hábitos, além de uma nova maneira de encarar a vida, podemos repensar sobre o modo como nós mesmos nos colocamos nas situações.

Nesse texto, ao falar de como vamos agindo no automático, gostaria de convidar vocês a pensarem sobre a sua saúde mental, sobre como é possível mudarmos a forma automática que agimos não só na rotina, mas também com nós mesmos e nos nossos relacionamentos.

Desde antes de me formar, acredito muito em uma das bases do meu trabalho: o poder da fala como meio de transformação na forma como vivenciamos as situações de nossa vida. A partir do momento em que podemos nos permitir – por mais difícil que seja – olhar pra dentro e nos autorizar a entrar em contato com os nossos sentimentos, abrimos a possibilidade de elaborarmos de outra maneira as situações que estamos passando e, dessa forma, temos a possibilidade de permitir que apesar da dor que essas situações trouxeram, elas ganhem um novo significado – e, quem sabe, até mesmo uma nova reação.

Sei que muitos podem pensar que tudo isso é muito bonito na teoria, mas que, na realidade, pode ser muito difícil mudar. (Sim, é verdade, mas não por isso vamos deixar de tentar!)

Muitas vezes temos a ideia de que ser forte é não sentir, não se permitir chorar ou sofrer, sabe aquela história que ouvíamos quando criança sobre engolir o choro? Definitivamente, não acredito nisso!

Bom, eu acredito que o ser forte é se permitir entrar em contato com aquilo que dói, com aquilo que machuca. Dificilmente veremos alguém falar para quem está com uma doença diagnosticada por meio de exames de sangue, ou uma perna quebrada, que deixe pra lá e não lide com o que está acontecendo. Pelo contrário, incentivamos que a pessoa siga aquilo que o médico lhe orientou.

Mas, por que será que quando se diz respeito aos sentimentos e às tristezas, nós nos comportamos de outra forma? As dores do coração precisam ser tratadas da mesma maneira, e a forma de tratar é através da fala, do olhar para si, do sair do automático quando situações que nos deixam tristes chegam.

Infelizmente, temos a tendência a acreditar que se não falamos sobre algo ele vai, simplesmente, sumir, e aí acabamos com um imenso “elefante branco” em meio às nossas relações. Cada vez que eu ouço algo nesse sentido eu tenho vontade de gritar, de colocar cartazes pelo mundo, de escrever em todos os lugares que eu passo: “Não falar não faz com que o problema suma! Não, o tempo não cura tudo! Deixar o problema escondido em um canto não resolve, pelo contrário, ele se torna um mostro e nos consome de dentro pra fora!”

Por mais difícil que seja, é preciso falar sobre o que se passou, é preciso colocar pra fora aquilo que estamos tentando esconder até mesmo de nós mesmos. E, além de falar, nos permitir elaborar melhor o que sentimos. Quando falamos com quem amamos sobre essa dor, criamos pontes dentro do relacionamento, criamos intimidade, criamos compaixão entre nós, o relacionamento se torna melhor e podemos perceber que não estamos sozinhos.

Muitas vezes, com a intenção de poupar o outro e evitar mais sofrimento, não nos permitimos falar e, dessa forma, além de fazermos mal a nós mesmos, fazemos mal àqueles que amamos, pois acabamos nos distanciando uns dos outros.

Um outro caminho com relação à fala é quando se faz necessário o apoio de um profissional capacitado: uma psicóloga ou psicólogo. Em muitos casos, é preciso além do apoio da família, o apoio de alguém que estudou pra isso. Alguns vão dizer que psicólogo é “pra gente louca” ou alguma coisa do gênero. Pensando sobre isso, eu pergunto: o cardiologista é só pra quem já teve um ataque cardíaco? Não, né?

Procurando por psicólogas brasileiras pelo mundo?

O psicólogo vai nos permitir entrar em contato com os nossos sentimentos de uma forma diferente. Por ser uma pessoa neutra em nossa vida, vai nos questionar de forma diferente de nossos familiares e vai nos ajudar a olhar para aquilo que estamos passando com um outro viés.

Sempre digo que é uma coisa que complementa a outra, o amor dos nossos queridos permite que o trabalho do psicólogo seja potencializado e vice-versa.

Quando olhamos para o nosso interior, abrimos um outro caminho dentro de nós, não sabemos necessariamente aonde isso irá nos levar, mas, com certeza, nos levará a uma vida mais leve!

Por isso, pra esse início de ano, eu te convido a repensar a forma como você vai viver não só janeiro, mas esse ano que está diante de você. Será no automático ou, quem sabe, você pode fazer diferente, deixando-o “branco o ano todo”, dando mais espaço para você mesmo em sua vida e fugindo da rotina repetitiva em vários sentidos?

Quem cuida da mente, cuida da vida!

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