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Dez curiosidades sobre os italianos

 

Quando cheguei à Itália, pude notar, já nos primeiros meses, alguns costumes muito diferentes daqueles que temos no Brasil. Depois de três anos, fiz uma lista das 10 curiosidades sobre os italianos:

1- COMIDA

Na Itália, percebi que frutas e legumes são mais saborosos, e um dos motivos é o menor uso de agrotóxicos. Além do mais, eles gostam de produtos nacionais. Então, você vai ao supermercado e na embalagem do iogurte tem escrito “a base de leite italiano”, no suco de caixinha “maçã italiana”, molho de tomate, adivinha? “Tomate italiano”. E não é muito diferente com a carne, seja vermelha ou branca, ovo, queijo, enfim, quando um rótulo tem a escrita “produto 100% italiano”, é como se fosse o selo de qualidade do Inmetro aqui. “Ah, agora posso comprar”.

Leia também: As lições do orgulho Made in Italy

2- UNHAS

Curiosidade mais para as mulheres. Aqui é muito difícil encontrar manicure como no Brasil. Passar esmalte normal não é muito usado. Na Itália, é mais difuso o semipermanente ou unhas de gel (que é aquela que eu faço), mesmo assim, as cutículas sou eu que tiro, pois as manicures retiram somente a pele que está aparente, e sem amolecer, tiram a seco mesmo. Sem contar que a maioria das unhas são pontudas, fazendo parecer garras de gavião. Uma belezura!

3- FAXINEIRA

Por aqui ser dona de casa é realmente colocar a mão na massa, pois na Itália não é comum ter faxineira. Poucas pessoas têm, pois elas cobram aproximadamente 10 euros a hora e a limpeza nunca é como se faz no Brasil. Então, você vai ter que limpar a sua casa: aspirar, lavar o chão, limpar o banheiro, a cozinha, os quartos, os vidros, as portas, ufa, até cansei! Nem precisa ir para a academia.

4 – DISTÂNCIAS

Se tem uma coisa que italiano não está acostumado a lidar é com distâncias. “Nossa, tem que pegar o carro e dirigir por 20 quilômetros. Muito longe”. Mal sabem eles que nós, brasileiros, muitas vezes, fazemos muito mais do que isso para ir ao trabalho todos os dias. Quando conto que eu passava as férias em Florianópolis e para isso viajava por 8 horas saindo de São Paulo, eles quase têm um ataque cardíaco: “Ma voi siete matti!” (Mas vocês são loucos!). Não, não somos loucos, só moramos em um país com mais de 12 mil quilômetros de extensão, estamos acostumados a lidar com distâncias.

5- TROCA DE ESTAÇÃO

Quando fui comprar casa com a pessoa que convivo, o pai dele veio ver o apartamento antes da assinatura do contrato e perguntou: “Mas onde vocês pensam em deixar as roupas do “cambio di stagione” (troca de estação)? Respondi: “No armário, ué!”. Ele fez uma cara diante da minha resposta do tipo: o que essa maluca está dizendo?
Em síntese: a troca de estação significa ter um outro armário em outro cômodo, ou em um sótão, para deixar as roupas de verão no inverno e vice-versa. No Brasil, sempre tive tudo no mesmo armário, organizava tudo certinho e todas as minhas roupas entravam ali. Como fiz aqui. Minha casa não é grande, então não tinha nem como me permitir fazer o tal “cambio do stagione”. Poupe-me, né?

6- CAFÉ DA MANHÃ

Na Itália o café da manhã é doce, croissant e café, ou cappuccino. No começo foi bem difícil me adaptar, pois os bares não vendem salgados de manhã, somente nas regiões mais turísticas, e faz uma falta um pãozinho de queijo. Aqui, nem em sonho, ou melhor, só no sonho. O famoso “corneto” é feito em várias versões: integral com mel, Nutella, chocolate branco, pistache, creme e simples. E nem se atreva a pedir um cappuccino depois das 11 horas da manhã, pois eles vão te olhar como se você fosse o ET vindo de outra galáxia distante do planeta terra, porque, segundo eles, cappuccino é para tomar no café da manhã e em nenhuma outra hora do dia.

Leia também: Quais são os principais documentos italianos

7- CAFÉ

Esse item é o mais impressionante, pois qualquer pessoa conhecida que você encontrar por acaso na rua vai te oferecer um café. E a usança é: quem oferece, paga. O café é curto mesmo, um dedo e pronto. É bem forte e muitos bebem sem açúcar. No sul da Itália é ainda pior, se você for comer na casa de um napolitano, a cada pausa na conversa, basta apenas aquele momento em silêncio entre uma frase e outra para ouvir: “Pausa caffè”. Graças a isso, quando fui visitar minhas tias em Napoli, dormi somente às 4 da manhã, foi quase uma overdose de café.

8- ITALIANO X LíNGUA INGLESA

Esse é um item que pelo-amor-de-Deus-me-dá-nos-nervos! Aqui o pessoal não é muito habilidoso para falar inglês, muitos nem falam mesmo, e a maioria que fala tem um sotaque muito italiano. Mas mesmo assim eles insistem em colocar algumas coisas com o nome em inglês como, por exemplo, o sinal de trânsito que conhecemos como “PARE”, aqui tem a placa escrita “STOP”, mas o problema é que eles leem “stopã”. E assim é com todas as palavras que terminam com consoante, eles sempre vão colocar a vogal no final. Alguém me explica o motivo de palavras em inglês fazerem parte do dia a dia de muitas pessoas que não falam inglês?
Eles odeiam tanto o inglês que 97% dos filmes no cinema são dublados em italiano, e é raro encontrar filme legendado. Uma vez, eu disse a um italiano que filme em língua original era muito melhor. Recebi um olhar pior do que aquele que teria recebido se pedisse um cappuccino às 4 da tarde.

9- BRASILEIRO TEM QUE SER MULATO

Quando me perguntam de onde sou e respondo do Brasil, ouço sempre a mesma resposta: “Nossa, nunca teria dito que você é brasileira, assim loira, de olho verde, pensava que todos os brasileiros fossem mulatos”. E ainda com a mão fazem um gesto apontando para o braço, para reforçar que a cor da pele não condiz com a minha nacionalidade.
Sempre procuro explicar que o Brasil é muito grande e fomos alvo de muita imigração durante toda a nossa história: africanos, portugueses, italianos e alemães. Devido a isso somos um pouco de tudo.

10- SOLETRANDO

Quando cheguei aqui e tive que anotar o protocolo da ligação, me confundi toda, pensei que a pessoa do outro lado da linha estivesse tendo um ataque nervoso: “Ancona, Napoli, Firenze…”, comecei desesperadamente a escrever todas as palavras. Percebendo a minha dificuldade, a atendente perguntou se eu estava entendendo, e eu disse que não. Ela riu. Eu ri. E ela me explicou que essas cidades se usam para indicar a letra que eu devo escrever. A sequência era: ANF. Agora quando tenho que soletrar algo, tento lembrar das cidades já usadas por eles para as respectivas letras. Se não lembro, mando logo um alfabeto da Xuxa: A de “amore” (amor), N de “natura” (natureza) e F de “faglioli” (feijão).

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