BrasileirasPeloMundo.com
Curiosidades Pelo Mundo Japão

Dia da Maioridade no Japão: Seijin no hi

Dia da Maioridade no Japão: Seijin no hi.

E mais um novo ano começou! Passado o feriado de fim de ano, o calendário japonês já marca uma data muito importante, o Dia da Maioridade, aqui chamado de Seijin no Hi (成人の日). Como uma festa de debutante, sem dúvida, esse é um dia muito esperado e importante para os jovens e seus familiares, no Japão a maioridade é alcançada aos 20 anos.

Desde de 1948 a data foi incluída como feriado nacional, que antes era celebrado no dia 15 de janeiro, mas depois de uma reforma na lei, a partir do ano de 2000, a data mudou para a 2ª segunda-feira do mês de janeiro. Sendo assim, em meados de outubro as prefeituras enviam os convites para todos os jovens, tanto japoneses quanto estrangeiros, que completaram 20 anos a partir do dia 2 de abril do ano anterior ou que irão completar até o dia 1º de abril do respectivo ano. A comemoração é organizada pelo departamento de educação de cada cidade e na cerimônia, chamada seijinshiki, eles serão declarados maiores de idade.

Normalmente, na abertura da cerimônia,  nos centros culturais ou salas de eventos em hotéis pelo país, ocorrem palestras que são direcionadas aos novos adultos com explicações sobre seus direitos e deveres, para conscientizar o novo cidadão sobre a conduta que deve ter daqui para frente, afinal agora ele pode votar (apesar de o voto não ser obrigatório aqui) e casar sem a necessidade de autorização dos pais, comprar e consumir bebidas alcoólicas e cigarros, até então proibidos (no Japão, por lei, menores de 20 anos não podem consumir nem comprar bebidas e cigarros) e serão responsáveis pelos seus atos perante a lei e a sociedade. A cerimônia é paga pelas prefeituras e pode ser inclusive feita de forma, digamos, mais glamourosa e divertida, como faz a prefeitura da cidade de Urayasu, na província de Chiba, onde o evento é celebrado dentro da Tokyo Disneyland. Nesse caso, em particular, a escolha se deve ao fato de o parque estar localizado na área de administração dessa prefeitura, sorte dos jovens moradores de lá!

Já em algumas províncias, grupos de jovens ligados geralmente a organizações criminosas ou grupos extremistas –  que pregam inclusive que os estrangeiros sejam expulsos do país – promoveram novamente a desordem pública em alguns lugares, circulando com seus carros e motos barulhentas, indo e vindo pela contra-mão, gritando insultos ao governo e balançando a antiga bandeira do sol nascente, símbolo do exército japonês durante diversas guerras no passado.

Leia sobre: Dá para morar no Japão sem saber japonês?

Infelizmente não são todos os jovens que querem participar, apesar do incentivo do governo; o índice de jovens participantes tem caído seguidamente durante os últimos anos. Neste ano participaram 620.000 rapazes e 590.000 moças em todo o país, o menor número de participantes da história,  menos de 1% da população. Entre os fatores apontados estão principalmente a baixa taxa de natalidade do país, seguido do fator financeiro; às vezes, o maior empecilho para participar da cerimônia é a vestimenta, em particular para as moças. Enquanto os rapazes podem optar por um terno ou o tradicional ahori e hakama (um tipo de quimono curto com ou sem o brasão da família e uma calça larga amarrada por um cordão), as jovens só têm uma opção: usar o furisode; as solteiras usam o modelo com mangas com tecido pendente por aproximadamente 1 metro (caso a jovem for casada o comprimento desse tecido da manga será mais curto), e esses quimonos podem facilmente ultrapassar o valor de 10 mil dólares. Mesmo optando por alugar o traje apenas para a ocasião, em média, pelo menos 500 dólares serão necessários e muitas vezes a maquiagem e cabelo não estão inclusos, lembrando que, quem consegue comprar ou emprestar de algum parente ou amiga, ainda vai precisar pagar para alguém vestir o furisode pois é impossível ser feito pela própria pessoa ou mesmo com a ajuda de alguém que não conheça a forma correta de vestir esse quimono.

Leia também: como é trabalhar numa fábrica japonesa

Existem também hoje em dia opções “made in China”, porém, o uso desses ainda causa constrangimento para a maioria, pois nesse dia o tradicional quimono, com suas variadas nuances e confeccionado genuinamente por alguma marca nacional de renome é peça fundamental nesse importante evento, que para muitas jovens é tão marcante quanto uma cerimônia de casamento.

Confraternização de amigos após a cerimônia da maioridade. Foto: Massayuki Hatamoto
Confraternização de amigos após a cerimônia da maioridade. Foto: Massayuki Hatamoto

Após a cerimônia oficial e entrega de alguns presentes concedidos pelo departamento organizador, muitos visitam os templos para receberem orações e entrarem com sorte na vida adulta. É um dia um tanto cansativo e longo, principalmente para as mulheres, e dia de “farra” para os rapazes, que muitas vezes abusam da bebida e se envolvem em confusões; esses, digamos que já começam entrando na fase adulta com o pé esquerdo, assinando um boletim de ocorrência! Observação: as mulheres também saem em grupos para comemorarem em bares. Mas, enfim, faz parte do aprendizado, agora não são mais os pais que respondem por eles e esses jovens têm grande valor para uma sociedade onde os números indicam que eles são a esperança deste país que tem a maior população de idosos do mundo; a terceira economia mundial enfrenta o grande desafio de garantir a sua existência como nação.

Related posts

Tradição de colher cogumelos na República Tcheca

Isadora Costa

A influência da religião em Malta

Marcela Bueno

Mzungu e a desvantagem de ser branco no Quênia

Daniela Milani

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site ou suas ferramentas de terceiros usam cookies Aceitar Consulte Mais Informação