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Robôs no Japão

Robôs no Japão.

Falar sobre o Japão sem falar em tecnologia é quase impossível. A imagem de um país moderno cercado por tecnologia, robôs e, mais recentemente, personagens saídos dos mangás, está presente na imaginação de quase todos! Sem dúvida o país possui uma tecnologia muito avançada e está acelerando o processo de automatização e robótica empregada no dia a dia, visando impressionar o mundo ainda mais em 2020, quando sediará os próximos Jogos Olímpicos.

Nos bastidores desse fantástico mundo futurista existe, a meu ver, uma triste e fria realidade projetada muito antes mesmo da existência de qualquer engenhoca. Neste artigo, gostaria de apresentar fatos reais observados no meu cotidiano o que, com certeza, alguns elementos desse cenário, fazem parte do seu dia a dia também, seja lá onde você esteja vivendo agora.

O Japão tem se empenhado cada vez mais em desenvolver projetos utilizando a tecnologia AI (artificial intelligence), agora fora do âmbito industrial. Hoje em dia existe uma campanha, digamos silenciosa, que estimula cada vez mais as pessoas a usarem menos a sua capacidade intelectual e deixar tudo nas mãos da tecnologia. Tudo é muito conveniente Totemo Benri dessu ne! Alto lá!

Eu sempre me perguntava como o Japão, um país rico e inteligente, ocupa o quarto lugar em números de suicídios no mundo e tem um índice tão baixo de natalidade, sendo uma nação onde as pessoas tem condições de criar os filhos com boa qualidade e o governo faz tão pouco para mudar esse quadro. A resposta é simples: o governo não está interessado em pessoas e sim em ROBÔS!

Leia também: como é trabalhar numa fábrica japonesa

Já sabemos que há muito tempo a automatização nas indústrias tirou milhares de postos de serviço mundo afora. Agora a tecnologia avança para tirar, não apenas os nossos empregos, mas também tem o grave pretexto de exterminar nossas relações interpessoais substituindo-as por relações virtuais e humanoides, os robôs com inteligência artificial (AI).

Sempre observo nos restaurantes, por exemplo, as famílias ou casais sentados aguardando a comida chegar sem trocarem uma palavra, afinal, estão ocupados demais com seus smartphones e as crianças com seus playstations ou Ipads. Não existe qualquer tipo de interação real entre eles. Lojas de telefonia celular como a Softbank já utilizam, em parte do seu atendimento, um pequeno robô humanoide, o Pepper.

As crianças, nossos futuros adultos, podem crescer brincando em parques com atrações como o Kingdom of Robot (Reino Robô), que funciona dentro do parque Huis Ten Bosch, outra gigante do ramo que investe pesado na ciência da robótica. Você pode conferir clicando nesse link e verá que não é brincadeira não, a coisa é séria.

O robô também é apontado como solução para a crescente indústria de cuidados com idosos. Devido a falta de mão de obra humana, novamente, as máquinas são a aposta para um futuro não tão longínquo. Já existem vários equipamentos sendo testados. Todos, claro, interfaces para sua segurança e garantia da evolução desses equipamentos até chegarem a perfeição humana ou superá-la: é o caso do HSR ou Human Support Robot. Esta é uma das mais recentes inovações da Toyota para suprir o mercado carente de calor humano! Mas, como a própria empresa adverte o HSR “ainda” não usa tecnologia AI pois, isto não pode substituir o ser humano quando se trata de cuidado com pessoas queridas, porém, as pesquisas seguem para que estes robôs alcancem esse patamar e tomem o nosso lugar também nessa área.

Leia sobre: Dá para morar no Japão sem saber japonês?

Para as Olimpíadas de Tóquio, o Japão simplesmente projetou uma vila de robôs, a qual funcionará na cidade futurista de Odayaba. A cidade já possui uma estátua enorme do robô Gundam. Os robôs-táxis serão outra atração à parte, movidos por células de hidrogênio e autônomos, ou seja, não haverá um motorista, o próprio carro vai falar com sua voz metálica em seu idioma e conduzi-lo até seu destino.

Lembrando que não são poucos os japoneses que sofrem de diversos tipos de – digamos – distúrbios de comportamento, tais como o Hikikomori (引き篭もり), por exemplo, em que o indivíduo vive isolado da sociedade trancado dentro do quarto, dormindo durante o dia todo e jogando ou lendo seus mangás durante a noite, evitando qualquer tipo de contato com o mundo externo. Recentemente, tecnologias como a internet e os robôs “amigos”, tais como o novo Kirobo Mini, aparecem sorrateiramente como solução, isto é, essas pessoas não vão precisar se esforçar para retomarem suas vidas e viver em harmonia com a sociedade, um robô é o bastante.

Outra função mais estranha ainda nesse robô é a pretensão de despertar o interesse pela maternidade nas mulheres japonesas visto que o modelo Mini se comporta e possui voz, movimentos e reações como um bebê. Será que estão sugerindo algo aqui? Lembrando que aquelas bonecas (os) infláveis são coisas do passado. Caso você não saiba ainda, dê uma olhadinha no que a Roxxxy ou a RealDoll já são capazes de fazer.

Sinceramente, eu não me sinto nada confortável no meio dessa parafernália toda. Porém, muitas pessoas adorariam viver em um mundo metálico como o que está sendo projetado para um breve futuro. A tendência androide não respeita os limites e a robótica parece estar invertendo o seu papel de preservar o ser humano. A impressão que fica é que tudo é uma questão de tempo, o qual voa em velocidade além dos gigas, deixando em mim uma sensação apocalíptica, quando penso em futuro. Parece que a ficção já se tornou realidade: basta eu olhar ao meu redor. Creio que seja necessário fazermos um upload para uma versão mais humanizada novamente.

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