Diário do dia da mudança e chegada na França

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Diário do dia da mudança e chegada na França.

4 de setembro de 2018, uma terça-feira, véspera da mudança, são aproximadamente 15h e o celular do meu marido recebe uma ligação de um número desconhecido. É a empresa que contratamos para ajudar com a documentação para embarque do meu cachorro. “Senhor, verificamos e ocorreu um erro com a documentação. Acreditávamos que sua viagem seria somente em outubro e por isso ainda não emitimos o CZI do seu animal. Agora, a chance de conseguirmos um agendamento no Ministério da Agricultura em cima da hora é de apenas 5%.”

O quê?! Como assim?!

O erro foi do meu marido que, em seu último e-mail, acabou digitando a data do nosso embarque errado: 5/10 (ao invés de 5/09)! Na pressa, quando ele percebeu o erro, falou por telefone com uma pessoa que disse que estavam cientes e não haveria problema (afinal, tínhamos um histórico e estávamos em contato; e eles, com nossa papelada em mãos desde maio!) Não formalizamos por escrito. Quando recebemos essa ligação na véspera da viagem olhamos um para outro e não adiantava xingar, chorar ou acusar ninguém. Não resolveria. Apenas tínhamos a opção de confiar nos 5% e torcer.

Antes das 17h recebemos uma nova ligação. Conseguiram um agendamento no Ministério da Agricultura de Sorocaba no primeiro horário do dia do embarque. Ufa! (Será?)

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Ainda assim, estávamos apreensivos. Nada mais podia dar errado. Chega de surpresas. Sabe quando te perguntam “com emoção ou sem emoção?” Gente, é uma mudança de país com cachorro e filho pequeno! SEM emoção, não dava pra ser! E estava só começando…

Na véspera da viagem ainda não tínhamos fechado todas as malas. Ficamos até quase 3 horas da manhã acordados e pesa daqui, pesa de lá, rearranja uma mala daqui, tira outras coisas da de lá. Uma verdadeira dança das malas! Na quarta-feira acordamos por volta de 7h. Combinamos com dois taxistas de virem nos buscar às 11h para o vôo que era às 15h10. Agora, sim, tudo pronto. C´est parti!

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No aeroporto, sem surpresas. O responsável pela empresa que cuidou da documentação do meu cachorro estava lá e nos entregou tudo em mãos, pontualmente, sem erros. Aliás, a quem se interessar, o nome dessa empresa é DogTravel. Vale a pena contratar uma empresa especializada nisso, pois estão acostumados com todo o trâmite, prazos entre uma documentação e outra, etc. Ou seja, é uma dor de cabeça a menos para quem viaja, algo a menos para se pensar sozinho.

Embarcamos. Lá estávamos nós, meu marido, meu filho de 7 meses no colo e meu cachorro sentado aos nossos pés entre os dois assentos. Que emoção.

As horas de vôo foram longas, principalmente porque eu estava angustiada em saber como seria o comportamento do meu cachorro e do meu filho; mas no final das contas correu tudo muito bem.

Chegamos em Paris. Nós e nossas 8 malas! Eram 6 despachadas no porão, mais 2 pequenas de mão na cabine, além de 3 mochilas e o carrinho de bebê. Agora, o desafio era pegar tudo isso, atravessar o aeroporto até o outro terminal, pegar nossos bilhetes de trem no guichê de conexão da AirFrance e “despachar” novamente nossas malas (ou parte delas). De lá, pegamos o trem no aeroporto mesmo para Strasbourg. Duração do trajeto: aproximadamente mais 2 horas.

Viemos bem. O bebê chorou um pouco no final, mas logo adormeceu. Devia estar cansado, claro. Todos nós estávamos. Agora, do trem para o tram (tipo um “bonde”) bem em frente à estação e de lá até o Airbnb que alugamos, isso foi uma verdadeira prova de força, pois chegar já no final da viagem, e no nível de esgotamento em que nos encontrávamos, é quase como percorrer uma maratona com todas suas dificuldades e cãibras e, finalmente, de longe, avistar a linha de chegada. Você fica até em dúvida se não está sonhando, se belisca… Nossa sorte foi que o anfitrião do Airbnb era brasileiro e foi muito gentil em nos acolher e ajudar com as malas desde a chegada na estação de trem. Sem ele, realmente, teríamos tido mais dificuldade.

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Na chegada no apartamento, era bem localizado, simples e bem confortável. Logo nos ajeitamos, o bebê parecia bem feliz de termos chegado a algum lugar – que, certamente, ele não conhecia, mas que parecia ser um lugar tranquilo depois de tantos trajetos diferentes. E o cachorro a mesma coisa, chegou e apenas teve a força de se espatifar com a barriga grudada no chão de madeira escura.

Quanto ao meu marido e eu, a sensação era de cansaço físico e psicológico. Mas, principalmente, e nisso acredito que eu fale mesmo por nós dois, de missão cumprida.

Sabíamos que teríamos uma aventura pela frente e, de fato, foi. Teremos histórias para contar, mas se querem saber, nosso livro tem ainda muitas páginas em branco para preencher com histórias, aventuras, dores e delícias de uma mudança de vida, de país que está, este sim, apenas começando.

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