Dicas para conhecer Portugal? Comece pelo Minho

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acervo pessoal
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Dicas para conhecer Portugal? Comece pelo Minho

Braga sempre fez parte de minha vida. Minhas raízes estão profundamente ligadas a esta
cidade bimilenar. Desde que nasci, ouço meu pai falar de sua família portuguesa, das tradições, dos costumes e seus hábitos. Desde a infância, entendi que o mundo que me circundava ultrapassava a fronteira da pequena cidade do interior em que crescia.

Na imaginação fértil de uma criança, a vida não se limitava àquilo que seus olhos viam
quotidianamente. Havia mais; havia Portugal. E onde ficava? Nas brincadeiras solitárias no interior do Rio, Portugal familiar se misturava à história do colonizador. Tudo parecia inalcançável, distante e assustador.

Com o tempo e muito estudo, a distância foi se encurtando e ganhando corpo a necessidade de conhecer os rostos somente vistos em fotografias. Braga se tornou realidade; Braga se tornou concreta e ganhou seu verdadeiro espaço em mim. Provei-me que o mundo é grande, sim, e repleto de possibilidades. A menina do interior conquistou o direito voar e deu asas a sua imaginação.

Quando decidi estudar em outro país, Portugal sorriu-se para mim não pela facilidade do
idioma (como todos pensam), mas pela minha raiz. Já conhecia a cidade e entendia um pouco as diferenças culturais que nos separam dos portugueses. Braga tinha tudo o que buscava: aconchego de tios e primos, a tranquilidade de morar em um das mais seguras cidades de Portugal e estudar em uma das mais conceituadas universidades do país.

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Cheguei há um ano. Na primeira semana, ainda confusa e um pouco triste por ter deixado
tudo para trás, sentei-me em uma esplanada no centro da cidade. Foi ali que tudo mudou. Ver as pessoas caminhando tranquilamente, sentadas em um café conversando despreocupadas, sem estarem estressadas pela pressão do trabalho, ver que se conhecem, apreciar o papo entre amigos que se esbarram pelas ruas… tudo isso mexeu comigo. Tudo isso provou que a opção estava mais que correta e fez-me querer apostar que seria feliz aqui.

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E não é que estava certa? Braga é um pedacinho de mundo que todos deveriam conhecer.
Seja pela localização, seja pela história, segurança e tranquilidade, seja pela oferta cultural.

Durante todo o ano, a cidade oferece diversos festivais, muita tradição e cultura.
Há inverno rigoroso, sim, com temperaturas beirando o negativo e muita chuva, mas há
também a Braga Romana no final de Maio, o São João durante o mês de Junho, o festival de tunas universitárias, apresentações musicais na Avenida Central, a Noite Branca, a Braga Barroca, a tradição de comer banana com uma taça de moscatel no Natal na Casa das Bananas, muito vinho espetacular e boa-gente disposta a um bom papo.

Valorizar o Minho, minha tarefa

E há mais: Braga situa-se no Norte do País, na região do Minho, ou seja, traduzindo:
come-se bem e bebe-se melhor ainda. Aqui, descobri o vinho verde e o prazer de beber um bom Alvarinho . Por isso, desde que cheguei, assumi o compromisso de desbravar cada cantinho desse território e, claro, compartilhar minha experiência.

Percebi que é preciso mostrar ao mundo as delícias desses mais de 20 concelhos e provar que o Norte é muito mais que Porto e o Douro.

Para conhecer o Minho, separe na agenda uns 15 a 20 dias (e ainda será pouco). Se
preferir, alugue um carro ou uma autocaravana (motorhome) para ter autonomia. Minha dica é: comece por Braga, óbvio. Vir a Portugal e não passar por Bracara Augusta, cidade fundada pelo imperador César Augusto e antiga capital da província da Galécia, é um sacrilégio ou, no mínimo, desligar-se da história. Deixe-se ficar uns dias por aqui. Braga é uma das cidades mais antigas do mundo e teve grande importância no Império Romano, tendo por aqui muitos monumentos que remontam à época.

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Na cidade, dedique-se a andar pelo centro e descobrir suas belezas arquitetônicas. Primeiro passo, é caminhar até a Rua do Raio, encontrar um portão de ferro quase imperceptível,
que fica rodeado de prédios modernos, e encantar-se com a Fonte do Ídolo, santuário rupestre dedicado à Deusa Nábia que antecede o Império Romano.

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Em seguida, ande até a Praça da República e depare-se com um conjunto histórico que abriga dois restaurantes com muita tradição: Café Vianna e Astoria. Depois de tirar muitas fotos, descubra a Torre de Menagem – o que resta do castelo da cidade – desça a Rua do Souto até a Arco da Porta Nova e pare na Sé de Braga. A estrutura do templo religioso preserva vários estilos arquitetônicos ao longo dos séculos, desde o Românico até o Gótico, sendo possível ler em sua fachada inscrição dedicada à Deusa Isis e apreciar a imagem de Nossa Senhora do Leite, que está há 500 anos na parte exterior da catedral. A Sé não é qualquer Igreja. É um Santuário. Portanto, sinta sua magia. No local, estão os túmulos de Henrique de Borgonha, conde de Portugal e sua esposa, Teresa de Leão, pais de
D. Afonso Henriques.  Além do túmulo do Infante D. Afonso, filho de João I de Portugal.

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Aproveite a localização e vá visitar as termas romanas que ficam em Maximinos. São 10
minutos de caminhada. Não se arrependerá. Outra beleza que não deve ser esquecida é o Jardim Santa Bárbara, cujas flores são trocadas a cada estação do ano. Por lá também encontram-se muitos achados romanos. Não deixe de ir ao Bom Jesus – dê preferência à escadaria – e passeie pelo jardim que fica atrás do templo. Em seguida, viva o prazer de esperar o pôr-do-sol no Sameiro (se visitar a cidade na primavera ou no verão, claro).

Braga é daquelas cidades que tem uma igreja milenar a cada esquina e lhe conquista pela
paz, segurança e qualidade de vida. Tudo aqui é bonito, é leve e o tempo passa devagar. Por isso, sente no Café A Brasileira, o nome não é mera coincidência. Fundado no início do século XX, a loja importava café do Brasil e vendia em sacos. Hoje, é um ponto turístico imperdível porque é o único que vende café coado em pano. Ah! E tem um bolo de chocolate dos deuses.

No verão, essas lojas estão todas de portas abertas e com mesas e cadeiras ocupando as calçadas. Convite perfeito para sentar, abrir um livro e ficar apreciando as pessoas caminhando pelas estreitas ruas de pedra. Respire fundo e sinta a magia do lugar. É de tirar o fôlego!

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Passados uns dias, defina o que lhe dá mais gosto conhecer. Se quiser apreciar um bom
vinho, dirija-se sem receio a Monção e Melgaço e beba um Alvarinho, uma casta de vinho
português típica do Minho. É de beber rezando! Mas se preferir beleza natural, vá até o Gerês e apaixone-se pelo Parque Nacional Peneda-Gerês, com mais de 70 mil hectares e onde pode-se encontrar cavalos selvagens e cachoeiras espetaculares.

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No entanto, se o que você procura é história, então a decisão fica mais difícil. Todos os lugares contam um pouco sobre o país. Faz-se importante lembrar que o Minho é composto pelo o que há de mais tradicional da cultura portuguesa. Portanto, lugares históricos não faltarão, bem como castelos, ruínas, monumentos, igrejas, danças folclóricas, boa gastronomia e, claro, bons vinhos.

O que está esperando? Venha conhecer o Minho. Nestas linhas, destacaremos a cada mês um lugar incrível deste pedaço de Portugal.

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