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Bolívia Cheguei e agora?

Dicas para dirigir na Bolívia

Dirigir na Bolívia pode ser desafiador para algumas pessoas. Quando visitei a Bolívia pela primeira vez, algumas coisas me chamaram a atenção, especialmente no trânsito. Com o tempo e  um olhar positivo sobre a cultura e os hábitos locais, acostuma-se às diferenças.

O trânsito na Bolívia pode ser uma caixinha de surpresas. Ok, nem de longe se compara àquelas fotos clássicas de países como Tailândia, Vietnã ou Índia. Em Santa Cruz de la Sierra, não é comum caminhar pelas ruas, com exceção do centro da cidade. Falei sobre isso nesse post.

As opções de transporte público são restritas, então os meios mais comuns são micro-ônibus (chamados de ‘micros‘), táxi compartilhado (os ‘trufis‘), táxi comum (ou ‘movil’ ), Uber ou carro próprio.

Leia também: Custo de vida na Bolívia

Listei algumas situações interessantes (ou exóticas) relativas ao trânsito na Bolívia. Aviso: pode conter ironia!

1. É possível cinco pessoas estarem na mesma motocicleta.

Sim, pai, mãe, três filhos, bebê, todo mundo junto e sem capacete, claro… Um ponto positivo é que não há muitas motos no trânsito, então elas não ficam costurando por aí.

2. Não é costume usar o cinto de segurança.

Esse foi um grande choque para mim! Há mais de vinte anos o uso do cinto de segurança é obrigatório no Brasil. Por aqui, é comum que as pessoas não o usem, independente do nível social.

3. Crianças podem viajar no banco da frente, tanto sozinhas ou no colo.

Mais uma observação que me deixou de queixo caído. Cadeirinha de criança? Preocupação com a segurança? Ainda não chegou por aqui… É comum que crianças estejam soltas pelo carro ou que o carona esteja com um bebê no colo.

Uma vez, chamei um Uber e no banco do carona havia uma criança de uns cinco anos e um bebê no bebê conforto. Hoje sinto pena daquela motorista que precisava trabalhar e provavelmente não tinha com quem deixar os filhos, mas inicialmente fiquei assustada com a situação.

4. Não é comum ligar a seta, nem é necessário estar na pista da direita se você irá virar à direita.

Ou seja: espere o improvável e tenha os reflexos bem apurados!

5. Pode-se estacionar nos lugares mais exóticos.

Sempre cabe mais um carro e às vezes surge um flanelinha para ajudar com o ‘Dale!‘, que é uma gíria de incentivo que significa “muito bem, boa”.

6. Quase todas as ruas  são mão dupla. E, se não são, não tem problema…

Tenho certeza que meu carro encolhe para passar nas ruas estreitas que possuem carros estacionados dos dois lados e ainda são mão dupla…

7 . Um policial vai te parar em algum momento, por qualquer motivo que seja. Esteja preparado!

É comum ser parado por um carro de polícia e às vezes o motivo não é plausível. Mesmo sem medidor de velocidade, eles alegam que você ultrapassou o limite de velocidade e querem te aplicar uma multa, ou então questionam por sua carteira de motorista. À noite, há uma busca por pessoas que estejam dirigindo embriagadas. Não há bafômetro e o exame é realizado de forma “manual”: soprando no rosto do policial!

8. Não é preciso ter carteira de motorista.

É uma questão polêmica (e nem tão ética, digamos assim), mas uma parcela da população dirige sem possuir carteira de motorista. Eu só tive coragem de sair de carro depois que tive minha carteira de motorista boliviana em mãos, eu preferi não arriscar especialmente por causa do item acima e porque eu não tinha experiência na direção. Para mais informações sobre a carteira de motorista boliviana, acesse o site do SEGIP (Servicio General de Identificación Personal y de Licencias para Conducir).

Já ouvi um caso de alguém que se envolveu em um acidente de trânsito com um carro de polícia e o policial não queria escalonar a situação porque ele próprio não tinha habilitação para dirigir! Bizarro!

Leia também: Visto de residência na Bolívia

9. Respeite micros e táxis

Eles em geral são bem antigos e não se importam se baterem no seu carro. Então, melhor manter distância.

10. Semáforos nem sempre estão presentes. Ou nem sempre estão em um lugar visível.

É importante tomar cuidado, pois há cruzamentos sem sinal de trânsito. A boa notícia é que na maioria das vezes isso acontece em ruas estreitas cuja a velocidade média é baixa. Nas rotatórias, o semáforo nem sempre está visível, mas com o tempo você se acostuma à posição dele.

Curiosidade: Logo que cheguei, observei que vários carros originalmente tinham seu estepe na parte de trás do veículo, mas o pneu não estava presente! Conversando com locais, descobrimos que a causa disso é o alto índice de roubos de estepes que ficam na parte de fora!

Ainda que pareça desafiador, aprender a dirigir foi uma das minhas maiores conquistas na Bolívia. Eu possuía carteira de motorista no Brasil há uns dez anos, mas tinha medo e não tinha a prática. Enfrentei meus medos por uma questão de necessidade e aprendi a lidar com as situações desafiadoras que mostrei acima.

E você? Dirigia no Brasil? Ou aprendeu a dirigir no país onde você está?

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