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Diferenças e descobertas do dia-a-dia na Austrália

Além de conhecer lugares e pessoas diferentes, a melhor parte de morar fora é vivenciar novas experiências e aprender com elas. Os primeiros meses fora são realmente intensos no que diz respeito à adaptação e aprendizado. Vou listar algumas coisas curiosas que vivi e aprendi aqui na Austrália. Começando pelas diferenças:

1) Assim que cheguei em Sydney, em 2007, aluguei um studio mobiliado até encontrar um lugar definitivo para morar. Na cozinha tinha máquina de lavar-louça, claro. Recém-chegada, nem imaginei que deveria usar um sabão específico para a lava-louças, no caso aquele quadradinho branco com uma bolinha vermelha no meio, embrulhado num plástico, e que estava posicionado estrategicamente bem em cima da pia. Taquei detergente líquido mesmo, liguei e saí para resolver alguma coisa na rua. Quando voltei pra casa, a máquina tinha parado de funcionar no meio do ciclo (estava cheia de água) e transbordava espuma. Nota: detergente aqui é ultra concentrado e rende muito, mas muito mais do que aqueles que usamos no Brasil. Sem saber o que fazer, chamei um encanador que cobrou $100 pela visita. O moço levou literalmente 5 minutos dentro de casa. Disse que eu deveria ter usado o tablete de Finish que estava ali em cima da pia (a coisinha branca com bolinha vermelha no meio), limpou a espuma da máquina que bloqueava o sensor com um paninho e ela voltou a funcionar perfeitamente.

2) Ainda falando sobre o assunto de eletrodomésticos, comprei uma máquina de lavar roupas nova, de uma marca boa e bem moderna. Só que sempre que eu a ligava ela pulava, sambava, saía do lugar, virava de lado e estava na cara que tinha algo errado. Tentei lavar menos roupas de cada vez, experimentei toooodos os ciclos possíveis, desliguei da tomada. Nada. Um dia, conversando com a minha prima que já morava aqui há anos, descobrimos o problema: as máquinas têm uma trava de segurança atrás, para ser usada durante o transporte e eu não tinha removido a dita cuja ao fazer a instalação. 

3) Aqui existem vagas de estacionamento demarcadas para pessoas com necessidades especiais, gestantes, idosos e também para quem está com carrinho de bebê. Lindo de viver. Entretanto, não espere encontrar uma fila preferencial para as mesmas categorias de pessoas nas lojas, farmácias, mercados ou bancos. Simplesmente não existe a tal da “fila preferencial” aqui e eu juro que não entendo o porquê. 

4) Mas é na hora de comer as diferenças culturais explodem. Aqui não se come sanduíche enrolado no guardanapo, muito menos pizza com garfo e faca. Tudo vai direto na mão mesmo. Esses dias vi um cara comendo meio frango assado com as mãos, em pleno shopping. Ele puxava a pele e destrinchava os pedaços do frango com os próprios dedos. Para arrematar, eles lambem os dedos, um por um e ainda fazem um barulhinho. E por falar em pizza, a maioria dos restaurantes servem pizza individual e quase nunca ela vem forrada com mussarela embaixo. Decepcionante.

5) Pouquíssimas pessoas têm o hábito de escovar os dentes após o almoço. Os brasileiros são conhecidos por terem este hábito no ambiente de trabalho e alguns Aussies comentam sobre isso – eles acham meio nojento.

6) Apesar da Austrália ser bem, mas beeeem menos burocrática do que o Brasil, surpreendentemente algumas coisas são muuuuito mais enroladas por aqui. Por exemplo, fazer o registro do nascimento de uma criança. O processo até que não é tão complicado, mas leva-se em torno de 6 semanas para receber a certidão pelos correios. ¨Seis semanas! No Brasil a gente sai com a certidão na mão na hora. Uma amiga precisou esperar as mesmas 6 semanas por um documento para poder solicitar o passaporte da filha nascida aqui.

7) Implante dentário e ortodontia aqui são tão caros, mas tão caros, que é mais barato comprar passagem e ir fazer o tratamento lá no Brasil, do que pagá-lo em dólares aqui.

8) Aqui tudo fecha cedo. Muito cedo. Lojas de ruas, de shopping, farmácias e consultórios fecham entre as 16h e as 17h30 durante a semana. Alguns restaurantes fecham suas cozinhas a partir das 21h30 da noite. Somente às quintas-feiras é quando o comércio fica aberto até mais tarde, as lojas do shopping fecham às 21h. Geralmente uma única farmácia abre até as 23h num raio de vários quilômetros, para atender a toda uma região. Perto de uma casa em que morei em Sydney, às 17h já estava tudo fechado, menos a floricultura e o salão de bronzeamento artificial que ficavam abertos até às 20h. Vai entender!

Agora vou falar das descobertas que mais me chamaram a atenção por aqui:

1) Almoço de 2 horas, como conhecemos no Brasil, não existe por aqui. Só se sai almoçar com os colegas de trabalho em comemorações bem especiais, como promoções, despedidas, aniversários, etc. Normalmente come-se um sanduíche na frente do computador e pronto. Ou faz-se uma pausa de 30 minutos para montar uma salada rápida ou esquentar a comida que trouxe de casa no microondas da firma. Eu já vi gente comendo latinha de atum com garfo na frente do computador e chamar isso de almoço. 😉

2) É super comum encontrar crianças vestidas de pijama no supermercado, farmácia, fast-food ou em qualquer outro lugar. Hoje mesmo vi uma criança de pijama ao buscar minha filha na escola de ballet às 19h. Durante o verão também vemos pessoas andando descalço por todos esses lugares. Adultos inclusive, não só crianças.

3) Os banheiros públicos aqui são interessantes. Alguns têm aquela descarga automática que aciona sozinha. A descarga manual tem sempre dois botões, com as opções de mais ou menos água por motivos óbvios – uma para o número 1 e a outra para o número 2. Tem um parque perto da minha casa que tem um banheiro público que toca música clássica quando você entra.

4) O conceito de salão de beleza como conhecemos no Brasil não existe por aqui. Aqui é tudo separado: existem os salões de cabeleireiros que só fazem cabelos (corte, tintura, etc.), salões que só fazem corte, salões só de manicure e pedicure e studios específicos de depilação ou estética. Nunca tudo junto em um só lugar como no Brasilzão. #bateusaudades 

5) Mão-boba: É bastante comum ver casais expressando seu lindo amor publicamente – e com direito à mão-boba pra lá e pra cá. Tipo assim, em lugares públicos como lojas, o casal resolve se abraçar e ao se soltarem o homem solta também um tapinha no bum-bum da amada. 

6) Uma das primeiras coisas que notei ao me mudar para um subúrbio ao norte de Brisbane foi o grande número de filhos em algumas (muitas) famílias. É super comum ver casais com 3 ou 4 filhos pequenos no supermercado do shopping. Incomum é ver uma família de 2 irmãos somente. Conheço várias pessoas que têm 4, 5 filhos e, recentemente, trabalhei com uma professora que tem 6 filhos! 

7) Havaianas: Entra ano, sai ano, e as Havaianas não saem dos pés das Aussies! É simplesmente surreal. Aqui em Brisbane faz calor de não se conseguir usar nem sapatilha fechada nos meses de verão. Só dá pra usar rasteirinha ou, claro, Havaianas. Curiosamente chinelo de dedos aqui é chamado de thongs, o mesmo que calcinha fio-dental. O uniforme casual básico das australianas é: calça skinny de sarja preta, blusa regata cinza e Havaianas pretas. Eu tinha uma colega de trabalho em Sydney que usava Havaianas pretas com saia justa e camisa social.

8) Mas a  coisa que mais me surpreende positivamente aqui é a ingênua honestidade das pessoas. Exemplo: meu vizinho havia perdido sua câmera fotográfica profissional e pregou cartazes pelo condomínio pedindo ajuda para localizá-la. Confesso que achei aquilo surreal. Será que a pessoa que encontrou devolveria mesmo ao dono? Não sei o final desta história mas já ouvi muitas parecidas que tiveram sim um final feliz. Já encontrei óculos de marca perdidos em banco de parque. As pessoas passam, olham e deixam lá, no mesmo lugar, para que o dono tenha a chance de encontrar mais facilmente ao voltar para procura. Também já vi bilhete no caixa eletrônico dizendo que a pessoa sacou $280 da conta mas esqueceu o dinheiro na máquina, caso alguém tenha visto as notas, favor ligar para o número tal.

9) Honestidade: Hoje fui visitar amigos que moram num condomínio fechado com muitas casas, daquelas grudadinhas umas nas outras. Parei o carro na vaga de visitantes na frente da casa deles. Na hora de ir embora, já estava escuro. Entramos no carro e saímos. Ainda no condomínio, minha filha viu um bilhete no nosso para-brisas. O bilhete explicava que o vizinho havia batido no meu carro ao dar ré para sair de casa. Fui olhar e sim, amassou bastante a porta do passageiro. Ele pediu muitas desculpas, deixou seu nome, telefone e endereço e pediu para eu ligar para resolvermos isso. Liguei e já estamos tomando as providências.

Certa vez no Brasil, um menino bateu feíssimo na traseira do meu carro. Ele falou com todas as letras que não iria pagar. Teve a cara de pau de me dizer para processá-lo caso eu quisesse receber! Pensa na minha raiva, sabendo que não tive culpa nenhuma?

Com defeitos e qualidades, diferenças boas e ruins, o processo de descobrimento sobre as particularidades de um lugar é algo encantador, na minha opinião. E você, tem alguma descoberta ou diferença para compartilhar? Comente abaixo!

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5 comentários

Paula Ghelli Junho 5, 2017 at 10:02 am

Adorei o artigo e suas histórias, Tasla!!! Obrigada por compartilhar!! ps: Deu pra perceber o quanto a cultura Australiana foi influenciada pelos Britânicos hehehe 🙂 bjs

Resposta
Tasla La Pastina Worth Junho 15, 2017 at 1:44 am

Oi Paula, obrigada pelo seu comentário! Com certeza as semelhanças vão muito além do Fish and Chips e do morning tea!!!!

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Ingrid Junho 21, 2017 at 5:12 am

Amei as informações! Super completas! Mas uma curiosidade que morro de vontade de confirmar: é verdade que aí as aussies fazem topless na praia?

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Tasla Julho 7, 2017 at 12:10 pm

Oi Ingrid, não é muito comum não… Acho que na Europa é mais! Bjs

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Luiz Julho 9, 2017 at 9:52 pm

Ola tasla e um prazer em saber que vocês são felizes morando ai na Austrália e um mundo maravilhoso de cores .nao li o artigo mas sinto uma boa energia so de ver fiquem com Deus.

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