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Diferenças na criação de cachorros no Brasil e os EUA

Diferenças na criação de cachorros no Brasil e os EUA.

Quando soubemos que iríamos nos mudar definitivamente para os EUA, uma das minhas grandes preocupações foram meus amados cachorros. Eu tinha um lindíssimo e premiado Golden Retriver, chamado Andy Warhol e uma cadelinha desajeitada e faceira chamada Anita Malfatti. Tive que passar por uma das piores experiências da vida, uma verdadeira “escolha de Sofia”, pois não poderia trazer dois cachorros para um pequeno apartamento de aluguel no meio do inverno.

Claro que havia fila para adotarem o Andy e nenhum interessado na Anita e isso facilitou, ou melhor – minimizou a dor da nossa escolha. O Andy ficou no Brasil, adotado por uma família maravilhosa e cheia de amor, e ainda ganhou um irmão da mesma raça.

A Anita, vira-lata que foi resgatada por nós das ruas do Embu das Artes em São Paulo, já virou cidadã americana e passeia toda toda por Washington, Boston, NY e Seattle!

Anita Malfatti – das ruas do Brasil para os EUA!

Trazê-la foi uma epopéia! Foram precisos documentos e atestados veterinários, e uma terrível surpresa: não havia lugar para ela em nosso vôo super lotado (era véspera de Natal) e ela então veio em um vôo no dia seguinte, enfrentando conexão no meio do caminho. Nem preciso dizer que foram as 24 horas mais agoniantes de espera que me lembro.

E assim começamos nossa vida nos States, em pleno inverno gelado e cheio de neve de janeiro. Não via nenhum cachorro nos quintais, e nenhum latido sequer. Só sabia que quase todos os meus vizinhos tinham cachorros, quando os via passeando nas ruas.

O tempo passou, esquentou e mais uma vez ausência zero de cachorros em quintais e latidos pelos bairros. Mesmo os cachorros que víamos pelas ruas com seus donos, jamais latiam ou rosnavam. A minha Anita, que era um pouco arisca, se transformou e simplesmente também parou de latir.

Observar as relações entre cachorros e seus donos me fez entender muitas coisas, principalmente as enormes diferenças entre a criação de animais de estimação no Brasil e aqui. Querem saber? Vamos lá!

Não existe cachorro de rua

Já são três anos vivendo aqui e andando por diversas cidades. Nunca vi, absolutamente nenhum cachorro de rua. Aqueles pobres coitadinhos, magros e famintos que são tão comuns no Brasil, NÃO existem aqui! Há uma preocupação enorme com animais e até para serem adotados é feito uma pesquisa para ver se os futuros donos terão condições emocionais e financeiras para cuidarem de seus bichinhos.

Cachorros ficam e vivem dentro de casa

Existe uma razão para o silêncio: cachorros vivem dentro de casa e convivem em todos os espaços com seus donos. São parte importante da família e aquela coisa triste, de cantinho cercado no quintal, ou da “porta da cozinha não passa”, não existe aqui.

Cachorros acompanham seus donos por todos os lugares

É muito comum ver cachorros em cafés, shoppings e super-mercados passeando felizes com seus donos. Em alguns lugares eles são vetados, mas diferente do Brasil, quase sempre você encontra animais de estimação por todos os lugares, sempre acompanhados pela família. Em Seattle eles estão presentes até nos escritórios das grandes empresas e ficam sentadinhos aos pés dos donos que estão trabalhando.

Leia também: vistos para morar nos EUA

O custo de manter um cachorro é muito alto

Cachorros são parte da família e são tratados como tal. Visitas anuais aos veterinários são obrigatórias, assim como as vacinas em dia. Cada estado têm suas regras e as licenças com tudo isso em dia são mandatórias. Há também um cuidado grande com a dentição canina, que eu desconhecia no Brasil. Claro que tudo isso custa caro – e muito! Por isso, quando se pretende adotar ou comprar um cachorro é até checado se o dono terá condições financeiras de mantê-lo.

Contudo, apesar de serem muito bem tratados, não vi ainda por aqui, aquele comportamento de “infantilização-humanização” de cachorros, com festinhas de aniversário, spas e acessórios “fashions” como estava em moda quando eu morava no Brasil. Roupas, por exemplo, são usadas somente no inverno, quando as baixas temperaturas exigem. Pode até ser que existam essas coisas, mas eu pessoalmente, desconheço. Se alguém quiser acrescentar algo sobre isso, seja bem-vindo.

Conclusões

Antes de concluir, quero deixar claro que essa é uma opinião pessoal minha e que de nenhuma maneira pretende se afirmar como verdade ou como moralmente superior e correta. Respeito e aceito as opiniões diversas.

Fechando o parágrafo e voltando à história, acho que a forma como cachorros, gatos e animais domésticos são tratados nos EUA, difere e muito da forma como são no Brasil. Hollywood e seus famosos filmes têm muitas histórias para ilustrar tudo isso e são relativamente fiéis ao que acontece aqui nesse quesito.

Eu mesma acho que mudei muito nesse sentido. Antes no Brasil, tinha uma preocupação quase obsessiva com a limpeza da casa e por conta disso limitava o acesso dos meus cachorros a alguns espaços. Considero essa minha mudança um crescimento pessoal e humano, pois hoje acho triste a forma como muitos cachorros são tratados no Brasil. Esquecidos em quintais apertados, privados de passearem com os donos e carentes de um convívio mais próximo. No meu antigo bairro de S. Paulo, era comum as casas grandes terem canis e lá ficavam os cachorros confinados. (isso eu nunca tive e nunca aceitei).

Acho triste que a aparência e a limpeza de uma casa venham à frente da alegria de um cachorro, que deixará seus pelos espalhados pelo tapete. Se não quer cheiro de xixi e cocô pela casa, passeie com seu bichinho e o ensine a fazer no lugar certo, sempre se lembrando de recolher depois, não é difícil e faz uma diferença enorme na vida dos peludos, que só querem companhia e atenção.

Tudo isso faz com que o mistério da ausência de latidos, que falei lá no comecinho, se explique: cachorros não latem, não atacam e não rosnam, pois são infinitamente mais relaxados e integrados às famílias que vivem.

Conversei sobre isso com o veterinário da Anita e ele que veio da Argentina (país de costumes semelhantes ao Brasil) me disse que essa forma de tratar os animais de estimação, mais próximos à família, faz comprovadamente uma diferença enorme no comportamento social deles e por isso, cachorros de raças consideradas agressivas nos Brasil, aqui são verdadeiros bichos de pelúcia, calmos e super tranquilos.

Nesse assunto, eu diria que é USA 1 x Brasil 0.

Até a próxima!

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4 comentários

Joice Outubro 24, 2017 at 3:49 pm

Que texto maravilhoso. Eu compartilhei na minha página dizendo que serve não só para cães, mais para gatos também, e de forma metafórica, aplica-se a seres humanos também. Muito obrigada e parabéns!

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Renata Braga Outubro 24, 2017 at 9:32 pm

Eu tenho dois bassetsde 13 anos. São minha família. Dormem na minha cama e convivem com meus filhos e netos como uma grande família. P.S: eles também não tem festa de aniversário e nem usam roupinha.

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Valentina Maio 4, 2018 at 3:00 am

Minhas cachorrinhas são como filhas pra mim. Gostei muito de saber o seu ponto de vista em relação a sua mudança. Não sabia que tinha tantos detalhes e diferenças. Gostaria que fosse assim no Brasil. Sinto muita pena de todos os bichinhos abandonados nas ruas. Muito obrigado por compartilhar sua história. Adorei…

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Ana Junho 25, 2018 at 7:29 pm

Belo texto! Passamos 2 anos morando em Londres e trouxemos nosso golden do Brasil com a gente! Posso te dizer que, pelo que vc falou, aqui é muito parecido com a realidade dos EUA. Os cachorros ficam dentro de casa (se vc deixar no quintal e for denunciado, é penalizado), não tem isso de festinha e roupinhas e etc, e os custos veterinários são obrigatórios e bem caros. Tanto que aqui é super recomendado um seguro veterinário para cobertura de problemas de saúde e emergências veterinárias. Vc sabe dizer se nos EUA seguro veterinário é obrigatório ou recomendado? E quanto é o custo normal de veterinário e vacinas na sua cidade? Pergunto pq estamos de mudança pros EUA e claro que nosso cachorro continuará nos acompanhando. Se pudesse passar dicas a respeito de custos com os dogs ai, eu ficaria muito grata!
Obrigada!

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