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Diferenças sobre a infância no Brasil e nos Estados Unidos

Diferenças sobre a infância no Brasil e nos Estados Unidos.

Minha filha mais nova acaba de completar 12 anos, portando já estou me despedindo da infância e entrando em uma nova fase. Confesso que bateu uma certa nostalgia, afinal o tempo passa rápido demais e quando menos esperamos nossos filhos estão batendo as asas. Com isso em mente e ainda me recuperando da sua festa de aniversário, resolvi ter esses dois dedinhos de prosa.

Minhas filhas foram criadas no Brasil, inclusive a mais nova, que está aqui há apenas 3 anos. Isso me permitiu observar as diferenças e traçar alguns comparativos e observações.

Para ser coerente farei um recorte sobre a vida de crianças de classe-média nos dois países em itens fundamentais à infância. Vamos lá?

1.Escola Pública

Essa é a primeira das grandes diferenças. A grande maioria da classe média americana frequenta o ensino público, enquanto que no Brasil, crianças de nível sócio econômico similar estão dentro do sistema particular.

A escola pública é baseada na diversidade, assim o ensino público é menos homogêneo em questões sociais, culturais, econômicas e políticas.

Aqui na minha região é muito comum alunos chegando de carros luxuoso, enquanto outros vêm caminhando com os irmãos menores já que a família não possui carro. A escola pública também propicia um senso de comunidade maior do que a escola privada. Há embutido o sentimento de gratidão em retribuir à escola tudo aquilo que foi recebido. É muito comum a participação das famílias em atividade de manutenção das instalações escolares, almoços para os motoristas de ônibus escolares e funcionários, etc. Infelizmente, em meus mais de 20 anos de ensino particular no Brasil, mesmo tendo passado por diversas escolas, nunca vi nada parecido.

Para resumir, isso molda nas crianças um senso de pertencimento à escola e à comunidade em que vivem, e a partir disso elas passam a criar um sentimento de orgulho à escola que frequentam.

  1. Brincadeiras e amizades

Comparado ao brasileiro, o americano e mesmo todos os estrangeiros com que convivo aqui, são muito mais formais. Não há muito espaço para a improvisação e os encontros em casa de amigos costumam ser agendados previamente, com horário para começar e terminar a brincadeira. Mesmo na vizinhança não é muito comum o entra e sai de crianças nas casas, como eu via no Brasil. Minhas filhas ainda estão se adaptando aos novos costumes e não dá para negar a falta que fazem a informalidade e a espontaneidade das amizades brasileiras, que fluem mais facilmente, sem tantas regras.

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  1. Festas e comemorações

Nesse sentido as diferenças são bem grandes. Não existem, ou pelo menos não conheço, os mega aniversários infantis, com direito à serviço de buffet, equipes de animação, comes e bebes gourmetizados e lembrancinhas que mais parecem presentes. As festas infantis são muito mais simples, normalmente decoradas pelas próprias mães, graças à facilidade das inúmeras lojas especializadas. Mas tudo sem nenhum arroubo de ostentação, como mesas giratórias e iluminadas, que mais parecem carros alegóricos. Eu mesma, patrocinei algumas festas assim nos meus tempos paulistanos e hoje, olhando para trás, acho que foram desnecessárias. Já realizei duas festas infantis aqui, com planejamento de última hora e apetrechos comprados no supermercado ao lado de casa. Minha filha ficou muito feliz, com a liberdade para brincar e se divertir com os amigos, ao invés de roupas elaboradas e dezenas de convidados pedindo fotografias. Acho que as festas daqui, lembram muito mais as festas de aniversário dos meus tempos de criança, com bolo assado pela minha avó e brincadeiras de passa anel no quintal.

Definitivamente esse é um costume que acho que vale a pena ser reativado no Brasil. As crianças irão agradecer…

  1. Responsabilidades financeiras e consumo

Claro que nesse item há variáveis de família para família, tanto aqui como no Brasil. Mas, pasmem (!), acredito que as crianças daqui são menos consumistas que no nosso país. A maioria ganha mesada e é responsável pelos seus gastos de diversão, como sorvetes e passeios com os amigos. Como sobra pouco é muito comum as crianças, já a partir dos 10 anos de idade, encontrarem maneiras de ganharem um dinheirinho extra, seja cuidando dos animais de estimação do vizinho, cortando grama ou até mesmo trabalhando de baby sitter nas horas extras.

Nas longas férias de verão é comum ver inúmeros adolescentes usando o tempo livre para trabalharem em cafés, supermercados, piscinas públicas, etc.

Noto que para as minhas filhas isso teve um impacto grande e hoje elas valorizam mais o custo das coisas. Produtos de grife deixaram de ser relevantes e o consumo, de maneira geral, diminuiu muito. Na nossa última viagem ao Brasil, elas sentiram uma grande diferença em relação a isso no comportamento de amigos e parentes de cá e de lá.

A minha opinião pessoal sobre isso: infelizmente no Brasil carecemos de espaços públicos seguros. Ruas e parques não são locais de convivência de crianças e jovens, e os shoppings centers ocuparam esse espaço. Diversão e consumo fazem parte da mesma moeda e uma ida à uma loja de roupas é muito mais um passeio do que uma necessidade, como ocorre aqui. Infelizmente o saldo acaba sendo negativo, com o consumismo se acirrando desde a mais tenra infância.

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  1. Trabalho doméstico

Sei que a crise econômica brasileira tem mudado muito dos costumes da classe média, acostumada a inúmeros empregados e serviços domésticos. Aqui isso não existe há muitos anos. Somente famílias riquíssimas (e aqui me refiro a um nível sócio econômico de uma família Trump, por exemplo) têm diaristas, motoristas, faxineiras, passadeiras, etc. etc.

Na grande maioria das vezes a mãe trabalha fora, para ajudar no orçamento doméstico e poucas são a que dispões de recursos para custear uma faxineira algumas HORAS por mês! Assim as crianças todas já são educadas e acostumadas a cuidarem de suas próprias coisas. Muitas fazem o seu próprio almoço, lavam sua roupa e ainda ajudam na limpeza. Recebo amigas das minhas filhas em casa e as diferenças são grandes com relação a crianças brasileiras, que sempre cresceram com essas facilidades. Já escrevi sobre isso em um texto aqui, se quiserem saber mais.

Conclusão

A infância americana é muito diferente da brasileira e pode ser um choque muito grande para famílias já acostumadas aos nossos moldes. Responsabilidades e consumo consciente são alguns dos valores positivos. Por outro lado, a vida moldada em regras faz com que se perca muito da espontaneidade da infância. Como tudo na vida há perdas e ganhos e assim seguimos aprendendo!

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11 comentários

rose marie Agosto 23, 2017 at 7:20 pm

Muito interessante o seu texto! Me fez lembrar do texto da Ana, na Áustria. Percebo que em outros países não existe esse consumismo excessivo e os festões de aniversário. Privilegiando os amiguinhos mais próximos. Quem sabe, nós brasileiros que sejamos tão diferentes da maioria? Um ponto para se pensar.

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Gabriela Albuquerque Setembro 11, 2017 at 4:58 am

Essa questão dos aniversários realmente é muito diferente, pelo menos na região que morei. Acho que criar filhos menos consumistas dveria ser uma prioridade em qualquer lugar do mundo! Obrigada 🙂

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Rita Agosto 24, 2017 at 12:26 am

Excelente seu texto. Òtimo para reflexão.

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Gabriela Albuquerque Setembro 11, 2017 at 4:56 am

Obrigada Rita!! 🙂

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Kenia Carla Amaral Agosto 24, 2017 at 7:40 pm

Muito bom o seu texto, fala de alguns temas que acho desnecessários para o dia a dias dos Brasileiros.

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Gabriela Albuquerque Setembro 11, 2017 at 4:56 am

Obrigada Kenia!! Abs 🙂

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Ricardo Agosto 25, 2017 at 11:45 am

Fico feliz que a senhora perceba os efeitos benéficos de criar seus filhos numa sociedade com menos desigualdade. A desigualdade afeta de forma mais intensa às pessoas mais vulneráveis, como as empregadas domésticas ou aquelas que cozinham no buffet infantil, mas o texto não é sobre elas. É sobre como a desigualdade continua a afetar também crianças abastadas criando pessoas mais injustas que não conseguem enxergar a quem exploram para manter seu padrão de vida.

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Gabriela Albuquerque Setembro 11, 2017 at 4:55 am

Pois é, as diferenças sociais no Brasil são realmente assustadoras. Mas, infelizmente elas existem aqui também, ainda que um pouco mais amenas. Obrigada por participar!

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Priscila Agosto 28, 2017 at 3:58 pm

Eu apenas criei as minhas nos Eua mais me lembro bem da minha infância num grande centro econômico (SP) e achei os pontos muito corretos.
Porem é ainda uma visão incompleta, pois as suas crianças sao muito novas……Eu acredito tambem que a inocência das crianças aqui é mantida por muito mais tempo, mais por consequência a imaturidade provoca um certo perigo para os adolescentes americanos, e muitos problemas se acarretam por conta disso….. enfim, mais mil pontos para se levantar!!! Mais amei o artigo…. parabéns

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Gabriela Albuquerque Setembro 11, 2017 at 4:54 am

Obrigada Priscila! É sempre muito gratificante qdo os leitores participam colocando suas experiências, continue nos acompanhando ;). Abs.

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Será que a infância é respeitada nos EUA? Setembro 7, 2018 at 12:42 pm

[…] Leia aqui: Diferenças sobre a Infância Brasil e EUA […]

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