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O nascimento de uma mãe na Dinamarca

Quando uma mulher entra em trabalho de parto, não é só um bebê que nasce: com ele, nasce uma mãe.

Ser mãe não é tarefa fácil em lugar nenhum do mundo. Entretanto, alguns países ajudam fornecendo informação, assistência adequada para a gestante, cuidado para os novos pais e, principalmente, respeito na hora do parto.

A Dinamarca é o quarto melhor país do mundo para se ser mãe, segundo o relatório divulgado pela Save the Children em maio do ano passado, ficando atrás apenas da Noruega, Finlândia e Islândia. Os países nórdicos em geral estão sempre no topo dessas listas, mas por que será?

Vou deixar para vocês concluírem, enquanto compartilho a minha experiência de gravidez e parto na Dinamarca.

O início

Engravidou? A primeira coisa a fazer é ligar para o médico da família e agendar uma consulta. Caso decida prosseguir com a gravidez, o pré-natal começa aí.

O pré-natal daqui difere do praticado no Brasil em alguns aspectos. Para começar, a gestante não vai ver um obstetra desde o início. Ela terá consultas com seu médico de família e consultas com a enfermeira obstétrica, a jordemoder. As consultas se dividem assim:

  • Primeira consulta com o médico de família – para constatação da gravidez por exame físico, geralmente ocorre entre as semanas 6 e 9 de gravidez. O médico coleta amostras de sangue para análise de diagnóstico de formação fetal e a grávida responde a um questionário de anamnese.
  • Nakkefoldscanning ou ultrassom de translucência nucal – nesse exame verifica-se a condição do feto em relação a malformações fetais e possíveis doenças, como síndrome de Down. O exame ocorre entre as semanas 10 e 14. Junto com esse exame pode ser oferecida a amniocentese, onde é retirada uma amostra do líquido amniótico para detectar possíveis defeitos congênitos e doenças hereditárias. Esse último normalmente só é feito quando a translucência nucal indica Down, e é recomendado sobretudo para grávidas acima de 35 anos.
  • Primeira consulta com a jordemoder – geralmente ocorre entre as semanas 13 e 18. A grávida responde a outro questionário de anamnese e recebe as primeiras informações sobre as transformações que ocorrerão em seu corpo ao longo da gravidez.
  • Ultrassom geral – serve para verificar o estado geral do feto e andamento da gravidez e ocorre entre as semanas 16 e 19. Nesse exame é possível tentar ver o sexo do bebê. Em uma gravidez normal, este é o último ultrassom a que a grávida tem direito pela rede pública de saúde. Em ambos ultrassons, tanto no primeiro quanto no último, você pode levar pra casa a impressão da tela, custa 25 coroas. Caso deseje mais ultrassons para acompanhamento, deve-se procurar uma clínica particular e pagar de 500 a cerca de 1500 coroas por ultrassom, dependendo do tipo que escolher.
  • Nova consulta com o médico da família por volta da semana 24.
  • Consulta com a jordemoder nas semanas 28 e 35.
  • Última consulta com o médico da família na semana 35.
  • Consulta com a jordemoder nas semanas 38 e 40 e eventualmente, na semana 41.

Nas consultas com a jordemoder a grávida é examinada e recebe informações diversas a respeito do que está acontecendo com seu corpo por conta da gravidez. Em caso de qualquer problema durante a gestação, ela deve telefonar para a jordemoder a fim de obter orientação ou socorro.

Algumas municipalidades da região Midtjylland oferecem para as novas famílias um curso preparatório totalmente gratuito, chamado Familie med hjerte (família com coração), começando no pré-natal e indo até o bebê completar um ano. Nesse curso, que aborda a vida em família desde a gestação ao pós-parto, as mães e pais de primeira viagem recebem diversas orientações e informações para se preparar para o primeiro ano com o bebê. Os grupos são formados de acordo com as datas previstas de parto e podem incluir até 10 casais. Meu marido e eu estamos participando e tem sido bastante proveitoso para nós. Nas reuniões se fala de tudo um pouco, inclusive da parte emocional de ser mãe e pai pela primeira vez e de como a relação do casal pode ser impactada pela chegada de uma criança; vemos vídeos, fazemos dinâmicas de grupo e respondemos a pesquisas de satisfação sobre a aula do dia em todos os encontros. Para os homens é uma chance de aprender sobre o funcionamento do corpo feminino, as mudanças que ocorrem na gravidez e as reações emocionais e físicas na gestação; também são orientados a como acompanhar e ajudar durante o trabalho de parto, servindo de apoio para a mulher nesse momento tão especial. Além disso, a gente visitou uma sala de parto e participou de uma simulação de parto real como parte da preparação para o grande dia.

A preferência é pelo parto normal, preferencialmente natural. Todo o acompanhamento pré-natal e o curso preparatório são embasados na probabilidade de um parto normal. As cesarianas ficam para casos extremos.

Minha experiência

Com dois resultados positivos do teste de farmácia, ligamos para o nosso médico de família e agendamos uma consulta, onde foi feito mais um teste para confirmar a gravidez e começamos o pré-natal.

Durante o pré-natal, seguimos as recomendações dadas pela equipe de enfermeiras obstétricas e pelo nosso médico. Como eu pertencia a um grupo de risco por conta de três fatores, o meu médico solicitou exames para medir a glicose no sangue; na segunda consulta/exame foi constatado diabetes gestacional, que consegui controlar com dieta da semana 32 (diagnóstico oficial) até a semana 35; a partir daí passei com especialistas que introduziram tratamento com insulina caso o nível de açúcar estivesse acima do recomendado. Por conta dessa complicação, tive um atendimento especial, consultando especialistas regularmente e fazendo ultrassons uma vez por semana para acompanhar o desenvolvimento da bebê.

Normalmente a grávida indica o hospital onde deseja parir, dentro da região de sua municipalidade. No meu caso, eu deveria parir na cidade onde moro, porém por conta das complicações que tive, fui encaminhada para outro hospital com mais recursos e a meia hora de carro de onde eu moro. Conforme as complicações evoluíram, queriam me mandar para ainda mais longe, pois havia risco de algo dar errado no parto caso o nível de glicose no meu sangue estivesse muito alto e eles queriam oferecer um hospital com mais condições para lidar com uma emergência. Eu consegui manter o parto no hospital onde já estava sendo atendida, depois de muita conversa (e lágrimas) com os médicos.

Nas duas últimas semanas antes do termo a minha bebê começou a ganhar muito peso. Os médicos ficaram receosos e o controle passou a ser mais intenso, com a médica obstetra e a especialista em diabetes telefonando para checar meu estado a cada dois dias. Na consulta da semana 39 eu perguntei para a médica se ela poderia recomendar a indução do meu parto. Indução é quando o parto é provocado através de hormônio administrado via oral ou venosa. A indução do parto a termo (no dia em que completei 40 semanas) começou com dois comprimidos, porém as contrações não evoluíam. Por conta disso, no dia seguinte fomos de novo para o hospital.

Chegamos e nos instalaram na sala de parto com cama hospitalar, banheira, aparelho de som, banheiro e poltronas. Pode-se trazer CDs de casa para tocar durante o trabalho de parto. Enquanto esperávamos pelas enfermeiras obstétricas eu aproveitei pra praticar ioga. As enfermeiras chegaram e esperaram que eu terminasse. Em seguida me deram uma camisa e um short, como uma cueca boxer, que eu deveria usar durante o trabalho de parto. Também me deram um absorvente do tamanho de uma fralda. Eu me deitei na posição ginecológica e uma das enfermeiras estourou a minha bolsa, enquanto a outra administrou ocitocina intravenosa. A partir daí, as contrações começaram e a dilatação foi aumentando. Oferece-se a opção de parto na água, que no meu caso não foi possível devido ao diabetes.

Minutos após o parto. Foto: arquivo pessoal
Minutos após o parto. Foto: arquivo pessoal

Pode-se optar pelo parto sem anestesia, alívio da dor com métodos mais naturais, como acupuntura, ou anestesia epidural. Depois de algumas horas, pedi acupuntura, mas como não funcionou, pedi a epidural. O tempo todo estive acompanhada pela jordemoder, uma estudante e o meu marido.

Nossa filha nasceu ao som de bossa nova depois de nove horas da bolsa rompida. O parto foi natural e apesar de estar muito cansada, consegui arranjar forças pra empurrá-la pra fora e evitar o vácuo extrator. Minha bebê saiu diretamente de dentro do meu útero para o meu peito e mamou por 40 minutos! Eu tomei apenas dois pontos, devido a uma laceração pequena e sem importância, e a jordemoder nos mostrou a placenta, íntegra. Após a mamada, a bebê foi limpa, pesada e medida, e os dados foram anotados numa lousa na sala de parto e também num cartão que recebemos com as informações do parto. Depois disso as enfermeiras e médica saíram e nossa pequena família pôde passar um tempo a sós, nós três. Em nenhum momento a nossa filha foi levada para outra sala ou ficou longe da nossa vista, e o tempo todo do trabalho de parto as enfermeiras conversavam comigo e me animavam. O meu parto foi uma experiência única e muito bonita.

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29 comentários

Michelle Bastos Maio 12, 2016 at 9:52 pm

Que momento bonito, Cristiane! Quem dera fosse assim por toda parte.

Resposta
Cristiane Leme Maio 13, 2016 at 8:56 am

Uma pessoa que conheço aqui na Dinamarca comentou na fanpage que ela teve uma experiência ruim nos partos aqui no país. Como eu disse pra ela, não há receita de bolo pra vida. Minha experiência foi bonita e muito especial pra mim. Eu me preparei bastante para o parto, li tudo o que podia, aproveitei tudo o que me foi oferecido, pesquisei, deixei o corpo trabalhar no que a mente não podia. O meu desejo é que toda mãe de primeira viagem seja curiosa, investigativa e que aproveite para se autoconhecer nesse processo tão lindo que é uma gravidez.
Obrigada por comentar. Um beijo!

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Mariza Maio 17, 2016 at 4:26 am

Tmb tive 4 filhos aqui na Dinamarca e todos minhas gestações e partos foram maravilhosos. Todos foram naturais e depiis de 2 horas já estava em casa..

Resposta
Cristiane Leme Maio 22, 2016 at 6:53 pm

Que bom, Mariza. Uma coisa que não tive como escrever no texto foi que quando a gente tem o primeiro filho, tem direito a ficar até 5 dias no hospital, onde eles ensinam todos os primeiros cuidados com o bebê e onde o pai também pode ficar junto, pagando uma diária, como num hotel. É só a partir do segundo filho que eles mandam a gente pra casa algumas horas após o parto, quando não há complicações. Obrigada por comentar!

Resposta
Aline Arruda Maio 13, 2016 at 8:33 am

Cris, que lindeza sua história… e pensar que acompanhamos pelo chat!!
Parabéns, a Isabela esta cada dia mais linda. Adorei o post, muito legal comparar como é aqui.
Beijos

Resposta
Cristiane Leme Maio 13, 2016 at 8:53 am

Obrigada! Um beijo

Resposta
Marilia Maciel Maio 13, 2016 at 4:03 pm

Muito legal o texto! Eu tive 2 filhos e 2 no Brasil. Tratamentos diferentes, mas também nao posso reclamar dos meus partos no Brasil. A diferenca pra mim foi ter 2 ou 3 jordmødre diferentes em cada gestacao e na hora parto uma outra compeltamente diferente. No Brasil tive meu médico que me acompanhava desde crianca e isso me deu muita seguranca. No meu caso, foi bom, pois gosto de ouvir conselhos e opinioes diferentes. Nos 4 partos, todas as pessoas envolvidas eram bem informadas e me senti segura. Realmente no Brasil eles levaram meu o bebê para outro lugar/quarto. Isso pode fazer com que a mae se preocupe com a situacao do bêbe.

Resposta
Cristiane Leme Maio 13, 2016 at 8:45 pm

Obrigada por ler e comentar! Que ótimo saber que em todos os partos deu tudo certo, tanto aqui quanto no Brasil 🙂

Resposta
Flavia Rego Freitas Julho 10, 2016 at 7:20 pm

Olá Cristiane! Que linda experiência! Em agosto estarei me mudando para Dinamarca com o meu marido. Ele fará Pos Doc na DTU, ficaremos 1 ano. Eu tenho um filho de 16 anos e também sou pedagoga. Adoro crianças e principalmente dos cuidados básicos, dar banho, alimentar, fiz shatala no meu filho durante toda a sua infância. Será que consigo trabalhar com crianças pequenas nesse período que estiver aí? Existe o trabalho de babysitter? Bjos, Flávia

Resposta
Cristiane Leme Julho 11, 2016 at 9:17 am

Flavia, conforme conversamos pelo Facebook o trabalho de babysitter existe mas você tem de ter o curso de pedagoga reconhecido na Dinamarca e na maioria dos casos, é preciso saber falar dinamarquês. Para trabalhadores autônomos é preciso se registrar junto ao SKAT. Porém, ainda conforme a nossa conversa eu recomendo que verifique a possibilidade de trabalho com o seu visto, já que acompanhantes de estudantes não adquirem direito a trabalhar no país.
Boa sorte e continue nos acompanhando para saber mais sobre a Dinamarca 🙂

Resposta
Bruna Julho 25, 2016 at 6:14 pm

Olá Cristiane! Vou para a Dinamarca a trabalho em outubro de 2016 e vou levar a minha bebê de dez meses. Estou preocupada com as refeições dela, pois aqui ela come legumes, com arroz e feijão e não consegue comer sem feijão, a não ser quando é papinha de legumes com carne ou frango. O que você recomendaria em relação a alimentação dela? Os restaurantes vendem legumes cozidinhos no vapor? Tem opções de sopinhas ou seria melhor mesmo ir a um mercado e cozinhar no hotel? E as frutas? Tem variedade de frutas? Muito obrigada!

Resposta
Cristiane Leme Julho 25, 2016 at 9:44 pm

Oi Bruna. Obrigada por ler e comentar. A minha bebê tem quase 8 meses, agora, e por aqui a introdução alimentar começa a partir dos 4 meses com papinhas de farinha de arroz e de trigo sarraceno. Há muitas boas opções de papinhas industrializadas em pó e em potinhos, todas de excelente qualidade, importadas da Suécia e Alemanha. Tenho sempre alguns potinhos dessas papinhas para emergências, quando precisamos sair e ter uma comidinha rápida; de manhã minha filha se alimenta com papinha de fibras (mingau de aveia ou um mingau feito com pão de centeio, chamado øllebrød, que se encontra o preparado em caixinha ou se faz em casa, mesmo). Os potinhos oferecem opções variadas: tem purê de legumes, cuscuz com legumes e carne, lasanha, frango com arroz e curry, purê de frutas, compota de legumes etc. Outra opção são smoothies de frutas e legumes para bebês a partir de 6 meses, baratinhos, super práticos e fáceis de carregar na bolsa pra um lanchinho da tarde. Os médicos e parteiras daqui recomendam uma alimentação equilibrada e variada para bebês. Eu tento seguir essa recomendação e minha filha já experimentou muita coisa e se alimenta de frutas, legumes, carnes e peixes variados – ela come de tudo e adora provar novos sabores. Não cozinho feijão com frequência e ela ainda não experimentou, mas é fácil encontrar feijão e arroz nos supermercados e lojinhas étnicas daqui.

Agora no fim do mês será publicado um texto meu sobre como encontrar produtos na Dinamarca, onde dou traduções de vários itens e dicas sobre onde comprar. Por aqui se vende feijão de vários tipos – tem carioca, vermelho, fradinho, preto, fava, branco, verde, enlatado e seco. Se você for comprar feijão seco (o carioca só tem seco), sugiro que a primeira coisa que compre seja uma panela de pressão. Não traga daí pois as daqui são melhores e mais seguras que as do Brasil.

Cenoura, vagem e batata cozida são itens presentes em praticamente todos os restaurantes daqui, porém comer em restaurante é absurdamente caro. Recomendo comprar os legumes e fazer as papinhas em casa ou comprar as prontas, que além de práticas têm bom preço e são tão boas e gostosas quanto as feitas em casa. Se optar por cozinhar você mesma, nos supermercados você acha uns potinhos pra dividir as papinhas feitas em casa em porções individuais e congelar. Eu particularmente prefiro fazer as papinhas e servir na hora mas tenho várias amigas e conhecidas que fazem e congelam, sem problema nenhum.
Sobre frutas, até tem uma certa variedade mas elas não são doces como no Brasil, pois a maioria é importada. Dá para achar mamão, abacaxi, melão, laranja, mexerica/tangerina/bergamota, melancia, pera, maçã, uva, limão taiti e siciliano, manga, kiwi, ameixa, nectarina, banana, maracujá roxo e frutas silvestres, que são o forte daqui: morango, amora, groselha, framboesa, mirtilo e cereja. Eu prefiro apostar em frutas silvestres e nas locais como maçã e pera, que com essas não tem erro de passar o ponto ou de não amadurecer. As bananas costumam ser boas, também. Minha filha adora melão, melancia e morango! Também é hábito daqui as mães carregarem pepino e cenoura cortados em bastonetes como lanchinho pros bebês que já tenham dentinhos. Pão de centeio (rugbrød) com queijo cremoso também é um lanchinho fácil de carregar e bem nutritivo.

Espero ter ajudado.
Seja bem-vinda e continue acompanhando o BPM para saber mais sobre a Dinamarca 🙂

Resposta
Bruna Medeiros Julho 27, 2016 at 12:06 am

Ai muito obrigada!! Você me ajudou muito!! Já li o blog em outras viagens, mas agora com minha bebê tudo é muito novo e diferente. Ela adora pão! Vai adorar esse lanchinho! Eu gosto muito desses assuntos da maternidade também. Adorei seu texto sobre a sua experiência de parto! Parabéns pelo seu carinho com os leitores!

Resposta
Cristiane Leme Julho 27, 2016 at 12:20 am

Eu é que agradeço!

Resposta
Renata Agosto 3, 2016 at 5:29 am

Boa noite, gostei do texto e Que linda história,parabéns Cristiane! Felicidades para vc e sua familia <3

Li atentamente o seu texto e fiquei com uma dúvida, Entendi que a preferência é pelo parto normal, preferencialmente natural e que as cesarianas ficam para casos extremos.

Então isso quer dizer que a mulher NÃO TEM A LIBERDADE DE ESCOLHA?

A mulher se estiver saúdavel não pode OPTAR PELO PARTO CESARIO?

Como no BRASIL QUE A MULHER ESCOLHE?

Li em alguns textos que na Austrália na rede pública de saúde ,não é possivel fazer um parto cesario se a mulher estiver bem, só em casos extremos. Mas na rede particular (PLANO DE SAÚDE) eles fazem sim o parto cesario de acordo com a escolha da mulher.

Na Dinamarca pelo PLANO DE SAÚDE TBM FAZ? ou jamais mesmo?

Já me informei sobre partos e decidi ser assim,entende?

Pois se infelizmente não puder, terei que vim ao Brasil e fazer meu parto cesario, Só gostaria de saber de uma coisa: Se meu filho mesmo assim teria a nacionalidade do pai ,vc sabe dizer?

Ou pra ter a nacionalidade do pai,tem que nascer na Dinamarca?

E eu gostaria de ter meu parto cesario ,mesmo eu estando bem, eu sou a favor da LIBERDADE DE ESCOLHA DA MULHER E QUE ELA SEJA SÁBIA E VEJA O QUE É MELHOR PRA ELA E PRO BB. E pra mim seria ótimo tbm está proximo da minha mãe ,se for para fazer o parto no Brasil.

Já agradeço pela sua resposta, és uma pessoa muito querida e escreve muito bem. Bjs de luz

Resposta
Cristiane Leme Agosto 3, 2016 at 11:35 pm

Olá de novo, pessoa misteriosa, rs.
Agradeço imensamente pelos votos de felicidade para minha família. Desejo-lhe em dobro o que me desejar.

Desculpe a minha petulância; sou defensora passional do parto natural é difícil para mim entender que uma pessoa esclarecida e bem informada, em pleno século 21, diga que ‘escolheu’ ter um filho através de cesariana. Ora, a cesariana é um procedimento invasivo – é uma cirurgia – e se mal executada, pode deixar consequências fatais para o resto da vida. Além disso, o trabalho de parto é o mesmo para a mulher, tenha o filho de parto normal ou de cesariana, com a única diferença de que no parto natural, o bebê será expelido através das contrações pelo canal vaginal, enquanto que na cesariana é preciso abrir a pessoa e remover os órgãos para se chegar ao útero, abri-lo e de lá tirar a criança.

Nenhuma mulher é menos mãe por ter parido de cesariana, porém é preciso acabar com esses mitos sobre o parto normal que tanto amedrontam as mulheres a ponto de desejarem ter seu ventre aberto e órgãos removidos para que uma criança saia de seu útero, quando o mais lindo e mais natural método dado pela natureza para o corpo feminino é o ato de parir. O parto é um dos momentos mais gloriosos, dramáticos, intensos e extasiantes que uma mulher pode experimentar.

A minha experiência me diz que a grande maioria das mulheres que diz ter optado por cesariana o faz ou por medo, ou por desconhecimento. Aliás, o desconhecimento é o pai do medo; eles sempre andam de mãos dadas. No Brasil criou-se uma cultura de desrespeito à mulher na assistência ao parto natural, sobretudo na rede pública de saúde, e entendo que muitas mulheres temam o parto natural por conta do despreparo de profissionais para auxiliá-la nesse momento tão sensível; com isso, a indústria da cesariana, sobretudo nos hospitais privados, ganhou corpo e milhares de adeptos, já que o fato de ter uma data certa para parir é visto como sinônimo de respeito e cuidado. Atenção. O Brasil é um dos países com o maior índice de partos por cesarianas do mundo: impressionantes 52% na rede pública e absurdos 84,6% na rede privada, sendo que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 15%. É por isso que os países considerados os melhores do mundo para se ter filhos investem no parto natural – porque é natural, ora! Nesses países, incluindo a Dinamarca, os medos das mulheres são tratados com respeito e informação. Os profissionais envolvidos no pré-natal e na hora do parto são responsáveis e treinados para ter empatia e respeito. Uma mulher parindo pode gritar e espernear numa sala de parto dinamarquesa e, mesmo assim, ninguém vai amarrá-la, mandá-la se calar, fazer piadinhas com a vida dela ou a situação de dor pela qual está passando. Ao contrário: as profissionais parteiras farão de tudo para assegurar o conforto, na maioria dos casos. Por isso é que por aqui o parto de cesariana é deixado para casos de extrema necessidade, onde há risco de morte para a mulher ou para o bebê, e é assim que tem de ser, penso eu. ‘Optar’ pela cesariana está longe de ser uma escolha sábia. Obviamente que nas redes particulares a mulher pode bater o pé e exigir uma cesariana: elas custam uma fortuna! Pagando, pode-se tudo ou quase tudo nesse mundo, infelizmente.

Sobre liberdade de escolha, eu poderia discorrer por horas a respeito do conceito de liberdade, tão utópico quanto o próprio nome evoca, mas não sinto que seja lugar para isso. A única coisa que posso dizer é que não somos, de fato, livres. Somos influenciados pelo meio que nos cerca e isso nos torna pendentes para um lado, para outro, para ambos, para nenhum…

Na Dinamarca é possível ter acompanhamento do pai do bebê e um parente próximo, que pode ser a mãe da parturiente, por exemplo.

Você sabia que os médicos ganham mais dinheiro, tanto na rede pública quanto na privada, quando recomendam uma mulher para a cesariana? E sabia que o corpo da mulher demora em média de dois a três meses para se recuperar totalmente depois de um parto por cesariana, ao passo que no parto normal, a recuperação é praticamente imediata por se tratar de um método natural, para o qual o corpo está preparado?

Resposta
Renata Agosto 4, 2016 at 12:27 pm

Olá Cristiane eu que tenho que agradecê-la por ter respondido tão educadamente e abertamente essa minha questão, que apesar de discordar de mim,expoe respeito em sua resposta e claro: Sabedoria.

Algumas dessas questões já sabia, enquanto outras não e acho admiravel em paises mais desenvolvidos esse cuidado com a mulher,coisa que no Brasil não existe e é preciso mudar muitas coisas. Você fez a escolha certa em resolver morar em um país desenvolvido .

Confesso que é um medo que tenho e sempre tive,mas agora irei repensar melhor sobre o assunto e meu parto. Preciso mudar muita coisa.

Mais uma vez,obrigada por tudo! boa semana,beijos 🙂

Resposta
Mariana Junho 2, 2017 at 2:59 am

Olá, Cristiane. Li o comentário de uma leitora sobre comidas e você disse que é possível achar maracujá e tantas outras frutas. Seu que mora em Jutlândia, mesma área do meu namorado então provavelmente sabe onde posso encontrar essas frutas. Ele mora em Bjerringbro, em Viborg. Volto pra lá em Julho e gostaria de saber onde posso encontrar feijão e maracujá. Estava pensando em levar do Brasil, inclusive levar uma panela de pressão porque dinamarqueses nunca usam panela de pressão e nem sabem usar. haha Em dezembro sofri muito na Dinamarca porque queria comer feijão e não encontrei nem panela e nem feijão. Só encontrei o enlatado que por sinal é HORRÍVEL e tem gosto de plástico. Gostaria de saber onde encontro lojas com produtos desse tipo porque não quero mais sofrer comendo sempre batata. Abracos.

Resposta
Cristiane Leme Junho 3, 2017 at 10:20 pm

Mariana, eu escrevi um texto inteiro falando sobre como e onde encontrar produtos em dinamarquês, era só dar uma fuçadinha: http://www.brasileiraspelomundo.com/dinamarca-procurando-produtos-em-dinamarques-431837592

Panela de pressão se chama trykkoger, eu tenho 2 compradas aqui, uma de 3 e outra de 6 litros. Elas custam caro e os dinamarqueses são menos acostumados a cozinhar na pressão, por isso as panelas são menos populares aqui que no Brasil. Não recomendo trazer panela de pressão do Brasil, pois as daqui costumam ser mais seguras e eu considero a compra um investimento, sobretudo se vier morar definitivamente na Dinamarca em algum momento. Dá pra comprar a panela online em sites como o Wupti, Bilka, ou em lojas especializadas. Veja aqui uma em conta: http://www.alstrom.dk/product/trykkoger-6-l-7985/?gclid=CO_e-ffZotQCFQyUsgodKLIENQ

Feijão tem em qualquer supermercado grande como Bilka ou Netto e maracujá também dá pra encontrar no Bilka ou em lojas étnicas espalhadas pelo país. Em Viborg tem Bilka. O feijão carioquinha do Brasil por aqui se chama pinto bønner. Se for cozinhar feijão sem panela de pressão, lembre-se de deixar de molho por 12 horas em água com uma colher de bicarbonato de sódio (natron). O bicarbonato neutraliza as enzimas causadoras de gases presentes no feijão, além de ajudar a amolecer pra cozinhar mais rápido. É preciso trocar a água a cada 4 horas.

Espero que o artigo citado ajude você a procurar e encontrar os produtos que precisa!
Abraços

Resposta
Joana M Fevereiro 4, 2018 at 10:06 am

Oi, queria perguntar, ao ter filhos na dinamarca teve algumas ajudas em subsidios? Pode ajudar-me? Nao encontro nada na internet sobre ajudas pos parto

Resposta
Cristiane Leme Fevereiro 6, 2018 at 6:33 pm

Olá. Tudo vai depender de se você está aqui com visto ou sem, entre outros critérios. Com visto e preenchendo os requisitos básicos é possível receber um subsídio que se chama børnepenge, pago a cada trimestre de acordo com a idade da criança, pago somente para os 2 primeiros filhos, no caso de o casal ter mais de dois, e garantido até que ela complete 18 anos. Essa ajuda de custo só é paga para quem tem residência fixa na Dinamarca e no caso de um dos responsáveis pela criança pagar impostos no país. As informações e regras para o benefício estão todas aqui: https://www.borger.dk/familie-og-boern/Familieydelser-oversigt/Boerne-ungeydelse . Caso não saiba ler dinamarquês, peça ajuda para o Google Translate 🙂

Resposta
Maria E. de C. Leal Março 27, 2018 at 6:36 am

Olá Cristiane,
Parabéns pelo texto e pela sua experiência. Fiquei curiosa sobre um ponto. Você teve anestesia até o final do parto? Durante o expulsivo também?
Abraços

Resposta
Cristiane Leme Abril 1, 2018 at 12:07 pm

Oi Maria, obrigada por ler e comentar.

O anestesista aplicou uma epidural, mas não fiquei com cateter administrando a dose. Senti uma paralisação no lado esquerdo do corpo, principalmente na perna, logo após a administração. Achei que ia conseguir o parto natural mas depois de 6 horas de contrações e já na semana 40 eu estava cansada e tensa, e mesmo com administração de oxitocina e parto induzido (a bolsa foi estourada pela parteira) a dilatação estava lenta. Depois de tentar acupuntura, pedi a epidural e relaxei, conseguindo dilatar o que precisava. A vantagem é que o alívio é imediato e embora você continue sentindo dores, elas se tornam mais suportáveis. A dose que recebi foi pequena, porém suficiente para aliviar a minha tensão. O melhor é conversar com a parteira ou médico sobre os métodos de administração disponíveis e possíveis no seu caso e combinar quando deverá ser administrada uma possível anestesia.

A desvantagem desse tipo de anestesia é que muitas mulheres perdem o controle na hora do expulsivo, quando precisam fazer força, e pode ser preciso usar uma ventosa para ajudar a ‘puxar’ o bebê. Eu felizmente consegui reunir todas as minhas forças para empurrar no expulsivo e minha filha veio naturalmente, sem precisar de instrumentos auxiliares.

Depois do parto eu senti uma leve pressão constante no local da anestesia, e essa sensação durou bem uns 3-4 meses.
O que me ajudou bastante foi controlar a respiração com exercícios de ioga (pranayama), tanto na hora da aplicação da anestesia quanto na hora do expulsivo.

Abraços

Resposta
Pamella Junho 7, 2019 at 1:53 am

Ola cris , eu estoy grávida e tou pensando ir visitar dinamarca no meu 6 mes para poder dar o parto la , e poder obter a residencia e que meu Filho tenha mais oportunidades , espero que me Fale sobre ese assunto e como posso fazer Isso , e se for posivel fazer isso tranquilo la , att

Resposta
Cristiane Leme Junho 18, 2019 at 5:29 pm

Olá.
Desculpe mas eu entendi certo que você pretende vir para a Dinamarca para parir e tentar conseguir ficar no país devido à criança ter nascido aqui?
Nascer na Dinamarca não dá direito à cidadania, salvo nos casos previstos por lei. Falei a respeito no texto sobre regras pra morar na Dinamarca. Parir na Dinamarca não te dá automaticamente direito de morar no país. Pra falar a verdade eu não sei se você vindo como turista teria direito a um parto gratuito aqui.

Leia os textos falando sobre como conseguir o visto pra morar na Dinamarca. Eu escrevi dois e outras colegas que moram aqui escrevam outros.
Sem querer desanimar ninguém, a Dinamarca se tornou um dos países mais fechados para a imigração. As regras são rígidas e há muitos requisitos a cumprir antes de se poder obter o direito a pedir residência permanente.

Para esse seu plano talvez seja melhor consultar as regras de países mais flexíveis.

Boa sorte.

Resposta
Girlene Setembro 8, 2019 at 9:47 am

Cris, Estou grávida, e voltei da Dinamarca para o Brasil.
Eu apenas vou para a Dinamarca visitar meu namorado três vezes por ano.
Gostaria de saber sobre as leis nesse caso eu estando grávida devo retornar ao para iniciar o pré natal?

Resposta
Cristiane Leme Setembro 9, 2019 at 8:43 pm

Não entendi a sua situação, nem a sua dúvida.
Se você não é casada com dinamarquês e não tem visto pra morar no país provavelmente deve continuar com o pré-natal no Brasil, mas a partir do sétimo mês de gravidez se não me engano é recomendado evitar viagens transcontinentais.

Saúde, amor, bom parto e excelente puerpério é o que eu desejo 😊

Resposta
Girlene Setembro 7, 2019 at 7:50 pm

Por favor me tire a dúvida, ao passar as férias com meu namorado da Dinamarca acabei engravidando..
Para que eu possa ficar no país e dar a luz devemos pagar 100 mil ?

Resposta
Cristiane Leme Setembro 12, 2019 at 4:42 pm

Para poder morar na Dinamarca você precisa de ter um visto válido. As 100 mil coroas são uma garantia bancária que a parte dinamarquesa tem de pagar para o governo no caso de aprovação do visto por reunificação familiar. Essa garantia se paga somente depois do visto aprovado. Pra pedir esse tipo de visto é necessário se casar. Tenho textos falando de casamento e de regras pra morar na Dinamarca, assim como procedimentos para obter visto. Dê uma lida.

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