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Dicas para viajar sozinha

Empoderamento feminino no Nepal

Voluntária em um Projeto de Empoderamento Feminino no Nepal

De cócoras na laje de uma das milhares casas do vilarejo de Katmandu, esfrego minhas roupas
sujas antes de torcê-las e pendurá-las no varal para que sequem ao poluído ar desse lugar que só me
tem feito refletir.

Quando cheguei, a única coisa que me perguntava era: o que estou fazendo aqui?

Olhava ao redor e nada me parecia familiar. Desde o desembarque no aeroporto, quando me deparei com
as pessoas me olhando, analisando o que estava vestindo e o quão alta sou, enquanto falavam a língua
local, tive certeza que essa seria uma experiência e tanto.

O que antes passava despercebido, agora me faz sentir grata. Assim, vou aprendendo a dar valor
a tudo, agradecendo o que antes tinha, o que tenho agora e o que voltarei a ter quando voltar para
casa.

Leia também: Nepal: Um amor à segunda vista

Agradeço o banho frio que tomei neste banheiro simples, pois hoje teve água, e nem sempre
tem. Agradeço o arroz com lentilha e vegetais que tem me alimentado, porque a carne, nem sei mais
que gosto tem. Agradeço também o moço que vem pendurado na porta do ônibus empoeirado
informando o destino desse e quando o próximo vem.

O Nepal só tem me confirmado de que não se precisa de muito para ser feliz. Na verdade, me
faz pensar sobre o conceito de muito e de pouco. O que para uns parece pouco, para outros é mais do
que suficiente para ser feliz.

O transito caótico, as ruas de chão batido, casas simples, falta de luz e ter água quente de vez em quando não fazem dos nepaleses um povo triste ou inconformado, daqueles que reclama de tudo. Pelo contrário, as pessoas aqui são alegres, cantam, celebram festivais, rezam para seus deuses e seguem sua rotina como em qualquer outro lugar do mundo.

Só sei que hoje estou onde deveria estar. Para aprender e também para ensinar. Aprender que há lugar para toda e qualquer forma de religião nesse mundo, o importante é crer. Aprender que o ser humano tem a incrível capacidade de se adaptar a toda e qualquer situação e lugar. Quando há determinação e força de vontade, tudo é possível. Porque, na verdade, o que importa mesmo é o que carregamos dentro da gente, nossas experiências, crenças e valores. Bens materiais vêm e vão, mas os ensinamentos e as memórias do que vivemos hoje nos acompanharão para sempre.

Ensinar? Não. Eu diria colaborar. Não estou ensinando ninguém. Estou auxiliando guerreiras, que deixam seus lares por algumas horas do dia em busca da aprendizagem de uma língua totalmente desconhecida para elas, o inglês. Língua essa que vai dar a elas um pouco mais de independência.

É difícil? Sim, é! Mas em momento algum elas se frustram ou pensam em desistir. Isso é empoderamento feminino. Unidas estamos em busca da satisfação pessoal e do bem-estar de todas.

Leia também: Ano sabático: dinheiro investido, não gasto

Na pequena sala de aula coberta por poeira, sem luz e com instalações precárias, estudamos, damos
risadas e fazemos planos. Agora entendi o que vim fazer aqui.

Cheguei uma, e com certeza sairei daqui outra mulher. Há uma multidão em volta. Pessoas, carros, motos, vacas e macacos. Mas o Nepal, no meio de toda essa confusão, trouxe o melhor de mim.

A paz de espírito me faz manter a calma, a autoconfiança me dá coragem. E o que estou vivendo aqui
ficará como lição para o resto de minha vida. Porque agora tudo faz sentido. Nesse país incrível somos
só nos duas, minha mochila e eu, recheadas de novos amigos, experiências e muitas histórias para
contar.

Não deixe com que o medo, as incertezas ou até mesmo a opinião dos outros adiem o seu voo.
Nós, mulheres, temos asas e elas são lindas e grandes, capazes de voar para onde quer que tivermos
vontade. Seja aqui no Nepal, Índia, África ou pelo interior do Brasil. Voe, arrisque-se. Siga seu coração. O
mundo dará respostas a todas, ou quase todas, suas perguntas. E haverá sempre, em qualquer lugar,
uma de nos lá para te dar apoio e trocar experiências.

Viajamos só, mas temos umas as outras, pois independente de sermos brasileiras, americanas, asiáticas ou africanas, em primeiro lugares somos mulheres. Sexo frágil? Não mais! Viva o empoderamento feminino!

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4 comentários

Larissa Rinaldi Maio 1, 2019 at 6:49 pm

Adorei seu texto e adorei conhecer seu projeto no Instagram.

=)

Resposta
Margarete Pereira Maio 2, 2019 at 10:38 am

Parabéns, pela coragem e determinação!
Te admiro demais.
Muitas noites perdi o sono preocupada contigo, sem ter a noção, da distância e de que lado do mundo tu estavas. Hoje me sinto mais tranquila, ao perceber que estás tendo um aprendizado e se tornando uma pessoa melhor ainda. Tenho muita curiosidade, muitas perguntas a te fazer, mas farei pessoalmente. Nesta simplicidade que te faz refletir em Nepal, Índia, África….. gostaria que pensássemos sobre o real sentido vida vida. Parabéns por tudo! Que Deus te acompanhe sempre, num cantinho de tua mala! Bjs

Resposta
Samuel Rodrigo dos Santos Maio 2, 2019 at 9:04 pm

Poxa, uma mistura de reflexão pela história e muito orgulho de ter convivido contigo por um período de tempo (e espero ter a oportunidade de te encontrar muito mais vezes). Parabéns pela coragem, bravura e todo esse empoderamento que citas no texto. Deus continue te protegendo aonde estiveres e saídas que aqui tu tens um eterno amigo que está sempre na torcida pelo teu sucesso. Bjo carinhoso, Forte Abraço e Deus te Abençoe!!!

Resposta
Karini Severo Maio 5, 2019 at 2:00 pm

Que lindo Fernanda!!! Lindas tuas palavras, teu verdadeiro engajamento e principalmente tua sensibilidade diante de tantas dificuldades. Fico emocionada ao ler tua descrição deste lugar que conhecemos apenas pela cultura tão diferente da nossa, pelas lindas cores e pela culinária exótica.
Fico muito feliz por saber que temos uma patrulhense andando pelo mundo e deixando nossa marca por ande anda.
Parabéns!!!! Fico aqui te acompanhando e torcendo por ti!!! Grande beijo!!! Karini Severo

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