BrasileirasPeloMundo.com
Canadá Toronto Trabalho Voluntário Pelo Mundo

Como encontrar emprego no Canadá

Emprego, Canad[a

Como encontrar emprego no Canadá.

Esse ano, em plena pandemia, passei por um dos meus maiores desafios até o momento aqui no Canadá: arrumar um emprego em tempo integral na minha área de formação.

Como já contei aqui em outros posts, eu estudava design gráfico em Toronto e me formei em abril de 2020, bem no auge da pandemia do Covid-19.

Meu último semestre de aulas foi basicamente dividido entre a criação da minha tese e o meu estágio de design numa ONG de artes.

Teoricamente o estágio (que foi encaminhado pela faculdade) seria um bela abertura de portas para o meu futuro profissional aqui, mas a pandemia jogou água na brincadeira e eu acabei tendo que terminar meu contrato semanas antes, junto com o fechamento temporário da empresa.

E aí veio uma saga que durou 6 meses e me consumiu noites de sono, aumentou meus cabelos brancos e colocou minha ansiedade lá no alto: como conseguir emprego num país onde você nunca trabalhou, não tem muitas conexões profissionais e, ainda por cima, em meio a um caos de desemprego e poucas vagas?

Isso tudo ainda foi mais difícil pois a forma como é feita a busca por empregos aqui é bem diferente do que estamos acostumados no Brasil.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar no Canadá

O canadense valoriza muito a experiência de trabalho no país, não importando muito o quanto você tem de bagagem no seu país de origem e, tirando o meu estágio, eu não tinha nenhuma experiência como designer por aqui.

O currículo canadense também é bem diferente do que eu estava acostumada a fazer. Aqui a gente faz vários currículos, meticulosamente criados para cada vaga que você está se cadastrando.

E com cada currículo deve ir uma carta de apresentação, escrita de forma também personalizada para cada vaga.

Podemos dizer que procurar emprego aqui no Canadá, por si só, já é um emprego em tempo integral, só que não remunerado.

Inicialmente eu mandei muitos currículos que nem tinham respostas. Mas muitos mesmo! Era bem desanimador!

Voluntariado é um ponto positivo

Até que um mês e meio após começar minhas buscas, consegui uma vaga de designer voluntária em uma outra ONG. Não, eu não estava louca por querer trabalhar de graça. É que aqui também valoriza-se demais os trabalhos voluntários e essa é uma excelente forma da gente se aquecer, conhecer gente e construir um portfólio.

O voluntariado seguia bem, mas emprego de verdade que é bom, nada. Resolvi então apostar com mais afinco numa das ferramentas mais valorizadas por aqui: a rede de contatos.

Comecei a fazer buscas por designers no LinkedIn, me registrei no conselho nacional de designers, participei de seminários, workshops etc. Só que tudo isso era virtual, né?

Aumentar uma rede de contatos que já não era muito grande, atrás de uma telinha, não é tarefa fácil. Mas aos poucos fui descobrindo macetes, pessoas importantes e tive ajuda valiosa de amigos que deram dicas.

Comecei a contactar “headhunters” da minha área e a ser mais cara de pau mesmo, indo atrás das pessoas, fazendo conexões entre vagas de emprego que eu via com contatos do próprio LinkedIn, me apresentando com a cara e a coragem…

Como encontrar emprego no Canadá

Consegui algumas entrevistas assim, e a minha autoconfiança foi aumentando bastante. Mas ainda não era o suficiente: estava faltando aquela coisa da vaga certa na hora certa, sabe?

Lembro que numa mesma semana cheguei a fazer 4 entrevistas e nenhuma delas andou para frente. Era uma montanha russa de emoções, uma hora euforia com propostas de entrevistas e outra hora lidando com as negativas.

Até que setembro chegou e consegui entrar em mais uma vaga de voluntariado, em outra ONG. O currículo e o portfólio iam aumentando de tamanho e, no início de outubro, finalmente recebi uma proposta bacana, após uma série de entrevistas.

Fui chamada para ser “Junior Graphic Designer / Marketing Assistant” numa emprega de equipamentos de segurança, trabalhando numa área que junta meu conhecimento do passado com o atual.

Imagem: arquivo pessoal

Trabalhar aqui é bem diferente de trabalhar no Brasil. Mais ainda para mim que estava acostumada com empresas de entretenimento, galera super agitada e ambientes pra lá de animados com horário malucos.

Aqui entro às 8:30 e saio às 5:00. Tenho meia hora de almoço, mas ninguém sai pra almoçar. Cada um leva sua comida, esquenta na cozinha e come na mesa.

Por causa da pandemia, trabalho 3 dias de casa e 2 no escritório, que é quieto, sem som alto ou posters e quadros pelas paredes.

Mas apesar do pessoal bem mais sério, fui muito bem recebida e são todos muito prestativos quando preciso de ajuda.

Leia também: 7 dicas para procurar emprego em Portugal

Aqui dá a hora de ir embora e ninguém fica um minutinho a mais. O que faltou fazer, fica pro outro dia e pronto. As férias não são tão generosas: cargos iniciais costumam ter 10 dias úteis por ano e ponto.

Mas posso tirá-los quando quiser, sem precisar ser tudo juntinho. Cada empresa tem sua regra e na minha posso tirar até meio dia de férias, se quiser. Outra coisa curiosa é que o salário negociado não é por mês e sim por hora ou anual.

Benefícios também dependem da empresa e na minha eu só terei direito após 3 meses de emprego. Aqui benefícios costumam ser coisas como plano de saúde extra, previdência privada, seguro… Não existe vale refeição ou transporte.

São muitas diferenças, muita novidade. Algumas coisas são bem bacanas e outras nem tanto, mas fazem parte do pacote de mudar de país e recomeçar.

O que importa é que eu venci mais esse desafio e que de agora em diante as próximas buscas por emprego tendem a ser mais tranquilas por eu já ter a tal experiência canadense.

Foram 6 meses de buscas sem parar, muitas frustrações, mas também muito aprendizado. E se eu tiver que dar uma dica a quem  vai procurar emprego aqui no Canadá pela primeira vez é: estude como as coisas funcionam, fale com as pessoas, peça ajuda pra fazer seu currículo e não desista.

O sonho às vezes demora, mas uma hora ele se realiza!

Related posts

Trabalho voluntário no Vietnã

Vanessa Tenório

Como o trabalho voluntário mudou a minha vida

Carolina Monzi

Minhas impressões sobre estudar inglês em Toronto

Grasiela Martins Vicentini

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site ou suas ferramentas de terceiros usam cookies Aceitar Consulte Mais Informação