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Entrevista com empreendedores brasileiros em Nova Iorque

Se há uma coisa de que os brasileiros sentem falta quando estão fora do Brasil é da culinária típica brasileira. Churrasco, arroz e feijão, coxinha, brigadeiro, hmmmmm …. deu até fome. rs.

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Imagine um piquenique com comidas brasileiras no Central Park, em Nova Iorque?! Não é sonho não, é a mais pura realidade! (Fonte: Debora L Juneck)

Felizmente em Nova Iorque há mercados, restaurantes, cafés e até um serviço de entrega de salgadinhos brasileiros que nos ajudam a matar as saudades do sabor “de casa”. E para entender melhor como “um sonho se torna realidade”, entrevistei dois empreendedores brasileiros de sucesso na cidade.

A empresa GOURMET FIT foi criada a partir da idéia de facilitar e deixar a vida das pessoas mais saudável. Entrega de pratos light, prontos para você não cair em tentação no meio de uma rotina agitada em Nova Iorque. No início, a empresa trabalhava somente com o sistema de entregas por encomenda, mas agora também podemos contar com uma loja física; um restaurante localizado no Brooklyn. O cardápio conta com pratos típicos brasileiros como, por exemplo, arroz e feijão  e moqueca de peixe, todos deliciosos, porém com menos calorias. Comandado por um casal muito bacana, o Léo e a Rafa, já é sem dúvida o queridinho de quem quer comer bem, gostoso e saudável.

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Léo e Rafa, donos do Gourmet Fit. (Fonte: Gourmet Fit)

BPM: Há quanto tempo vive fora do Brasil?

Léo: Sou carioca e cheguei a Nova Iorque na noite de Natal do ano 2000, sem falar inglês e fiz alguns trabalhos de pintura em construção. Meu primeiro trabalho de verdade foi como lavador de pratos em um restaurante brasileiro em Manhattan.

Conciliando trabalho e estudo chegava a ficar acordado por até 18 horas diárias, mas fui aprendendo inglês e a cozinhar ao mesmo tempo. Em menos de seis meses no restaurante, já estava trabalhando como encarregado da cozinha. Foi quando percebi que estava fazendo algo de que realmente gostava e que me dava prazer. Acho que puxei minha mãe, ela é uma “cozinheira de mão cheia”!

Trabalhei em um restaurante Italiano também, somente para aprender um pouco mais. Foi aí que veio aquele “click”: eu poderia criar muita coisa na cozinha.

BPM: Porque decidiu sair do país e vir para NY?

Léo: Decidi sair do Brasil para tentar uma vida melhor em NY.

BPM: Como você e a Rafa se conheceram? O que te fez decidir por abrir o Gourmet Fit? 

Léo: Um tempo depois, quando já não trabalhava mais lá, voltei ao restaurante brasileiro onde lavei pratos já como chef de cozinha. Era noite de Ano Novo e como mantive bons amigos no local, naquele ano eu e minha família passamos a virada lá. Foi quando conheci a Rafaela; ela estava trabalhando como garçonete.

A Rafa era recém-chegada da Carolina do Norte, onde havia ido para fazer um intercâmbio de três meses, no entanto, ao fim do curso ela achou que ainda tinha muito para aprender e resolveu vir para Nova Iorque.

Depois de algum tempo juntos chegamos a trabalhar em dois lugares; ela como gerente e eu como chef de cozinha. Durante esse período ela começou a seguir uma dieta restrita, pois queria participar de uma competição. Como ela não cozinha NADA, eu me encarreguei de fazer todas as suas refeições.

Foi dai que surgiu a ideia do Gourmet Fit: quantas pessoas estão na mesma situação, precisam fazer exatamente “aquela dieta”, mas não têm tempo? Ou mesmo pessoas que querem simplesmente se alimentar de maneira saudável, independente de seguirem uma dieta restrita? São muitas! Hoje em dia ninguém quer perder tempo nas filas de supermercado.

Para ver como seria a receptividade do público geral à ideia, decidimos introduzir o conceito pelas mídias sociais e em nosso próprio website. O tempo passou e, quase quatro anos depois, cada um foi trabalhar em locais diferentes; eu em um restaurante orgânico e a Rafa na área de fitness. Claramente foi um sucesso, mas começamos devagar. Alugávamos uma cozinha industrial em Long Island City somente uma vez por semana e, conforme a demanda aumentava, alugávamos por dois dias. Até o ponto em que largamos nossos empregos e começamos a atender uma clientela maior e bem variada: pessoas com dietas rigorosas e pessoas que buscavam uma maneira saudável e fácil de se alimentar no dia a dia.

Em janeiro de 2015 iniciamos uma busca – sem sucesso – por investidores e parcerias, pois com toda a nossa experiência na área de restaurantes, o sonho cresceu e a ideia de ir além do serviço de entrega também. Queríamos abrir um restaurante com o mesmo conceito: o de “comer saudável”.

Tudo aconteceu rápido, apesar não termos tido nenhuma ajuda.

Em fevereiro conseguimos um espaço no Brooklyn que costumava ser um restaurante. Inicialmente, alugamos somente a cozinha e demos continuidade aos serviços de entrega. Em menos de dois meses o dono do local nos ofereceu o espaço todo. Foi quando não pensamos duas vezes e, com muito trabalho e nem tanto dinheiro, concretizamos o “sonho americano”: hoje temos o primeiro Gourmet Fit que já está aberto desde maio de 2015.

Trabalhamos com produtos orgânicos, carne de gado de pasto (grass fed), aves criadas em sistema de semi-liberdade (free-range), peixes de viveiros (wild-caught-fish) e produtores locais. Todos os nossos produtos são de alta qualidade: óleos essenciais, nozes de qualidade, além de vegetais e frutas da época para garantir a qualidade e o sabor.

Mas não pensem que é fácil ser dono deste negócio, pois mesmo com o Goumet Fit estando aberto a quase um ano, seguimos trabalhando entre 12 e 14 horas diárias e tiramos folga somente durante os feriados importantes como o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving), Natal, Independência e Ano Novo.

 BPM: Como é a receptividade dos nova-iorquinos aos pratos brasileiros, como por exemplo o arroz e feijão?

Léo: Os nova-iorquinos vegetarianos adoram arroz e feijão e os brasileiros amam.

 BPM: Qual foi a última vez em que foram ao Brasil? Gostariam de voltar um dia?
Léo: Desde que viemos para cá não voltamos mais ao Brasil. Temos vontade de voltar sim, mas apenas para visitar… para morar não.
Para mais informações sobre o Gourmet Fit, clique aqui.

A outra empresa que gostaria de apresentar chama-se PETISCO BRAZUCA, que com um salgado que é sucesso no Brasil, conquistou o paladar da cidade mais concorrida do mundo: Nova Iorque!  Vendendo coxinhas, os brasileiros Vanessa Oliveira e Ricardo Rosa são sucesso absoluto após criarem a primeira empresa especializada em entrega de salgadinhos típicos brasileiros. Vamos saber mais sobre essa ideia literalmente deliciosa.

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Vanessa e Ricardo, donos do Petisco Brazuca. (Fonte: Petisco Brazuca)

BPM: Há quanto tempo vive fora do Brasil? Porque decidiu sair do país e vir para NY?

Ricardo: Nós moramos fora do Brasil há 3 anos e meio. Escolhemos NY como nossa residência permanente em 2012, quando viemos aperfeiçoar o inglês e estudar novas possibilidades de negócios na cidade, pois estávamos um pouco saturados com nossa rotina profissional e de vida no Brasil.

A Vanessa era bancária e eu publicitário. Decidimos deixar nossos empregos e conhecer melhor a cultura americana. É incrível como aqui a cultura empreendedora é mais desenvolvida. É muito mais fácil conseguir equipamentos baratos. Fora que os americanos estão mais dispostos a consumir todo tipo de produto.

BPM: O que te fez decidir por abrir o Petisco Brazuca e como foi o processo até o negócio se concretizar? Pretendem abrir loja física?

Ricardo: Ao organizar uma festa para amigos, nos demos conta de que não havia em Nova Iorque um serviço de entrega de salgados para festas, algo tão comum no Brasil. Resolvemos, então, colocar a mão na massa, produzir nossos próprios salgadinhos e levá-los a eventos de nossos amigos. O resultado foi tão positivo que decidimos investir na produção. Hoje as encomendas chegam em média a 20 mil unidades por mês.

Começamos sem muitas pretensões, na pequena cozinha de um apartamento em Manhattan, e realizávamos as entregas utilizando o metrô da cidade que é muito eficiente. A medida em que o negócio cresceu, tivemos que procurar uma cozinha incubadora, que locamos para a produção.

No momento, estamos estudando a possibilidade de abrir uma loja física, mas Nova Iorque é uma cidade cara e exige muito planejamento e investimento. Estamos escolhendo a localização e estudando  com muita calma.

BPM: Como é a receptividade dos nova-iorquinos aos salgadinhos brasileiros, como a coxinha por exemplo? Qual salgado que faz mais sucesso entre eles?

Ricardo: Os salgados são muito bem aceitos porque são diferentes dos petiscos convencionais industrializados americanos. A coxinha é algo artesanal, feita com ingredientes naturais, que dão mais sabor e originalidade. Isso é algo que eles – os americanos – não estão acostumados. O índice de aprovação é de 100%. A coxinha de frango e o pão de queijo são os preferidos dos americanos e dos brasileiros.

BPM: Qual a última vez em que foram ao Brasil? Gostariam de voltar um dia?

Ricardo: A Vanessa viaja com mais frequência, mas eu fico à frente dos negócios. Estamos focados em faze-lo crescer e expandir, por isso, não passa pela nossa cabeça voltar ao Brasil nesse momento. Porém  não descartamos a possibilidade de, um dia, abrir uma filial da empresa lá e, quem sabe, visitar com mais frequência.

Para mais informações sobre o Petisco Brazuca, clique aqui.

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