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EUA – Charleston e os encantos do sul dos Estados Unidos

As proporções territoriais americanas são continentais, dividindo o país em 5 grandes porções: sul, centro-oeste, nordeste, noroeste e meio-oeste. Portanto é natural e esperado que haja profundas diferenças.

Eu moro no estado da Virgínia, perto da capital, Washington D.C., que está situada em uma região denominada meio-atlântico. Essa parte, que abrange as grandes cidades de Nova Iorque, Filadélfia, Baltimore e Washington é considerada um dos corredores mais poderosos do planeta, com alto desenvolvimento econômico, cultural, tecnológico, médico, etc.

O clima bem definido com verões marcados pelo calor intenso e invernos proporcionalmente gelados e cheios de neve, ditam um certo estilo de vida que afeta diretamente a personalidade do lugar. As relações são mais formais e todo mundo parece estar correndo atrás de um objetivo o tempo todo, acelerando a vida continuamente.

Esse perfil cria um estereótipo do povo americano, que é visto ao redor do mundo como o capitalista máximo, sempre atrás de tempo e dinheiro.

Em parte, isso sim é verdade, porém existem muitos mitos acerca do país e da cultura norte-americana, que eu explico melhor nesse outro post. Gosto de destacar que os Estados Unidos são um país de gritantes diferenças culturais e sociais, que podem passar desapercebidas em um primeiro momento.

Somente na porção geográfica leste essas diferenças são grandes e passam pela cultura, os costumes, a visão política, a vida em família e tudo mais. Tenho procurado viajar por essas bandas com os olhos e sentidos bem abertos e cada vez mais me surpreendo com as descobertas.

Em uma recente viagem à Carolina do Sul, na região americana conhecida como país baixo (low country), eu conheci um outro país, que vive sem pressa. Até a sonoridade da língua tem uma cadência mais lenta. O clima mais ameno e quente, não vê uma troca de estações tão marcadas e isso influencia diretamente no humor e na vida das pessoas.

O Starbucks continua lá, assim como as famosas lojas e restaurantes de rede, que estão por todos os lados. Mas se você é um turista curioso como eu, vai descobrir outros temperos, outras formas de se  vestir e comer, enfim, particularidades específicas do sul.

Não à toa que Charleston foi o palco do início de uma das mais sangrentas guerras civis da história da humanidade. A conhecida Guerra da Secessão norte-americana iniciou-se na Carolina do Sul, quando os estados escravagistas do sul do país se proclamaram independentes e criaram uma confederação, rompendo com a união americana e com o presidente eleito Abraham Lincoln, em 1861. O revide da União foi imediato e violento e a guerra mais mortal dos americanos começou: Sul contra Norte, ou Confederados contra União.

Cemitérios com vítimas da Guerra da Secessão espalhados por toda a cidade
Cemitérios com vítimas da Guerra da Secessão espalhados por toda a cidade

Os reais motivos da guerra foram o fim da escravidão e a administração de recursos financeiros provenientes das riquíssimas fazendas do Sul, porém, ela aconteceu também devido as gritantes diferenças culturais entre as duas regiões.

Com uma atividade turística intensa, dezenas de galerias e antiquários espalhados pela cidade, culinária rica em frutos do mar e praias exuberantes, Charleston é hoje um lugar amigável e receptivo cercado por ilhas como  Palms Island, Jonh Island e James Island e, cruzando-se pontes, você sai do charmoso centro histórico e passeia pelo belo litoral.

Píer em Folly Beach, litoral de Charleston

No chamado lado campestre da cidade (country side) ficam as enormes fazendas de arroz e algodão, com seu passado trágico de riqueza e escravidão. Eu, que suspirei quando menina, assistindo ao filme E o vento levou, me senti dentro daquele cenário exuberante na Magnolia Plantation, uma das mais icônicas fazendas da região.

Deslumbrante jardim da Magnolia Plantation
Deslumbrante jardim da Magnolia Plantation

Charleston com seu  passado rico e sua vida cheia de charme atrai muito americanos do norte, que optaram por viver  lá em busca de um ritmo mais suave. É muito interessante notar essa transição intensa que os americanos fazem dentro de seu próprio país, mudando de estados em busca de novos modos de viver, quase como se estivessem se mudando de pátria. Tive a oportunidade de vivenciar  encontros mágicos com pessoas locais, que descrevo nesse outro texto em meu blog pessoal.

Hoje o país é um só, mas as diferenças continuam visíveis. Fico atônita quando pessoas esclarecidas soltam a arrogante frase: viajar pelos EUA não é cultura. Isso só se encontra na Europa. Os EUA proporcionam sim um repertório cultural riquíssimo, que vem da cultura afro americana, da cultura creole e cajun dos imigrantes de origem francesa, dos costumes aristocráticos ingleses e dos resquícios indígenas. E ao longo dos anos o povo norte-americano foi se compondo de uma grande miscelânea, com descendências de praticamente todos os cantos do planeta. Tudo isso faz daqui um lugar surpreendente.

Em tempos sombrios que vivemos, tanto no Brasil, quanto no mundo todo, em que diversidades são motivos para a violência, eu gostaria de destacar o contrário: o quanto é rico e prazeroso poder transitar por diferenças culturais e por convivências com pessoas e costumes que passam longe de nossas crenças. Continuo acreditando que esse é o único caminho para a harmonia do planeta e em muitos cantos desse imenso país, chamado Estados Unidos da América, essas diferenças podem ser apreciadas, trazendo-nos ricos aprendizados.

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1 comentário

Clea Rodrigues Maio 22, 2016 at 7:41 pm

Vc tem um olhar muito interessante em suas viagens, nos Faz observar mais a cultura de casa regiao.
Parabens!

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