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EUA – Mudanças

Cresci em uma família que se mudava a cada dois anos. Ter pai militar é assim, ser meio gente e “meio caracol” ao mesmo tempo, sempre carregando a casa (ou melhor, a mudança) para onde for. Viver desta forma traz duas alternativas: Sofrer pelo que se deixa para trás ou aceitar os recomeços que a vida oferece, sempre (ou quase sempre) com um sorriso no rosto.

Desde pequena escolhi aceitar os recomeços que a vida me trouxe. Sempre tive um sotaque diferente, sempre fui a menina nova da escola, nunca participei dos almoços de domingo na casa da vovó e nunca tive amigos de infância. Por outro lado, aprendi a me adaptar em qualquer lugar, fazer amizades em qualquer lugar, e principalmente a admirar e aceitar o novo, o desconhecido e o diferente.

Sou paulista de Jundiaí, mas ao mesmo tempo gaúcha, carioca, baiana, paraense, capixaba, brasiliense, e acima de tudo brasileira! Depois de passar por inúmeros lugares no Brasil, me formei em Relações Internacionais e decidi ganhar o mundo.

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Sempre tentei combinar as minhas viagens com o meu currículo, desta forma, além de conhecer novos lugares, eu estaria “oficialmente” enriquecendo a minha carreira profissional. Viajei pela Europa, fiz trabalho voluntário na África do Sul, estudei na China, e de quebra me aventurei pelo Oriente Médio.

Em 2010 mais uma vez me deparei com uma mudança, a mais difícil de todas. Pela primeira vez eu estaria me afastando por tanto tempo da minha família. Foram muitas noites sem dormir, muitos documentos burocraticamente processados e muitas dúvidas.

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Como seria a vida na nova cidade? Como seria a vida longe dos meus pais e dos meus amigos por tanto tempo?  Será que irei demorar em alugar um apartamento? Será que eu vou gostar da cidade? Em maio de 2010 me mudei a trabalho para a cidade de St. Louis, no Missouri, estado americano localizado no Meio Oeste do país. Acredito que nesses quatro anos vivendo aqui passei por três diferentes fases:

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A primeira foi a da empolgação! Nas primeiras semanas tudo era novo e interessante. Tive uma “host family” e eles me levavam aos lugares que eu precisava ir, me apresentavam a pessoas conhecidas deles, e me adotaram como se eu fosse parte da família. Nessa época as coisas foram um pouco mais fáceis, mas depois que saí da casa deles veio a segunda fase: a da vontade de voltar.

Sozinha, tinha que tirar o Social Security (CPF americano), carteira de motorista, comprar carro, abrir conta em banco, alugar apartamento, contratar serviços de internet, TV à cabo, celular, seguro de carro (que nos EUA é obrigatório), comprar mobília pro apartamento, e tudo trabalhando em tempo integral e com um orçamento apertado.  Com tantas dificuldades veio o desânimo, a saudade da família, o cansaço e muitos outros sentimentos.

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Demorei algum tempo para me adaptar ao meu novo estilo de vida, mas depois de muitos meses veio a terceira fase: a da adaptação e do sorriso.

Como disse, sempre me adaptei com facilidade aonde quer que eu fosse e se tratando de Estados Unidos não seria diferente certo? Errado! Essa adaptação veio na velocidade de uma tartaruguinha, veio com muito jogo de cintura, apoio familiar (mesmo de longe), lágrimas, aperto no coração e sabe-se lá Deus mais o quê!

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Os americanos do Meio Oeste são conservadores e têm hábitos muito diferentes dos nossos, além do clima aqui ser rigoroso no inverno. Isso tudo pode gerar um choque cultural enorme.

Aqui não se abraça nem se troca beijinho com quem não se tem intimidade. Tudo é na base do aperto de mão. Aqui as pessoas são pontuais. Se a festa está marcada para as 19hrs ela começa as 19hrs, não as 20hrs como no Brasil, e se no convite tem o horário de encerramento da festa, acredite, ela vai terminar naquele horário! Se você não se retirar, o dono da casa vai te convidar a ir embora.

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Aqui quase não se tem feriado e a maioria das pessoas vive para o trabalho. Licença maternidade é de seis semanas (e você que reclamava dos “apenas quatro meses” do Brasil hein?), 10-15 dias anuais de férias e muitas, muitas e muitas horas extras no trabalho, muitas vezes sem pagamento extra no final do mês.

Tudo isso para nós brasileiros pode se tornar extremamente difícil inicialmente, mas com o tempo você aprende a conviver com as diferenças. E quando você aprende, você chega na terceira fase. A da adaptação e do sorriso.

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Bom, você deve estar se perguntando “por que algum brasileiro em sã consciência mudaria para um lugar desses?” Os motivos são: apesar de tudo, aqui há segurança, oportunidades, o custo de vida é barato, há muita praticidade, menos corrupção, o estudo é de ponta, quase tudo funciona, há uma diversidade de pessoas, línguas e culturas intermináveis e muitos outros motivos. Tenho certeza que cada brasileiro que opta por esse tipo de vida aqui tem os seus.

No entanto, é preciso pensar e repensar se essa vida de mudanças físicas e psicológicas é realmente pra você. Para quem está lendo esse texto e pensando em adotar um novo país como residência, para quem já adotou e está querendo voltar, ou adotou e está querendo ficar, lembre-se de que não importa onde você está, no Brasil ou em qualquer outro lugar, o que realmente importa é seguir em frente, viver a vida e ser feliz! Sempre!

 

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31 comentários

Cristina Abril 30, 2014 at 10:35 am

Adorei seu modo de encarar a vida, tenho certeza que sò vai encontrar sucesso e realização! Parabéns!! 🙂

Resposta
Lorrane Maio 1, 2014 at 2:20 am

Cristina,

muito obrigada! Acho que encarando a vida de forma positiva atraímos coisas boas né? 🙂 Beijoca

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Ana Cristina Kolb Abril 30, 2014 at 11:57 am

Parabens Lorrane pelo texto, que sirva de inspiracao pra outros jovens que como voce pensam em ganhar o mundo! Onde foram tiradas as fotos, senti falta de uma legenda, rsrsrsr alguma são obvias, outras não, Bem vinda ao BPM e que suas experiências continuem sendo sempre de sucesso! Namasté 🙂

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Lorrane Maio 1, 2014 at 2:26 am

Oi Ana!

obrigada pelo recadinho e pelas boas-vindas!
As fotos são de Paris (França), Praga (República Tcheca), St. Louis (EUA, onde eu moro atualmente), Frankfurt (Alemanha), Cabo da Boa Esperança (África do Sul), Dubai (Emirados Árabes) e Pequim (China). Beijoca

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Juraci Pike Abril 30, 2014 at 12:42 pm

Lorrane,gostei muito da formacomo voce contou a tua historia, e mais ainda do seu estilo livre e criador da propria vida. O melhor de tudo e’ que voce sempre tem como companhia as lembrancas dos lugares por onde passou, amigos passageiros, mas tambem aqueles que voce leva no coracao pra onde for. E, voce esta certissima,lugar bom pra viver e’ onde somos felizes. Abracos!

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Lorrane Maio 1, 2014 at 3:58 am

Olá Juraci,

obrigada pelos elogios. Sim, com certeza carrego comigo todas essas lembranças e amigos aonde quer que eu vá. De uma forma ou de outra nunca estou só, ainda mais agora que estou fazendo parte dessa família enorme do BPM! Carpe Diem! 🙂

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Valéria C Gomes Calmon Abril 30, 2014 at 1:00 pm

Linda! Como é bom vê-la crescida, madura e buscando seu lugar.
Você sempre foi muito determinada. Vá em frente. Em tudo na vida há prós e contras.
Seja feliz com a vida que abraçou e conte conosco….
Beijos e saudades….
Valéria

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Lorrane Maio 2, 2014 at 2:34 am

Tia Valéria,

você nem sabe como seu recadinho me deixou feliz. Muito obrigada por todo o apoio nas horas mais difíceis. Sei que posso contar com vcs sim. Saudades.

Beijo enorme

Resposta
Suzy Barbosa Abril 30, 2014 at 1:51 pm

Parabens Lorrane pelo artigo, minha querida. E que sua experiencia de vida seja motivo de realizacao, crescimento pessoal e interior e descobertas para a construcao de um mundo melhor. Parabens!!!!

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:32 am

Amigadi, muito obrigada. Você que é minha confidente sabe que não é fácil. Obrigada por tudo! Beijo enorme

Resposta
Beatriz Salgado Abril 30, 2014 at 2:07 pm

Muito bom Lo!!! Adorei!!! Sucesso!
beijos

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:31 am

Be,

sei que você tão é super aventureira, aliás nos conhecemos durante nossas aventuras pela Europa né? Que vida continue nos trazendo tantas experiências maravilhosas e amizades verdadeiras. Beijo enorme. Saudades

Resposta
Cristina Bulhões Abril 30, 2014 at 2:33 pm

Você é motivo de orgulho para seus pais e também para todos nós que te conhecemos. Grande beijo e muitas saudades.

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:16 am

Obrigada, tia Cristina!!! Fico contente em saber que você gostou. Beijo grande. Saudades

Resposta
Rafaella Abril 30, 2014 at 3:22 pm

Lô!!!

Adorei o texto! É simplesmente a sua cara. Fico feliz em saber que você chegou na “fase do sorriso”.
Aproveite essa oportunidade única e não esqueça que, esteja onde estiver, você é muito querida por nós!
Boa sorte sempre!!
Beijos!
Rafaella

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:30 am

Rafa,

você faz parte de muitas dessas minhas aventuras e nossa amizade é prova viva do quão incrível essas experiências são, e as coisas boas que elas podem trazer! Muita saudade de vc e das meninas. Beijo enorme. Luv ya!

Resposta
Paula Abril 30, 2014 at 3:55 pm

Amei teu texto! Muito sucesso e felicidades!

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:17 am

Paulitcha! Muito obrigada, amiga!!! Saudades de vc! Beijão

Resposta
Andressa Abril 30, 2014 at 5:59 pm

Amei amei amei!!! Passei pelas mesmas fases claro que, em situações diferentes…mas o que vale é toda essa experiência de vida que nenhuma pessoa poderá tirar de vc!!!
Parabéns pelas conquistas e tbem pelo artigo.

Beijão grande

Andressa Ebert Chappelle
SACRAMENTO, CA

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:19 am

É bom saber que não somos as únicas a passar por esses apertos né Andressa? rs
Obrigada pelo carinho. Beijo grande

Resposta
Maire Maio 1, 2014 at 12:11 am

Aiii que lindaaa!! Amiga que orgulho de vc, de tanta experiencia e coragem de vida com tao pouca idade. Parabens por cada conquista e cada batalha vencida, so podemos realmente saber sobre esses sentimentos quando estamos vivendo e vamos combinar q nao eh nada facil, mas vc conseguiu e ainda vai conseguir muito mais. Te admiro muitooo e tenho um enorme carinho por vc. Bjnhuuus e continue escrevendo, rs!

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:28 am

Maire,

sei que você entende muito bem como é louca essa nova vida de aventuras no exterior. Muito bom saber que tenho um ombro amigo como o seu pra contar sempre. Fico muito feliz em saber da sua admiração e carinho. Beijo enorme amiga!

Resposta
Maricelia Maio 1, 2014 at 2:51 am

Meus parabens, amei lendo your blog.

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Lorrane Maio 2, 2014 at 2:21 am

Maricélia! Obrigada querida. Na verdade o blog não meu. Sou apenas uma das muitas colaboradoras que contribuem para que o blog seja tão incrível como é. Continue lendo, tenho certeza que você adorar. Beijoca

Resposta
Emilia de Paula Hanashiro Maio 1, 2014 at 11:27 am

Adorei! Parabéns pelo texto, e que de tudo isso o resultado só pode ser muito sucesso em sua vida e sua carreira. bjs.

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Lorrane Maio 2, 2014 at 2:22 am

Emilia, muito obrigada!! Beijo grande!

Resposta
Herô Rocha Maio 1, 2014 at 1:06 pm

Lorraneu querida, sua história internacional retratada no seu texto muito bem construído, dar enorme prazer para quem o lê. Ele servirá de inspiração e reflexão àqueles que pretendem fazer uma mudança parecida com a sua e, aos que já estão vivendo em outro país, possam se sentir apoiados em sua experiência e poder melhorar suas vidas diante de sua realidade.
Seu sorriso é o seu sucesso! Muitas alegrias venham ao encontro de você, sejam na vida pessoal como na profissional.
Amo sua família e desejo sempre tudo de melhor pra todos vocês.
bjs

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:23 am

Tia Herô!
Muito obrigada pela força e pelo recadinho tão carinhoso. Minha família e eu também amamos você.
Beijo saudoso.

Resposta
Polyana Borges Maio 1, 2014 at 2:28 pm

Parabéns pelo texto! A matéria ficou linda. E sem dúvidas a felicidade permanecerá, e o teu sucesso?! Sim, esse ta garantido!!!!

Resposta
Lorrane Maio 2, 2014 at 2:26 am

Poly! Viu que eu não esqueci o Pará né? Obrigadíssimo pelo carinho! Beijo enorme!!

Resposta
Armando Barroso Magno Maio 1, 2014 at 4:56 pm

Te conheci quando não falava nem português, quando tive o privilégio de conviver com os meus queridos amigos Cássia e Jorginho Xará. Tenho certeza que essa vontade de ter o mundo nas (ou às) mãos foi construída com base nas múltiplas experiências proporcionadas pelos pais andarilhos que tem. Isso faz com que pense: o que será que tem do outro lado desse muro? Vou lá ver. Bjs. Tio Barroso

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