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Fases do intercâmbio na França e voltar para o Brasil

Hoje eu quero falar um pouquinho sobre esse fantasma que me assombrou por muito tempo, eu diria que quase durante toda a minha temporada na França: voltar para o Brasil.

Como eu já contei em outros textos meus aqui no BPM, morar fora sempre foi um grande sonho. Sonho este que eu consegui realizar. Mas, muito mais do que apenas ir e morar fora, existe uma série de outros fatores, que muitas vezes não imaginamos antes de partir. Acredito que mais do que uma viagem para o exterior, essa experiência significa uma viagem para dentro de si mesmo. O fato de aprender uma nova língua, conseguir um diploma, e conhecer uma nova cultura acabam sendo consequências dessa nova realidade. Mas e o que a gente aprende sobre nós mesmos? E sobre a vida? Ah! É aí que está a maravilha dessa viagem. E na maioria das vezes, ela não será fácil e leve. Até porque “mar calmo nunca fez bom marinheiro”, não é mesmo?

Por muito tempo, enquanto eu planejava que um diria iria morar fora, eu acabava idealizando “meu intercâmbio”, acreditava que seria a fuga para o país das maravilhas, sabe? Você espera ansiosamente aquele momento, porque acredita que do lado de lá será melhor, do lado de lá funciona, do lado de lá serei mais feliz… do lado de lá a moeda vale mais, do lado de lá tudo é lindo!

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na França

(Gosto sempre de lembrar que essa é a minha percepção, baseada na minha experiência, ok? Sem generalizações… )

Voltando…

Acontece que morar fora, é sair da zona de conforto, e o nome já diz, zona de conforto, logo os “desconfortos” serão inevitáveis, talvez em uns mais do que em outros…

Eu consigo perceber que assim como as estações do ano que são bem marcadas na Europa, o nosso humor, principalmente durante o primeiro ano fora, acaba seguindo uma mesma linha. Pelo menos o meu humor…

Você chega em meados de setembro, ou seja o auge do verão já passou, e o outono começa a dar as caras… mas você acabou de chegar e ainda acha tudo lindo e diferente, as folhas secas caindo no chão, a arquitetura, poder sentar num café e se aquecer com um chocolat chaud e pain au chocolatAh la belle vie! Vive la France! (chocolate quente e um pão de chocolate … Ah a bela vida! Viva a França)!

Até que o frio começa a apertar, e é um frio que você nunca sentiu igual… muito menos por tanto tempo…. é nessa fase que as dificuldades parecem acumular, e você acha demais lidar com questões do dia-a-dia além do desânimo biológico, vitamina D, por favor! O seu humor fica com a mesma energia que aqueles dias cinzas, que parecem não terminar nunca mais, você até pensa em desistir, mas sabe que passará, afinal tudo passa…

E então lá em meados de março, as temperaturas começam a esquentar… e uma esperança no fim do túnel de que a luz do sol esta chegando!!!

Até que SIIIM, ele chega! Ahhh o verão! Meados de junho, e todo mundo sai de suas casas, os bares, cafés, pubs se lotam… mesinhas de restaurante para fora, nas calçadas… taças de vinho, cervejas, o dia escurece lá pelas 21h da noite. Seria um sonho? E é ai que você não quer ir embora, você quer ficar, você precisa dar um jeito de ficar… Brasil? Voltar pro Brasil? Por favor não! Você que já passou pela dificuldade do início, pelos perrengues de visto, apartamento, já consegue se comunicar melhor e está quase com o diploma em mãos! Ah, não! Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira!

Até que você consegue estender seu visto por 6 meses, 1 ano… Mas se você não tiver um objetivo, o fantasma ficará lá, te assombrando… e você não sabe mais pelo que está lutando… Se contra o fantasma ou por um objetivo seu realmente naquele país.

A lição que fica, por mais óbvia que possa parecer é: planeje-se, tenha o mais claro possível metas, objetivos e seja forte!

Eu voltei para o Brasil, e posso te dizer? O fantasma foi embora. Ou melhor, eu o acolhi e está tudo bem! Você começa até gostar daqui… mas ainda pensa nas terras de lá. Como dizia Tom Jobim “Viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom”.

Desde que voltei comecei a olhar com outros olhos, e inevitavelmente a comparar o que aqui era diferente e positivo do que eu tinha lá. Por melhor que você fale a língua estrangeira, comunicar-se na sua língua materna, é reconfortante. Reencontrar amigos e ter um passado, um histórico aqui, te traz de volta o sentimento de pertencimento. Inevitavelmente, as pessoas aqui (de uma forma geral) são mais amigáveis, calorosas, simpáticas e otimistas… E o clima, ou seja temperaturas mais amenas, no caso de São Paulo… onde na verdade temos muitas vezes todas as estações do ano em um mesmo dia podem até nos irritar! Mas a certeza de que o sol aparecerá e mesmo que tenhamos frentes frias, elas não durarão uma eternidade, acaba sendo um alívio!

Obviamente eu poderia ficar aqui falando apenas das coisas que me incomodam daqui e eu sei que não seriam poucas… mas por ora, prefiro usar todo o meu lado otimista e me apoiar nas coisas boas, deveríamos sempre pensar assim né? Eu sei… Então seguimos na selva de pedra vendo o lado bom das coisas, regados à pão de queijo, brigadeiro, açaí e guaraná.

E como foi o seu retorno ao Brasil? Espero seus comentários!

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