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Fazendo amigos nos EUA

Fazendo amigos nos EUA.

Eu me mudei para os EUA sozinha. Minha maior preocupação era se iria fazer amigos com facilidade. Da outra vez que vim fazer um intercâmbio estava morando com amigos brasileiros na mesma situação de estudante em que me encontrava. Um dos motivos de escolher Portland foi porque já tinha morado no estado de Oregon anteriormente, na cidade de Corvallis. Tinha alguns amigos no estado, mas apenas um na cidade de Portland.

A maioria das primeiras amizades veio através das redes sociais. Como estava vindo com uma bolsa do governo brasileiro, haviam outras pessoas embarcando na mesma condição. Era uma forma de se ajudar, enfrentar os mesmos problemas e desafios de uma forma coletiva. Foram amizades fundamentais no meu período de adaptação. Porém, a vida do estudante de pós-graduação acaba se concentrando em atividade acadêmicas, pelo menos nos primeiros anos.

Leia também: Cultivando novas amizades no exterior

Fiz a minha graduação na UFRRJ, mais conhecida como Rural do Rio. Apesar da fama de muito sexo, drogas e rock’n roll, poucos sabem que a Rural é também conhecida como uma segunda mãe. A hospitalidade e companheirismo dos alunos é única. Por sorte, o departamento de Urbanismo da Portland State University tem características similares. Antes mesmo de desembarcar em Portland, eu já tinha uma mentora. Ela me deu dicas de como encontrar moradia, como me matricular nas matérias, e sobre a estrutura do curso e da faculdade.

Após chegar em Portland, participei de uma palestra de orientação para novos alunos. Depois, fomos para um bar aproveitar o happy hour (período em que a bebidas e comidas são mais baratas). Nesse dia, lembro que uma amiga de outro estado estava me visitando e foi até mais fácil de fazer amizades. Descobri que o grupo de alunos do meu departamento se encontrava todas as quintas-feiras para o happy hour. No início, eu ia para treinar o meu ouvido e melhorar meu inglês. Às vezes saía do bar com a cabeça doendo, de tanto ouvir inglês. Com o tempo fui fazendo amigos, e coletando dicas de como ter sucesso no programa. Hoje, continuo indo com uma frequência menor, mas sinto prazer em ajudar os novos alunos.

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Estudante geralmente é pobre e acaba dividindo casa com outras pessoas. A minha primeira colega de casa se demonstrou bem amiga no início. Me buscou no aeroporto, mobiliou o quarto onde eu iria dormir, me informou onde haviam mercados, restaurantes e lojas perto do apartamento. Mas a vida é uma caixinha de surpresas. Dois meses depois ela me pediu para me mudar. Felizmente, fui morar com alguns amigos da faculdade. Era uma casa mais distante do campus No primeiro apartamento eu apenas tinha que atravessar a rua. Mas eu me identifiquei muito mais com o ambiente.

Na nova casa, éramos todos mais jovens e adorávamos fazer festas. A primeira festa de estreia da casa foi um sucesso. Como os vizinhos não reclamam, fazemos festa até hoje. Em Portland, as festas em casa, chamadas de house parties, são bem comum. Aparentemente, a minha casa está no circuito de house parties da cidade. Fazemos cerca de cinco festas por ano, e é uma ótima forma de conhecer novas pessoas.

Galera reunida após um show de talentos que aconteceu na minha casa (Foto: Tasha Jacobs. Instagram: @whimsicalography)

Após um ano morando em Portland, comecei a sentir falta da cultura brasileira. Já conhecia alguns brasileiros, inclusive alguns da mesma faculdade. Mas queria sair um pouco do círculo acadêmico. A pós-graduação já consume boa parte da minha vida. Não queria mais passar meu tempo livre discutindo matérias e o estresse que temos com professores. Então comecei a procurar eventos brasileiros. No início eu ia sozinha, ou carregava meus amigos americanos comigo.

Foi uma nova vida! Comecei a até a ter dificuldade em me concentrar na universidade, porque eram tantas festinhas… Acho que brasileiro é o ser mais sociável do mundo. O que eu acho mais interessante é como vários americanos se interessam por música brasileira. Em Portland há escola de samba, maracatu, e bandas que tocam música brasileira. A grande maioria dos membros desses grupos são americanos. Mas eles amam a nossa cultura, nossa música, nosso sotaque, nosso jeito de ser. Acho que encontrar pessoas com interesses em comum foi fundamental para a minha saúde mental e felicidade.

Mas o ser humano é um ser inconstante e sempre quer mais. Não basta ser feliz, tem que ser completo. Portland é uma cidade majoritariamente branca. Várias vezes, eu sou a única pessoa negra do grupo. Eu amo ser negra e adoro estar perto de pessoas que compartilham dos mesmos problemas sociais que eu. Recentemente, tenho aumentado o meu número de amigos negros e trabalhado em causas sociais. Apesar de Portland não ter uma grande representatividade negra, é incrível como as minorias se ajudam. Várias oportunidades já apareceram para mim, devido ao fortalecimento da comunidade. Gostaria muito de ver isso no Brasil também.

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Outras formas de se fazer amizade é frequentando grupos. Há um site chamado MeetUp, que organiza eventos em bares, caminhadas, e palestras. Para quem é universitário, sempre há grupos na faculdade. Tem grupo de tudo. Esportes, línguas, religião, nacionalidades, causas sociais, até de jogos de tabuleiro.

E obviamente, o jeito mais fácil de fazer amigos é tomando uma cerveja em um bar. A bebida entra, a verdade sai. Embora já tenho largado meus tempos de bebedeira, frequento ocasionalmente um bar na vizinhança do meu primeiro amigo de Portland. É um ambiente descontraído, onde as pessoas vão para abstrair os estresses do dia a dia. E para quem não gosta de bares, as igrejas também fazem um ótimo trabalho de integração. Além de fortalecer a fé e espiritualidade.

Esse texto veio para quebrar o paradigma de que americano é frio, não beija e não abraça. É claro que não existe povo que tenha mais demonstrações pública de afeto do que o brasileiro. Em geral, eu fui muito bem recebida aqui. Muitos nunca tinham conhecido alguém do Brasil e querem saber tudo da minha vida. É só fazer um elogio e ter paciência com as perguntas deles que tudo vai fluir bem.

 

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4 comentários

Jéssica Julho 27, 2018 at 11:48 am

Oi, Lorena! Você não faz ideia de como o seu artigo me impulsionou! Me desculpe se esse comentário parecer um pouco bobo ou até mesmo ignorante (não é a minha intenção), mas a verdade é que um dos motivos que mais tenho medo quando sonho em morar no exterior (Nova York, um exemplo) é por causa da minha cor :/. Eu sou negra e tenho orgulho disso, mas sempre que vejo vídeos sobre pessoas indo para as cidades norte-americanas, são sempre feitos por Brasileiros brancos, e é raro eu ver negros aparecendo no grupo de amigos dessas pessoas. Bem, talvez isso seja só coisas da minha cabeça, mas o medo ainda não foi embora. Eu gostei bastante do seu artigo, e te desejo bastante sucesso aí!! Abraços!

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Lorena Nascimento Setembro 5, 2018 at 8:08 pm

Oi, Jéssica. Obrigada pelo comentário e por compartilhar seu sentimento. NY é maravilhoso, com pessoas de todos os lugares do mundo, todas as cores, crenças. Em geral, quando falamos que somos do Brasil as pessoas já simpatizam logo conosco! A maioria dos meus amigos brasileiros aqui também são brancos. Mas é comum encontrar um network, grupo de Facebook de pessoas negras e outras minorias que se ajudam. Siga seu sonho, e muito sucesso!!!

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David Abril 20, 2019 at 5:25 pm

Não sou negro. E moro em NY quase 7 anos. Ser branco, negro, japonês, árabe e etc em NYC é apenas um detalhes. Cidades como Los Angeles, New York, San Francisco mais da metade da população é de “não americanos”… fique tranquila e vá viver sua vida no centro do mundo, que muitos conhecem como New York, e ao andar e respirar por cada quarteirão vai entender o que estou falando!

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Lucas Ribeiro Gallon Maio 21, 2019 at 4:13 pm

Lorena, de modo geral vc acha os americanos do Estado do Óregon receptivos e de nível de preconceito baixo?

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