BrasileirasPeloMundo.com
Maternidade Pelo Mundo República do Congo

Gravidez na República do Congo

maternidade, exterior

Olá! Após alguns meses distante, agora estou de volta para contar sobre minha gravidez na República do Congo.

O projeto de uma nova gestação

Meu marido e eu decidimos que teríamos um segundo bebê antes de nos mudarmos para o Congo. Ao chegarmos aqui, antes de colocar este projeto em prática, resolvemos colocar a nossa vida no ritmo e encontrar as nossas marcas – e da nossa primogênita -, nessa nova morada.

Estando por aqui, conheci várias famílias de expatriados e ouvi muitas histórias sobre a gestação nesse país. A conclusão de todos era não haver possibilidade de parir uma criança no Congo, por uma série de questões. Por isso, antes mesmo de engravidar, decidimos que não teríamos o nosso futuro bebê aqui.

 

Janeiro de 2018, e um novo bebê a caminho

O ano começou com uma ótima notícia. Eu não estava ciente de que estava grávida, após meses tentando. Quando um belo dia a minha filha me disse “Mamãe, você tem um bebê na barriga. É o meu irmão”. Eu confesso que fiquei um pouco perplexa ao ouvi-la falando, mas não levei a sério.

Como havíamos retornado das férias de final de ano, ela voltou às aulas . Para a minha surpresa, ela chegou com um desenho da família, feito com a professora. O desenho continha mamãe, papai, ela, um bebê engatinhando, escrito abaixo: meu irmãozinho George (mon petit frère George) e o gato dos meus sogros.

Quando eu vi este desenho, fiquei ainda mais impressionada! Então, três dias depois eu resolvi fazer o teste de farmácia. E para a minha surpresa, deu positivo!

Pré-natal no Congo

Logo após o resultado positivo do teste de farmácia, tive que buscar uma ginecologista obstetra para acompanhar a minha gestação. Eu havia realizado um check-up completo antes de vir morar aqui, mas não tinha ido a nenhuma ginecologista.

Resolvi entrar em contato com uma amiga, que havia engravidado da sua terceira filha em Pointe Noire. Ela me indicou uma clínica próxima a minha casa, na qual eu já havia levado a minha filha. Esta clínica se chama CMC MEDICO, popularmente conhecida como Netcare. Ela fica no centro da cidade de Pointe Noire.

Leia também: A minha chegada à República do Congo

Na minha primeira consulta para confirmar a gravidez, a médica me fez uma ultra e disse: “não dá para ver nada, volte daqui a três semanas”. Ohhh!!! Eu sai da consulta pasma, nem pensei no exame de sangue Beta HCG, mas esse também deveria ser o pensamento da médica, e não o meu.

Como eu vi que haviam outros médicos, eu voltei para uma consulta com outra médica. Na segunda consulta a médica me pediu o exame de sangue para confirmar a gravidez.

Porém eu não gostei muito do atendimento, então, como me haviam indicado uma médica italiana numa outra clínica, resolvi mudar de médica e me consultar com esta, da qual ouvi boas recomendações.

Ao chegar na consulta, a médica foi realmente tudo o que eu esperava que fosse. Saí da consulta bastante contente e já com todos os exames necessários para uma gestante.

Ultrassonografia

Quando se fala em ultra nos dias atuais, sabemos que é um procedimento normal durante a gestação de um bebê. Na época da minha avó, não existia esse exame tão importante para a saúde do bebê e da mãe, durante o processo gestacional.

O ultra do primeiro trimestre (translucência nucal) eu realizei no Congo. Fui a uma clínica especializada em ultrassom, chamada Colombe, próxima ao Banco UBA. O médico responsável pelo exame foi muito bom; gostei do trabalho dele. Além disso, ele me informou que o bebê era um menino.

Já o ultra do segundo trimestre (morfológico) (morfologique, em francês), foi feito na França, a conselho de minha médica, pois a qualidade da ultra seria melhor. Sendo assim, aproveitei as férias de primavera da escola da minha filha e fomos todos para a França. Marquei a consulta com a minha ginecologista que me acompanhou na primeira gestação.

Durante o exame, a médica confirmou o sexo do bebê, além de ter nos dito que tudo estava bem com o nosso pequeno.

Neste momento – quem é mãe sabe o que é – sentimos um alívio ao receber tal afirmação.

E por fim, o ultra do terceiro trimestre, o último, também realizarei na França.

Onde decidimos ter o bebê?

Devido as condições para se dar a luz a uma criança no Congo, o melhor a se fazer era escolher em qual país eu devo ir para ter o meu bebê. Como somos uma família franco-brasileira, temos como possibilidades ter o bebê no Brasil ou na França.

Já que a nossa primeira filha nasceu na França, nosso país de residência fixa, optamos pela França para ter o nosso segundo filho. Pensei: assim ninguém ficará com ciúme do outro, rs. Brincadeiras à parte, o real motivo por optar pela França é o registro do bebê. O processo de registro para a obtenção da nacionalidade é muito mais fácil no Consulado Brasileiro, do que no Francês.

Quando minha primeira filha nasceu na França, em 2014, apenas levei a declaração de gravidez emitida pela minha ginecologista francesa, e fui efetuar a minha inscrição, na mesma maternidade em que ela nasceu.

E por que não ter o bebê no Congo?

É unanimidade entre as famílias de expatriados, que a saúde congolesa deixa muito a desejar em questões de assistência médica, sobretudo para casos mais complexos. Caso haja uma emergência durante o parto, a infraestrutura local é muito limitada. Por exemplo:

1. A anestesia é uma técnica muito precisa e que deve ser realizada com excelência. Portanto, quem tem a possibilidade de ir para outro local é aconselhado evitar ser operado aqui, sobretudo se precisar de anestesia.
2. Em caso de parto prematuro, não há incubadoras para assistir o bebê que precisa de cuidados especiais, até que ele tenha condições de sair do hospital.
3. Cesarianas: definitivamente nenhum tipo de operação é indicado a se fazer aqui, devido as condições limitantes já citadas.

Mas apesar das condições de assistência à saúde do nosso atual país de residência, estamos muitos felizes em poder ter o nosso segundo filho. Mesmo tendo passado por uma saga na África até encontrar uma boa ginecologista para realizar o meu pré-natal, tive muita sorte, pois acabei caindo em boas mãos.

Agora já estou no terceiro trimestre e estamos preparando as malas para partir e só voltaremos após o nascimento do bebê, porém sem data exata para retorno.

Notem que a minha primeira filha acertou tudo desde o início, quando disse que eu estava grávida e que o sexo do bebê era masculino.

Essa pequena é muito sensitiva!!!

Related posts

Aborto seletivo na Itália

Thaís Baldini

Gravidez e parto na Itália

Farah Serra

5 dicas para grávidas na Alemanha

Karina Finke

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site ou suas ferramentas de terceiros usam cookies Aceitar Consulte Mais Informação