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França

Hábitos franceses

Sim, moro na França há mais de 2 anos, mais precisamente numa cidadezinha localizada no centro, chamada Clermont-Ferrand. Sim, sou brasileira e sempre me sinto um pouco diferente de todo mundo por aqui. Diferente, exótica e que cativa a curiosidade de todos por onde passo: “Nossa! Você nunca viu neve antes?”, “Nossa! Você nunca esquiou?” ou “Não neva no Brasil?”. Essas foram perguntas que eu escutei diariamente durante o primeiro inverno que eu passei aqui.

Pois é, eu não era habituada com grandes mudanças climáticas; nasci e cresci no Rio de Janeiro, onde vamos à praia mesmo no inverno – inverno, esse, que é mais ou menos igual a temperatura do verão por aqui. Quando conto isso, me perguntam: – Como você foi capaz de trocar o Brasil pela França? E eu penso comigo: – pois é, o que é diferente me atrai.

Posso dizer que, apesar de pouco tempo, já mudei algumas coisas no meu comportamento. E a mudança que eu tenho mais orgulho de contar é: deixei de ser consumista. Onde eu moro, as meninas não possuem um exagero de roupas e sapatos; não se incentiva o consumo de coisas das quais não precisamos.

Percebi isso quando fui numa loja comprar um vestido preto pois estava “precisando”. Acabei escolhendo dois modelos, ambos pretos e simples. Na hora que cheguei ao caixa, a vendedora perguntou: – Por que você está levando dois vestidos pretos ? Não soube o que responder e pensei: – Verdade, para quê dois? Escolhi apenas um e fui para casa.

Uma coisa que eu ainda não consegui entender por aqui é a quantidade de esmaltes que existem nas lojas: várias cores, tamanhos e marcas. Eles vendem isso tudo pra quem, se as francesas não fazem unha com frequência? Quando resolvem fazer unha, elas dão no máximo um empurrãozinho na cutícula e pintam. Pronto, não precisa de mais nada. Com certeza esse é um hábito que eu não vou adotar; faço e continuarei fazendo minhas unhas todas as semanas.

Outro hábito estranho é o tal do “bonjour”, que quer dizer “bom dia” em francês. Não sei se em toda a França é assim, e nem se em todas as empresas eles fazem isso. Onde eu trabalho, você tem que desejar “bonjour “ para todo mundo que você encontra durante o seu dia. Desejar o tal do “bonjour” e dar um aperto de mão olhando nos olhos da pessoa… Pois é, seria fácil se essa história parasse por ai mas, além do “bonjour” e do aperto de mão olhando nos olhos, você não pode repetir esse gesto uma segunda vez no mesmo dia para a mesma pessoa. Isso é uma ofensa para eles, pois significa que você desejou “bom dia” mas não prestou atenção na pessoa com quem falava. Haja memória!

Depois de um dia de trabalho e de alguns “bonjour” mal dados, vamos para o bar tomar um chopinho e relaxar. Bar e cerveja são iguais em todas a partes do mundo, não é, não?

Não, começando pela quantidade de opção de cerveja existente. É claro que existem alguns bares no Brasil que possuem várias cervejas diferentes, porém, aqui, isso é o normal. Bom, deixa isso pra lá e vamos ao chope. Cada um pede o seu e logo em seguida chega a conta.

Nos bares se paga a conta na hora.  A cada rodada, vem a conta e vamos deixando tudo pago. Só que não se divide a conta por todos; a cada rodada, uma pessoa paga – na primeira sou eu e na próxima é você. Diferente, né ? E aí não se brinda? É logico que sim. Mas é claro que também existe um ritual pra isso. Você faz “tim tim” com cada um da mesa, não pode cruzar os braços e tem que olhar nos olhos e dizer: “santé”!

São tantas pequenas coisas que eu desconhecia e que já estou fazendo como eles… E o mais interessante: sem perceber. Fui adquirindo e somando essa cultura diferente junto com a minha. É a prova concreta de que o meio influencia o homem. Apesar de manter minhas raízes, a cultura da região onde moro está entrando de pouquinho em pouquinho nos meus hábitos: já peço queijo como sobremesa e não consigo almoçar sem pão, hábitos característicos franceses.

Pois é, já posso dizer que sou uma brasileira um tanto quanto francesa!

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27 comentários

Alfredo Brges Pinto Nunes Outubro 3, 2016 at 6:43 pm

Gostei muito do teu comentário, muito próprio e sincero, como manda a sua personalidade, principalmente pelo poder de trabalho que você tem, como costumo falar, você não joga fora o teu tempo, está sempre ocupada fazendo algo, é impressionante, está sempre ligada…parabéns.

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 4, 2016 at 2:25 pm

Obrigada !

Resposta
Maria Izabel Outubro 3, 2016 at 7:01 pm

Parabéns pela reportagem.
Retrata exatamente a vida de quem está distante do País.
É muito bom viver estas novas experiências.

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 4, 2016 at 2:26 pm

Tb adoro viver novas experiências !

Resposta
Rafael Thadeo Outubro 3, 2016 at 7:35 pm

Olá,
Muito interessante e bastante útil o seu texto. Parabéns!

Resposta
Eunice Schenitzki Outubro 3, 2016 at 8:00 pm

È isso mesmo Marcella.

Depois de 38 anos na Alemanha faço suas palavras as minhas. “Adotei” vários costumes alemães na minha vida cotidiana (até a manicure feita pro gasto), mas sem perder o que troxe do Brasil, de Minas Gerais.

A cidade onde moro tem parceria com a cidade francêsa, perto de Paris, chamada Thiais e o “bonjour” o dia todo também conheço de lá, pois já estive várias vêzes visitando os amigos de Thiais e eles também nos visitam.

Bisous

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 4, 2016 at 2:27 pm

Pois é, a cultura acaba entrando na gente ! E eu acho isso muito legal !
Bisous!

Resposta
Alexsandra Fernandes Outubro 3, 2016 at 8:54 pm

Olá Marcela!
Como foi enriquecedor para mim, viver em Clermont-Ferrand. Um aprendizado que só quem vive fora do seu país pode dimensionar.
Bjs e “Bon courage! “

Resposta
Rosangela Santos Outubro 3, 2016 at 10:27 pm

Amei a reportagem, acabei de aprender várias coisas, principalmente sobre o bonjour.
Beijos Ro

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 4, 2016 at 2:33 pm

Essa historia do Bonjour é muito engraçada mesmo !
Beijos !

Resposta
Juliana Outubro 4, 2016 at 7:47 am

É verdade Marcella. Apesar de mantermos nossas raízes a cultura da França vai entrando aos poucos no nosso dia a dia.

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 4, 2016 at 2:28 pm

Vai mesmo. Acho essa troca de culturas formidavel !

Resposta
Josy Costa Outubro 4, 2016 at 8:27 am

Oi Marcela! Que engraçado, a familia do meu marido mora pertinho de Clermont e ele frequentou a Universidade ai! Sobre os hábitos adquiridos, é realmente interessante como nos habituamos sem nem perceber…sou do interior de Minas e nunca tive o habito de telefonar p as pessoas antes de ir na casa delas, tampouco levar alguma coisa p comer ou beber ( pode parecer “folga” mas no interior a gnt é assim msm hahah) e aqui, as pessoas telefonam até p seus pais e avós p saber se podem recebê-los, no começo achei isso uma loucura e um distanciamento q não deveria existir, mas hoje eu entendi que eles simplesmente querem saber p poderem te receber bem, e agora qndo vou ao Brasil sempre ligo antes p saber se tem alguem em casa e sempre levo alguma coisa, ja me sinto mal em “aproveitar” das pessoas, e ai gera o efeito que eu tinha aqui no inicio nos brasileiros… Haahah tenho muitas historias sobre como a sociedade francesa me mudou e como de certa forma, pelo menos no meu nucleo familiar aqui, acabei mudando eles tbm, e uma dessas coisas é o abraço, mas bom, ja ta textão demais! Hahahha beijos

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 4, 2016 at 2:30 pm

Acabou que nao comentei isso mas eu tb ligo antes de ir na casa de alguém! 🙂 Mesmo dos familiares !
Beijos !

Resposta
Elaine Outubro 4, 2016 at 8:31 am

É linda minha amiga presque clermontoise. Faz falta aqui comigo mas fico muito feliz que ela esteja feliz por lá! <3

Resposta
Bruno Marchiori Outubro 4, 2016 at 10:37 pm

Bonjour, Marcella!
Do famoso G.M. para colunista na França!
Logo que possível, estarei aí para entender melhor essa parte do “gosta de cozinhar para os amigos” e pagar uma rodada de chopp!
Equipe do Brasil sente saudades da sua alegria aqui com a gente!
Felicidades pra você!
Um beijo!

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 5, 2016 at 6:24 am

Bonjour !
Obrigada ! Tb sinto saudades de todos !
E ok ! Pode vir que vou fazer um delicioso feijão tropeiro com pão de queijo !!! Rs
Beijos !

Resposta
Bruno Marchiori Outubro 4, 2016 at 10:40 pm

Ah! E mande por mim um grande beijo pra Mariana é um abraçao ao Yorrick! Gostei da foto rssss! Saudades de todos aí !

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 5, 2016 at 6:29 am

Recado dado ! Todos mandam beijos !
Quando vier, não esquece de trazer mate leao pra mim !!! 🙂

Resposta
Patrícia Amorim Outubro 7, 2016 at 11:12 am

Parabéns pela iniciativa em
descrever um pouco como se vive e como se sentem os Brasileiros em outro País!
Vc tem o dom de unir as pessoas, seja aqui ou em qualquer parte do mundo, além de sempre divulgar “o nosso jeitinho brasileiro de ser!”
Parabéns Minerinha-Carioca da Gema!
Sdds amiga!
Continue arrebentando aí em CFE!
Apareça logo!
Biz!!! ????????

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 8, 2016 at 4:42 pm

Obrigada Paty!

Resposta
Tatiana Rangel Outubro 9, 2016 at 9:54 am

Marcella adorei seu texto! Ainda tenho pouco tempo de França, seis semanas, mais precisamente e já coloco em questão algumas praticas minhas brasileiras que aqui não existem e fico pensando se de fato é necessário continuar com elas como: comprar em quantidade para estocar e parcelar uma compra.
Uma coisa que é muito interessante nessa nova experiência é adiquirir sertos hábitos que não tínhamos que somando com algums dos nossos de origim, faz da gente um ser humano melhor! Beijos!

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 9, 2016 at 2:06 pm

Oi Tati !!!
Que bom que gostou !!! Pois é, outra coisa que não faço mais são essas compras parceladas que fazemos no Brasil !
Beijos

Resposta
Ana Dietmüller Outubro 17, 2016 at 9:39 am

Alô, Marcella.

Excelente artigo e excelentes ponderações acerca dos “modos de vida” a serem observados quando se chega em um país diferente do nosso.

Obrigada pela contribuição.

Beijão!

Resposta
Marcella Delfraro Outubro 17, 2016 at 10:46 am

Oi Ana,
Obrigada pelo comentario ! Eh muito legal poder viver essas diferenças culturais ! Algo que é “estranho” pra gente é normal pra eles e vice-versa !
Beijos !

Resposta
Cláudia Estefânia de Oliveira Março 1, 2017 at 6:50 pm

Marcela.Boa tarde gostei muito do seu comentário.Sou professora e estou participando com meus alunos de um projeto sobre a França Sustentável, já fiz várias pesquisas e achei muito confuso.So tenho cinco minutos de palco.Me ajuda com algo bem curioso é legal.Obrigada.

Resposta
Marcella Delfraro Março 2, 2017 at 9:48 am

Ola Claudia !
Fico feliz que tenha gostado.
E sim, claro que posso te ajudar !
Qual curiosidade te atraiu mais ?

Resposta

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