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Harbin, a Cidade do Gelo na China

A China é um pais enorme, cheio de mistérios e locais maravilhosos para se conhecer. Além disso possui uma pluralidade de costumes, idiomas e etnias que deixa tudo mais emocionante e curioso. É um país impossível de se conhecer numa só viagem.

Entre todas as facetas da China, as estações do ano também deixam suas marcas nesses imensos contrastes da paisagem e das atrações turísticas. Há locais que se precisa visitar duas vezes, uma no verão e outra no inverno, já que tudo muda radicalmente nessas estações.

Dentre os destinos mais conhecidos, a Muralha da China é um desses que muda completamente o visual no inverno, coberta de neve, e no verão, onde é possível fritar um ovo nas suas pedras!

Mas hoje vou escrever sobre um local que nunca aparece nos roteiros e, na minha opinião, quem vive na China ou vem à passeio nos meses de janeiro e fevereiro, deveria realmente colocar essa cidade no roteiro.

Na época em que visitei Harbin, morávamos em Chang Chun, no norte da China, e levamos cerca de 3 horas de carro. Harbin está situada na Província de Heilongjiang, mais no noroeste do país, fazendo divisa com a Rússia.

Eu sou a pessoa de preto!
Eu sou a pessoa de preto! Foto de arquivo pessoal.

A influência russa é palpável. Visitamos uma igreja, “St. Sophia Church”, que agora abriga um museu; nas lojas de souvenir você pode comprar Mamuskas (bonequinhas russas que se encaixam uma dentro da outra), além de muitos restaurantes russos.

Para um roteiro básico (e ninguém morrer congelado), três dias são o período ideal.

E se preparem, pois é frio! As temperaturas podem chegar aos -40°C, dependendo da época. Apesar de que, ultimamente, com a loucura que está nosso planeta, os relatos que tenho ouvido são de -25°C em média.

A diferença é considerável, mas, sinceramente? Passou de -20°C, para mim é frio igual. Por isso a questão do vestuário é importantíssima. Roupas de esquiar, sapatos, gorros e luvas bem quentes são itens de sobrevivência. Alés dos adesivos de carvão ativado, que colamos no corpo e eles emitem calor ( a salvação chinesa para se esquentar).

Cidade de Gelo e Parque das Esculturas

Essas duas atrações são os carros chefe do festival e é possível conferir mais aqui, no website oficial (em inglês): Harbin International Ice and Snow Sculpture Festival, que em 2017 estará na sua 33° edição.

Nosso roteiro foi de 2 dias e, com isso, deixamos de ver a Reserva de Tigres Siberianos (Harbin Siberian Tiger Park). Quem foi, disse que é muito bonito ver os tigres andando pela neve, mas evitem o horário das refeições, caso não gostem de fortes emoções.

Nosso objetivo maior era ver as esculturas de gelo, e foi o que fizemos.

No dia em que chegamos, almoçamos no hotel e fomos direto para a Cidade de Gelo, como escurece por volta das 15:00, o local já estava todo iluminado e é simplesmente maravilhoso. Todos os principais monumentos do mundo construídos em gelo. Desde o Big Ben (Londres) ao Taj Mahal (Índia), pudemos fazer uma bela viagem. Ok, seria melhor se não estivesse tão frio. Nessa noite foi que vivenciei a experiência única de passear ao ar livre sob  40° C negativos.

Olhe, nem adianta perguntar a sensação, porque não sei descrever. Para terem uma idéia, tenho pouquíssimas fotos dessa noite, porque a cada foto tirada, precisa pegar a bateria e colocar no meio das 3 luvas que usava e ainda fechar bem a mão para gerar calor, recolocar a bateria e tirar mais uma ou duas. Repetir o processo de novo! Uma loucura.

À noite, por volta das 18:00, fomos andar pela cidade, visitamos a Igreja e jantamos num restaurante russo.

No domingo pela manhã fomos visitar o Parque das Esculturas. Lindo e, como tudo na China, chama atenção pela grandiosidade. Centenas de esculturas de gelo imensas e elaboradas, para ficarem expostas por 15 dias. Sim, porque esse é o “Spring Festival” (Festival da Primavera)!

Foto de Ana Carolina Diniz Lui.
Foto de Ana Carolina Diniz Lui.

O mais desconcertante para nós foi que nesse parque, por exemplo, as pessoas passeavam com suas famílias, tinham apresentações de dança ao ar livre e vendedores de espetinhos de morangos com açucar andando de lá para cá. As crianças corriam uma das outras, as mães passeavam com seus bebês em carrinhos, ou seja: vida normal! Algo meio estranho para os nossos padrões de inverno.

O número de esculturas fora dos parques também é enorme, os hotéis e restaurantes promovem pequenas exposições em seus jardins.

Foto de Ana Carolina Diniz Lui.
Foto de Ana Carolina Diniz Lui.

Algumas curiosidades:

  • Harbin é a décima cidade mais populosa da China.
  • Tem forte influência russa: além de fazer fronteira com o país, foi fundada por eles com a expansão da ferrovia Transiberiana.
  • De novembro a março a cidade se torna a mais fria da China.
  • O Festival Internacional de Gelo e Neve recebe mais de 9 milhões de turistas/ano.
  • Para a edição de 2011, foram usados mais de 180.000m³ de gelo que cobre uma área de 600.000m². Claro que eles estão superando o próprio recorde ano a ano, como também estendendo o tempo de duração das exposições.
  • Todo o mês de novembro, a China envia equipes de artesões de Harbin para os Estados Unidos a fim de divulgar o trabalho de esculpir em gelo e atrair turistas para o festival.
  • Harbin é uma palavra Manchu que significa “lugar para secar as redes de pesca”.
  • Harbin tem vários “apelidos”: “Pérola do pescoço do cisne”, porque a forma da Província de Heilongjiang assemelha-se a um cisne, “Moscou Oriental” ou “Paris Oriental” por conta da arquitetura. E “Cidade do Gelo” pelo seu longo e frio inverno.

Nesse link na UOL  é possível ver mais fotos da cidade e das atrações. Essa postagem é de 2011, mas as esculturas não mudam muito de ano para ano, então é um bom parâmetro.

Um passeio maravilhosos que ficará para sempre na memória. A experiência é daquelas que não há palavras para descrever. Por isso, sempre insisto para quem tem a oportunidade não perder. Já conheci muitas pessoas relutantes em fazer essa viagem, mas depois que foram, se juntaram no meu coro de defesa a Harbin!

Realmente tem algo de mágico em cada escultura, cada monumento. E as fotos… por mais belas que sejam, não mostram a real grandeza desse lugar.

Até a próxima!

Tallenna

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