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Holandeses e o amor

Se apaixonou por um(a) holandês (a)? Você definitivamente não está sozinho.

Por aqui o que mais vejo são casais multiculturais, onde um é holandês e o outro de uma cultura totalmente diferente. E vários dos comentários e mensagens que recebo são de brasileiros querendo mudar para a Holanda pelo melhor motivo: o amor, esse louco que vira a vida da gente de cabeça pra baixo.

Eu mesma larguei tudo e vim para cá viver com o meu dutchie, e posso dizer que foi a melhor decisão da minha vida. Mas não tem como negar que amar alguém de uma cultura tão diferente exige jogo de cintura, e algumas dicas sempre ajudam.

* Atenção: aqui a generalização impera, mas claro que todo mundo sabe que cada pessoa é única e isso deve sempre, sempre ser considerado, especialmente quando se fala de relacionamentos amorosos.

Primeiro (e traiçoeiro) ponto a se considerar: aqui igualdade entre os sexos é algo real, e vale para ambos. Nada de macho provedor ou princesa indefesa. A ideia geral é que as mulheres podem e devem fazer o que quiserem: viajar sozinhas, ter o emprego que quiser, o cabelo que quiser. Mas elas também devem pagar as suas contas e assumir as responsabilidades da vida adulta, incluindo serviços manuais e manutenção de bicicletas.

A Cecília conta aqui sobre o amor multicultural

Por outro lado os homens não ajudam na casa, ou com as crianças: eles são adultos e por isso dividem as tarefas, não sendo nada incomum que o homem cozinhe, limpe e ainda cuide dos filhos. Eles dividem também as contas, inclusive de encontros. Sim, pode inclusive ser o primeiro encontro e eles podem querer rachar a conta. E tudo bem, não é falta de interesse ou ser sovina, é que vocês são realmente iguais.

Eu pessoalmente me encontrei nesse ponto, porque um dos meus maiores orgulhos é dividir as contas da casa com meu marido, e saber que ninguém espera menos de mim por ser mulher. Nem eu dele por ele ser homem. Mas sei que é um ponto a se pensar, e porque não, um ponto para desconstrução .

Ainda nesse ponto de igualdade e cobranças, em constraste com a Holanda, a cultura brasileira é bastante ciumenta e possessiva. Na Holanda é muito comum que as pessoas viajem com seus amigos, sem qualquer problema com os parceiros. A liberdade é um direito a ser preservado, e salvo as exceções, o holandeses não são chegados a um drama. A maioria dos que conheço estão em relacionamentos longos, e são tranquilos. Por isso cenas de ciúmes exagerados, cobranças ou ter que pedir autorização para o outro para sair ou o que quer que seja não é algo que a maioria dos holandeses tolera. Você ganha liberdade, mas tem que dar liberdade também.

Sobre compromisso, por algum motivo ainda misterioso para mim, é mais fácil comprar uma casada assinar hipoteca juntos, ter filhos, um empresa ou qualquer outro compromisso enorme do que casar mesmo, de papel passado. Eles até casam, mas geralmente quando já fizeram todas as outras coisas e estão juntos por anos.

O mais comum é ter uma parceria reconhecida (que seria a nossa união estável) justamente pelo lado burocrático e depois de ter a vida toda arranjada o casal se casa – ou não. Muitos dizem que isso acontece pela sociedade ser tão pouco religiosa, outros que é herança dos anos 60 e toda a revolução sexual que aconteceu com intensidade por aqui. Eu acho esquisito mesmo. Na minha singela opinião ter filho com alguém é um compromisso muito maior do que casar, mas enfim… Mais um choque cultural pra lista.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Holanda

(Eu casei, mas foi toda uma negociação até meu marido entender que era algo que fazia sentido para mim e que registrar parceria era uma bobagem para o nosso caso. O que não impediu dele ficar super emocionado no dia )

Ah, e já que a igualdade entre os sexos reina, aqui na hora do flerte a mulherada chega mesmo nos caras.  Eles não tem problema algum com isso, de acordo com minhas amigas solteiras eles ficaram até meio preguiçosos por isso. E depois aqui o povo é direto, então ele pode simplesmente não estar entendendo o que você quer. Então garota, se o seu holandês está enrolando…. chega nele.

E de novo, eles são diretos, algumas vezes num ponto que beira a falta de educação. Eu repito porque é verdade e pode assustar. Mas acredite, isso tem vantagens. Depois de se acostumar, e lembrar mil vezes que não é nada pessoal e a cara metade não fez nada com más intenções , você vai perceber como a vida fica mais fácil com essa política de honestidade acima de tudo. Você sempre sabe a opinião do seu parceiro, sem dúvidas ou suposições. O Brasil tem um estilo de comunicação mais indireto, e por isso a adaptação pode ser um pouco complicada. A minha dica? Não pergunte o que você não quer saber, e não se ofenda com certas perguntas que o seu holandês pode fazer.  Respire fundo e diga a verdade, sem medo. Ele(a) vai entender e pronto. Bem mais simples, não?

(Aliás, uma dica ótima de livro se você está saindo do seu país: The Cultural Map. Fala sobre diferenças culturais em todos os ambientes e me ajudou demais a navegar a sociedade holandesa)

Holandeses são casuais. Isso vale para tudo: a roupa, o jeito de se comunicar, os programas que fazem, e também no romance. Não é muito comum presentes extravagantes, jantares formais, se produzir todo para sair com o amado. Acontece, claro, mas não é comum. Então se a sua garota aparecer de tênis e cabelo molhado, ou seu rapaz propor te encontrar no restaurante e aparecer de bicicleta e jeans… não significa que eles não estão levando as coisas á sério. Eles são o que são, e não esperam anda além de você também, então relaxe a aproveite.

Aliás, eles tem fama de econômicos , para não dizer sovinas. Eu pessoalmente não diria que são pão duros, mas sim que não gastam o dinheiro com bobeira ou por emoção. Aqui é mais fácil ficar na categoria lembrancinhas nos presentes pro amado, e guardar o dinheiro para viajar, ou comprar uma casa com seu amor. Coisas grandes e importantes. E no final, não é que vale a pena?

Não custa relembrar aqui que relacionamentos em si são complicados, sejam com pessoas de nosso país, como de outros. Aqui são apenas alguns pontos de ajustes a serem considerados, mas sempre devemos ter em mente que nada, nem ninguém, é perfeito. O estrangeiro não é um príncipe encantado, nem qualquer país um reino mágico onde tudo é perfeito. O amor pode sim ser recompensador, mas a vida exige, e por isso é importante ter os olhos abertos e saber o que se quer, quando ceder, quando exigir. Não importa onde estamos.

E por fim, onde achar o amor na terra dos tamancos? Eu fiz como a maioria dos casais que conheço: achei na internet, na era pré-Tinder. Mas sei que hoje em dia os aplicativos de namoro imperam, e que os holandeses adoram conversar. Toda precaução é bem vinda, mas sinceramente não acho que conhecer cara a cara seja tão mais seguro assim. Precaução sempre.

Outra dica são grupos como os no Meetup (outro site/aplicativo) onde além de poder achar eventos e atividades para todos os gostos ainda dá pra conhecer gente nova. E depois disso temos a tradicional balada/bar/festa. Sim, o amor pode estar em qualquer lugar, mas temos que dar oportunidades para que ele apareça.

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2 comentários

Fátima Outubro 27, 2019 at 12:41 am

Fernanda, tudo bem? parabéns pelo texto! você sempre consegue nos transmitir um pedacinho holandês a cada colaboração!.
Sou de São Paulo, e me apaixonei por um refugiado Sírio aqui; namoramos e acabamos nos casando no religioso. Ele decidiu ir embora para Holanda, pois possui passaporte Sírio-Palestino, e seu pai já é um imigrante legalizado por lá.
Você pode me ajudar com uma questão, por favor? gostaria de saber, se quando ele estiver com os documentos legais, posso ir e me casar com ele nos 90 dias que tenho como turista.
Estou muito aflita, pois não consigo encontrar nenhuma informação sobre casamento com refugiados lá.
Obrigada!

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valeria soares Outubro 29, 2019 at 1:00 pm

ah, fiquei curiosa! dá uns exemplos aí da “direteza” dos holandeses, conta uns causos….

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