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Hospital na Tailândia – Desvantagens por ser estrangeiro

Hospital na Tailândia – Desvantagens por ser estrangeiro.

Morar num país estrangeiro é sempre muito desafiador. Inúmeras são as dificuldades que passamos por desconhecer as regras do país e como as coisas funcionam de um modo geral. Mas mais desafiador ainda, é quando precisamos contar com o sistema de saúde, sem ao menos podermos nos comunicar de forma clara com médicos e enfermeiros, precisando deixar nossas vidas em mãos de profissionais que acreditamos serem capacitados. Uma experiência que espero nunca mais passar na vida!

No dia 7 de janeiro deste ano, dei entrada no Samitivej Hospital (sede Srinakarin), em Bangkok. Um hospital internacional, de boa reputação entre os estrangeiros que moram na Tailândia. Pelas paredes do hospital há diversos cartazes sobre a colocação no ranking entre os melhores hospitais do mundo. Fui encaminhada a este hospital por orientação do meu seguro de viagem, que me direcionou ao hospital mais próximo de casa, e que atendesse a um fator muito importante para um enfermidade médica: a comunicação. Sendo um hospital internacional, é esperado que toda a equipe médica e funcionários estejam preparados para atender um estrangeiro. É esperado, mas na prática é outra história.

Para mim, pouco importava o ranking do hospital, eu queria apenas que alguém resolvesse o meu problema e tirasse a minha dor. Cólicas renais! Para quem nunca teve cólicas renais, eu desejo que nunca passe pela experiência. Há quem diga que as dores são mais fortes do que a dor do parto! Ainda não passei pela experiência de ser mãe, mas posso dizer que achei que ia morrer, meus batimentos cardíacos marcavam entre 25 e 30 por minuto. Uma pedra no rim direito, que ocasionou infecção no órgão, e seis longos dias de internação, frustração, tristeza e muita dor!

Leia também: Sistema de saúde no Camboja

Meu companheiro (que é tailandês), estava justamente, na mesma época, numa viagem de trabalho à China. Seus pais e familiares que pouco entendem inglês, não puderam me ajudar, mas graças à ajuda de uma amiga que passava uma temporada em minha casa, pude ter uma experiência um “pouco melhor” ou “digna” de um paciente enfermo.

Na Tailândia, a reputação dos serviços de saúde para estrangeiros é muito conhecida entre a comunidade de expatriados. Principalmente por preços excessivos para consultas, exames e procedimentos médicos. Há também a fama de prolongação abusiva de internação, ou seja, estender a internação sem qualquer necessidade.

No meu caso, não sei se aconteceu a prolongação abusiva de internação, pois não tenho muito conhecimento sobre procedimentos médicos deste tipo, mas posso dizer que sofri, sim, o valor excessivo aos procedimentos que passei, já que seis dias de internação, contando com um procedimento médico simples de inserção e remoção de um cateter no canal da uretra, custou no total 300 mil THB, aproximadamente 30 mil reais! Graças ao excelente seguro viagem que adquiri no Brasil, não tive qualquer prejuízo, mas o valor cobrado foi, sim, abusivo e exorbitante para a realidade do que precisei.

Além disso, passei por negligência médica e hospitalar! Devido à minha condição de saúde, o médico sugeriu a inserção do cateter J, que de acordo com ele, eu não sentiria dores quando a pedra saísse, e assim poderia ter alta para voltar para casa. Porém, o inglês do médico era muito pobre e nós (eu e minha amiga) não conseguíamos entender muito o que ele dizia. Por sorte, justamente quando a minha professora de tailandês me visitava, o médico passou para me avaliar, e aí pudemos entender melhor o porquê da necessidade do cateter J. Segundo ele, o procedimento médico era muito simples, rápido e eu não sentiria qualquer dor. Sentindo confiança naquela explicação, marcamos o procedimento para dois dias depois, e ele me visitaria um dia antes para explicar melhor sobre como este procedimento seria feito.

No dia seguinte, o médico não apareceu. Perguntamos por ele e nos disseram que estava de folga. Logo depois, uma enfermeira (que pouco falava inglês) trouxe um documento para eu assinar. Porém, o documento estava em tailandês, e de acordo com ela tratava-se do “Consentimento para operação, procedimento, tratamento ou teste”, ou seja, um documento com instruções sobre o procedimento pelo qual eu passaria. Contestei o fato do documento estar em tailandês e disse que não assinaria. A enfermeira então solicitou a ajuda de uma outra enfermeira, e as duas disseram para eu não me preocupar, pois as anotações do médico estavam em inglês e era isso o que importava. Sem outra alternativa, assinei o documento, mas solicitei à enfermeira que consultasse o médico, pois gostaria de vê-lo antes de passar pelo procedimento.

A inserção do cateter estava agendada para o dia seguinte, às 10 horas da manhã. No dia do procedimento, eu e minha amiga estávamos ansiosas para conversar com o médico, pois até o momento não tínhamos qualquer informação de como exatamente seria o tal procedimento, sabíamos apenas que haveria uma anestesia local. Havíamos lido alguma coisa na internet, mas sem qualquer noção do que realmente aconteceria comigo.

Os enfermeiros vieram me buscar de maca. Perguntei pelo médico e disseram que ele estaria me aguardando na sala cirúrgica. Mais uma vez contestei, eu precisava que, no mínimo, o médico conversasse comigo e me explicasse exatamente como tudo aconteceria. Depois de muita insistência, o médico apareceu na sala de espera e foi ali que fiquei sabendo que ficaria acordada durante todo o procedimento médico. Questionei sobre o “ficar acordada”, já que pelo o que havíamos lido, é aplicado um sedativo na veia para o paciente dormir. Mas ele explicou que não seria necessário, que o procedimento era muito rápido e simples. Disse para eu não me preocupar, que aplicaria uma anestesia local e eu não sentiria nada. Perguntei sobre como seria essa anestesia local, para saber se haveria injeção em algum membro. Resposta negativa, ele apenas respondeu: “Anestesia local”. Diante da situação, fiquei muito nervosa, pois não sabia como seria essa tal anestesia, mas novamente o médico falou para eu não me preocupar, que tudo seria muito rápido.

Parti para o centro cirúrgico. Os enfermeiros amarram minhas pernas e meus braços foram mantidos abertos, para que o equipamento de pressão e controle de batimentos pudessem funcionar. Dando início ao procedimento, lavaram a região e eu senti tudo gelado. Foi quando o médico começou a inserção do cateter que meu pesadelo começou. A tal anestesia local tratava-se apenas de um gel na entrada do canal da uretra, algo como xilocaína. Durante 30 minutos eu gritei, chorei, pedi para pararem. Disse ao médico que estava sentindo muita dor. Ele dava uma risadinha e dizia que estava quase terminando. Enfermeiras diziam para eu respirar fundo, que logo ia passar. Mas ninguém deu qualquer bola para o que eu sentia e passava. A dor foi terrível, e eu pude sentir absolutamente TUDO, do início ao fim!

Quando o procedimento terminou, ainda me deixaram no centro cirúrgico enquanto limpavam tudo. Pedi para voltar para o meu quarto, me sentia agredida e culpada, como se a culpa fosse toda minha por passar por aquilo. Eu havia deixado o médico me ferir, eu havia aceito aquilo, a culpa era minha!

Ao retornar para o quarto, de acordo com a enfermeira, minha amiga conversava com o médico. Ela voltou preocupada, pois num senso de indignação e sarcasmo, o médico havia lhe dito que eu senti dores. Imediatamente solicitamos pela direção do hospital, para darmos queixa sobre o que eu acabava de passar.

No dia seguinte, meu companheiro que já estava de volta à Tailândia, imediatamente solicitou uma reunião com os diretores – contestando a negligência médica e hospitalar. O documento que eu havia assinado em tailandês era de total importância que fosse em inglês, ali constavam informações sobre o procedimento e também sobre a possibilidade de sedativo. O hospital assumiu a culpa, assim como o médico. Pediram desculpas, mas desculpas não suprem a dor que eu senti, muito menos a sensação de culpa e arrependimento.

Para tentar corrigir o erro, ao meu retorno ao hospital para retirada do cateter, foi colocado à minha disposição o acompanhamento de uma das gerentes do hospital. Na retirada, me concederam sedativo, e felizmente não senti e nem vi qualquer coisa.

Enfim, essa foi minha infeliz experiência num hospital da Tailândia. Pode ser que outros tenham tido melhores experiências que a minha, mas eu trouxe meu relato aqui para compartilhar uma realidade que pode acontecer com qualquer um. Uma sugestão, acima de tudo, é realizar um seguro viagem de qualidade, para que possa cobrir os valores exorbitantes que podem ser cobrados em caso de internação hospitalar. Jamais assine documentos que não estejam na língua inglesa. E o mais importante, lute pelos seus direitos! Eu estou buscando meios de processar o hospital por negligência médica e hospitalar.

Uma triste e infeliz experiência, mas com a qual espero aprender…

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5 comentários

Francisco Nobre Março 23, 2018 at 12:25 pm

Barbara, lendo o seu relato, veio-me lágrimas aos olhos. Em meados do ano passado passei pelo mesmo problema, mas no Brasil. Um cálculo no rim direito que ficou preso no canal da urina. Enfim, tive que fazer a litotripsia com colocação do cateter duplo J. Tudo com anestesia, depois de uma semana tirei o cateter também com anestesia. Nada senti. Não consigo imaginar como fizeram isso com você (só uma mente perversa e sádica para fazer isso, tendo os recursos de anestesia a sua disposição), ainda mais em um momento terrível, já que a movimentação da pedra já é sofrimento suficiente.

Resposta
Camila Março 24, 2018 at 4:06 pm

Barbara,
Eu passei por uma situação parecida com a sua quando vivia no Canadá. Estava com pedra no rim, sentindo uma dor insuportável e passei 12 horas esperando por atendimento no hospital, sem sequer um remédio para passar a dor.
E isso aconteceu em um país cujo sistema de saúde é considerado um dos melhores do mundo e no qual eu não tinha problemas de comunicação na língua local.
Não consigo nem imaginar a dor, o desespero e a angústia que você passou. Pelo menos posso te garantir que há um aprendizado enorme com este tipo de situação, você é mais forte do que imagina. Fique bem! 🙂

Resposta
Mariana Abril 25, 2018 at 9:41 pm

Oi Bárbara, estou indo para a Tailândia em julho e gostaria de dicas de seguro saúde. Você poderia fazer um post sobre isso?

Resposta
Liliane Oliveira Abril 26, 2018 at 12:54 pm

Olá Mariana,
A Bárbara Santos parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

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Josué Junho 5, 2018 at 12:57 am

Olá,
Gente viajei para Tailândia em março de 2018, seria a viagem dos sonhos. No entanto, no segundo dia em Bangkok sofri um terrível acidente numa sauna do hotel (caí no piso molhado e o corpo caiu sobre o braço, que fraturou, quebrou em dois pedaços.
Tive sorte, fui para num dos melhores hospitais da cidade e quiçá do país – o BNH Hospital. Teria que me submeter imediatamente à uma cirurgia, pois a fratura ocorreu no húmero, ou seja, o simples gesso não resolveria. Fiquei 36 horas acordado esperando o seguro autorizar a cirurgia, que por sinal foi caríssima, 54.000 Bth, ou o equivalente à 5 vezes o valor cobrado no Brasil. Apesar disso tive muita sorte, porque o hospital é de 1o nível, equipe médica fala bem inglês (melhor que eu eheheh)… Mas a lição que fica é: nunca viaje sem um bom seguro saúde! tente não economizar nesse quesito, porque se vc precisar dele e não tiver, vc estará muito encrencado.

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