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Incêndios em Nova Iorque

Incêndios em Nova Iorque

Incêndios em Nova Iorque.

Se tem uma cidade que está preparada para incêndios no mundo, esta é Nova Iorque. Em quase todos os apartamentos, há um sistema de alarme que indica níveis de fumaça (monóxido de carbono) excessivos. Não raro, eu mesma disparo, sem querer, o alarme de casa enquanto estou cozinhando.

Se frito um bife ou asso um bolo, por exemplo, e esqueço de ligar o exaustor, uma voz eletrônica começa a me falar em inglês e em espanhol, diante da ligeira fumaça: “Fire, fire! Exit now! Incendio, incendio! Salga ahora!” (Fogo, fogo! Saia agora!).

Pulei de susto quando ouvi esta voz pela primeira vez. Várias vezes pensei que poderia, eu mesma, entrar em combustão espontânea só pelo sobressalto que levo ao ouvir o alarme falar. Isso para não mencionar o pavor que sinto quando o moço fala de madrugada, avisando para trocar a  bateria.

Quando são acionados através do famoso 911, os bombeiros chegam, geralmente, em menos de cinco minutos ao local. Exatamente como a Polícia daqui, que parece brotar do solo. Várias vezes cogitei a existência de escritórios subterrâneos pela chegada tão veloz. Mas, logo me lembro como as sirenes aqui são tão ensurdecedoras que seria impossível não deixá-los passar.

Este fim de semana, um incêndio – causado por um curto circuito – atingiu um dos apartamentos do edifício onde moro, no último andar. Não houve feridos. O morador tinha ido levar o cachorro para passear na hora em que o fogo começou.

Segundo o rapaz, o passeio durou menos de 15 minutos. Mas isso foi suficiente para que: o fogo se espalhasse por toda a casa; para que uma dezena de carros de bombeiros e ambulâncias chegasse; para que uns 30 bombeiros bloqueassem as ruas próximas, subissem com uma mangueira do térreo ao sexto andar; para que duas escadas Magirus levassem bombeiros ao teto; para que os bombeiros fizessem um buraco no teto do prédio para o apartamento em chamas; e, pasmem, para que eles instalassem uma tendinha com refrescos para si mesmos no meio da rua. Ufa.

Foto: Pixabay

É impressionante a capacidade de organização dos bombeiros de Nova Iorque. Em pouco tempo, o fogo foi controlado e nós, moradores, pudemos retornar aos apartamentos.

Quem perde a casa por causa do fogo, pode contar com a ajuda da Cruz Vermelha local, que dá suporte e abrigo. Ter um seguro contra incêndio é algo comum por aqui e aconselhável. Pode variar entre US$ 600 dólares a US$ 2 mil dólares por ano. Neste caso, o seguro paga noites de hotel enquanto você busca outro lugar para morar. 

Conhecer alguém que perdeu a casa por causa de um incêndio não é difícil. Moro aqui há um ano e dois meses e já encontrei duas pessoas com a mesma história. Aqui tem muito prédio velho e ambientes apertados, um convite para incêndios.

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A preocupação com fogo se deve à história de Nova Iorque. Em 1835, um grande incêndio devastou a cidade. Foram 17 quarteirões que ficaram destruídos na parte sul da ilha de Manhattan. Para piorar, foi em dezembro e, os bombeiros, na época, não puderam controlar o fogo rapidamente porque a água das mangueiras havia congelado. Era inverno.

O distrito financeiro, onde fica a famosa Wall Street e a Bolsa de Valores de Nova Iorque, foi reduzido a escombros.

Durante essa época, a cidade crescia e atraía muita gente. Estava superlotada e despreparada para receber tantas pessoas. As fábricas apareciam, mas ofereciam pouca segurança aos seus trabalhadores. Os edifícios ganhavam pisos e mais pisos e se tornavam verdadeiras armadilhas mortais durante um incêndio, que passaram a ser comuns.

Diante de tantas desgraças e mortes, as primeiras regras foram impostas em 1860, quando a cidade ordenou a implementação de uma forma adicional de saídas em prédios com mais de dois andares.

Muitos proprietários não quiseram adicionar escadas no interior dos edifícios. Como a estrutura reduziria a quantidade de espaço para locação e eles perderiam dinheiro, a solução mais simples foi fazer escadas de ferro no exterior. Em caso de incêndio, a fuga poderia ser feita pela janela.

Mas essas escadas não foram (nem são usadas atualmente) apenas como fuga de emergência. Para muitas pessoas, era (e ainda é) tentador transformá-las em uma espécie de extensão da própria casa.

Apesar de a lei dizer que é preciso deixar o local livre, muita gente coloca vasos de plantas, roupas para secar, usa como fumódromo e estúdio para selfies. 

Para muita gente, até hoje, as escadas exteriores funcionam como um respiro para a opressão dos apartamentos velhos e microscópicos da cidade.

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No entanto, grande parte desse emaranhado de ferros no exterior dos edifícios é original do século XIX e não recebe a manutenção devida. Já houve acidentes fatais com pessoas que saíram para fumar nesta “varanda” ou até com aqueles que usaram-na para o seu propósito original: escapar do fogo.

Uma foto icônica de 1975 e muito controversa, mostra o momento em que o jornalista Stanley Forman registra o colapso de uma dessas escadas. Eu uma das fotos, o bombeiro esperava a chegada da escada Magirus ao lado de uma moça e uma criança de dois anos, que tentavam escapar do fogo. No entanto, a escada cedeu e eles caíram.

Ainda é possível ver essas escadas exteriores que até hoje fazem parte da arquitetura dos prédios mais antigos de Nova Iorque. Mas, como a legislação mudou em 1968, o prédios mais modernos não as tem.

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