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Casamentos e tradições na Indonésia

Casamento. Foto: arquivo pessoal.

Casamentos são tradições em todos os cantos do mundo, mas cada cultura tem a suas peculiaridades. Aqui na Indonésia, não somente diferente por ser outro país, mas cada região e cada religião tem a sua forma de celebrar este momento tão especial!

Eu casei aqui, em Bali, mas num casamento nada tradicional… Pode dar uma olhadinha neste link.

Desde que estou morando aqui, fui convidada para dois casamentos. Aconteceram no sábado e no domingo, do mesmo final de semana! Fiquei muito feliz com os convites e quis estar presente nos dois.

Um dos casamentos foi da filha de uma senhora indonésia que já morou no Brasil e conhecemos há pouco tempo atrás. Mesmo sem tanta intimidade, ela fez questão de nos convidar. Pelo jeito isso é comum por aqui, pois o outro convite veio de uma moça que trabalha comigo, mas nunca tive contato com ela fora do trabalho.

Pois é, casamentos aqui são grandes! Muitos convidados com o propósito de apresentar a nova família à sociedade. Normalmente, se convida todo mundo que você conhece e até mesmo quem não conhece, como amigos dos pais, conhecidos, etc. Foi a minha situação, dos quatro noivos do final de semana, eu conhecia pessoalmente apenas uma noiva.

Para começar, pelos convites… Vieram como uma cartolina dura e grossa, com as informações de cerimônia religiosa e recepção. Pelo convite dá para saber se a família é de origem chinesa ou tradicional javanesa (de Central Java), por exemplo. Também é possível descobrir se será um casamento cristão, muçulmano ou de outra religião.

Aqui é obrigatório casar na “igreja” e no cartório, o registro oficial de casamento está conectado com o religioso, ou seja, não é possível casar apenas no civil, você precisa ter uma das cinco religiões oficiais da Indonésia para poder registrar um casamento. São elas: hinduísmo, budismo, confucionismo, islamismo e cristianismo.

Bom, depois que recebi os convites, comecei a pesquisar sobre o que dar de presente para os noivos (já que não tem lista de casamento no convite) e roupa para usar no dia. Aqui, eles são mais conservadores, então eu não queria aparecer lá toda contente, com um vestido que usaria facilmente no Brasil e estar fora do padrão.

Perguntei a uma amiga daqui sobre essas dúvidas e ela me disse que normalmente se dá dinheiro em um envelope, e que o valor depende da sua afinidade com o casal (a partir de 200 mil rúpias indonésias). Normalmente, quando você não é tão próximo dos noivos, é recomendado aparecer apenas na recepção, já que a cerimônia é algo mais íntimo, para amigos próximos e familiares.

Quanto à roupa, ela me sugeriu vestir batik. O batik é um estilo de pintura em tecido bem tradicional, desenhado à mão, com contornos e figuras feitos com cera de abelha e mergulhados em seguida na tinta colorida. Não achei nada mal, pois existem uns muito bonitos e estilosos!

Pronto! Com tudo em mente, estava apenas no aguardo do (s) grande (s) dia (s).

No sábado, a recepção seria na hora do almoço, num local aberto próximo à casa dos pais do casal. Casamento da minha colega de trabalho, muçulmano javanês. Lá fomos nós!

Quando chegamos, escrevi meu nome num livro na entrada e então já recebi a lembrança do casamento. Atravessamos a área entre a banda e os convidados, num tapete vermelho e fomos cumprimentar os noivos e seus pais. Entreguei o envelope com o dinheiro para a minha amiga (mas na verdade, era só eu ter colocado numa caixinha ao subir no palco).

Tradição Javanesa: os pais dos noivos ficam sentados nas laterais do palco / altar, enquanto os próprios noivos ocupam a posição central, recebendo todos os convidados, durante praticamente a recepção inteira. Os noivos estavam lindos, com roupas tradicionais e uma maquiagem super diferente, parecia até que iam se apresentar num espetáculo de dança. Os pais dos noivos estavam com as mesmas roupas entre eles, as mães vestidas em kebaya dourada e sarong de batik marrom e os pais de terno, com a mesma sarong.

Em seguida, fomos comer. Um buffet de comida local preparado pelos vizinhos e familiares nos aguardava. Para beber: água. Não tem mesa para os convidados, apenas cadeiras, portanto comemos com o prato no colo e assistimos um pouco da banda e das danças que estavam acontecendo.

Depois de um tempo sentados, mais alguns colegas de trabalho chegaram, tiramos uma foto com os noivos e nos despedimos. O processo todo não durou mais do que uma hora para nós, mas para eles é um dia inteiro recepcionando convidados.

No dia seguinte, a recepção aconteceu no jantar, num espaço de eventos de um bairro mais nobre. Casamento cristão, não tão tradicional. Vamos lá!

Como não conhecíamos os noivos, já cheguei passando carão. Mesma coisa que o outro, escrevi meu nome num livro, deixei o envelope na caixinha e já recebi a lembrança do casamento. Cumprimentamos um casal na porta, que eu acreditei serem os noivos, mas na verdade era a irmã da noiva (que vergonha).

Entramos e ficamos conversando um pouco com a mãe da noiva e mais uma brasileira (as únicas pessoas que conhecíamos no local). O espaço era muito bonito, com três ambientes diferentes e móveis de madeira maciça, bem estilo javanês. Mais ou menos uma hora depois, anunciaram a chegada dos noivos.

Eles entraram, como numa cerimônia de casamento na igreja, pelo meio do salão. A noiva de longo, em dourado. Junto com os pais e familiares, sentaram-se no altar. Houve um pequeno discurso religioso, sobre a nova família que ali se oficializava e logo em seguida foi a hora de cortar o bolo.

Casamento moderno – Foto: arquivo pessoal.

Trouxeram uma mesa com o bolo e foi uma etapa muito bonita da noite. Apesar de estarem falando tudo em indonésio e eu ainda não dominar a língua, foi muito legal. Eles cortaram juntos os três andares de bolo, o pequeno e primeiro de todos, representando os filhos e o futuro, o segundo, a união e saúde do casal e o terceiro, a base familiar, suas origens e seu passado.

Então, a noiva serviu um pedaço de bolo na boca do noivo, e vice-versa. Em seguida, fizeram o mesmo com os sogros. Finalizaram com um pedaço que comeram juntos, bem pequenino, onde acabaram se beijando. Nada convencional para se fazer em público por essas bandas! Depois, voltaram ao altar e foi a mesma coisa do dia anterior: fomos cumprimentá-los, comemos, bebemos água (e suco), ouvimos a banda tocar e fomos embora.

Tradições diferentes das nossas, mas muito bonitas e, no fundo, com o mesmo significado: dois se tornando um, criando uma nova família na base do amor, respeito e união. Uma experiência incrível fazer parte de um momento tão especial na vida de duas pessoas.

Espero que tenham gostado! Até a próxima!

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