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Kraamzorg, a enfermeira da maternidade na Holanda

Kraamzorg, a enfermeira da maternidade na Holanda.

Aqui na Holanda, existe algo chamado de kraamzorg, que pode ser traduzido como enfermeira da maternidade – nada mais é que a pessoa enviada à sua casa para ajudar nos primeiros dias com o recém nascido, independente de ser ou não o primeiro filho. Essa pessoa, geralmente tem uma série de certificados para poder prestar esse serviço, como, por exemplo, certificado no setor de cuidados da saúde, certificado em amamentação, certificado em primeiro socorros, dentre outros.

Esse serviço é oferecido pelo governo holandês a todas as famílias no país – dá direito a 49 horas de atendimento divididos em 8 dias. No meu caso, como meu parto foi cesária, tive direito a 10 dias. O tempo de serviço, pode variar se houver complicações no parto ou se a família precisar ficar no hospital. Mas tudo é analisando antes, durante e depois. O plano de saúde, obrigatório na Holanda, cobre quase que todos os custos com os serviços da enfermeira da maternidade, além do valor de €4,30 (quatro euros e trinta centavos) cobrado por hora.

É a família que escolhe a agência de enfermeiras ou a enfermeira, no caso daquelas que trabalham sozinhas. Na maioria das vezes, a própria parteira sugere agências que têm parceria, mas não é obrigatório, a mãe tem total direito de escolha. Eu escolhi a que me foi sugerida e ficamos muito satisfeitos. Esse contato é feito no início da gravidez e é possível solicitar que a mesma fale inglês ao contratar os serviços. Considerando que a maioria dos holandeses falam inglês muito bem, o idioma não é um grande problema.

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O primeiro encontro com a agência/enfermeira é por volta do sétimo mês de gestação. Vale lembrar, que no caso das agências, quem vai a sua casa é um representante, pois eles não sabem dizer de antemão, quem será a enfermeira disponível no dia, já que não se tem como saber qual o dia do nascimento da criança (aqui na Holanda, mais de 80% dos partos realizados são normais). No meu caso, o representante da agência veio em nossa casa para uma conversa. O foco é realmente conhecer um pouco a família, saber qual é a expectativa dos pais e explicar sobre o trabalho da profissional. O representante leva também uma lista de coisas que precisariam estar prontas para a chegada da criança e para a realização do trabalho da enfermeira. Algumas coisas, até mesmo por diferenças culturais, fiz diferente, mas nada que afetasse a segurança da minha filha.

Me lembro de ter usado uma fralda de tamanho normal para colocar minha filha para arrotar e a enfermeira, meio que reclamou pelo fato de eu não ter um pano específico para isso – um tipo de fralda menor. Também tinha essas almofadas de colocar como apoio, que toda criança tem no Brasil para se deitar de lado, digamos que a almofada não foi muito bem recebida na Holanda. Outra coisa, foi uma garrafa com água quente que colocam no berço para esquentar a criança (eles pedem duas delas na lista da enfermeira), mas eu tinha duas amigas que tiveram um acidente com essa garrafa, por isso, me recusei a deixá-la no berço. Colocava a garrafa para esquentar a cama e quando colocava a minha filha no berço, tirava. Acho que mesmo sem concordar com algumas das minhas escolhas, a enfermeira não interferiu ou me obrigou a fazer nada que eu não quisesse, o saldo foi somente positivo.  

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O trabalho da enfermeira começa efetivamente depois do parto. Há casos em que ela ajuda a parteira durante o parto, mas somente quando o mesmo acontece em casa. No caso do parto normal ou cesária realizado no hospital, o serviço da enfermeira começa no dia em que a mãe e a criança recebem alta. Ela começa no mesmo dia que a família vai para casa e, se for durante a noite, ela irá para casa dos papais na manhã seguinte. A ideia é que a família fique com a mesma enfermeira durante todo o período, mas é lógico que pode acontecer algum imprevisto e se for preciso, mudar a profissional.

O trabalho essencial da enfermeira da maternidade é:

  • Monitorar mãe e filho nos cuidados básicos, como: tirar temperatura; medir a pressão;  pesar; e cuidar de pontos, quando é o caso;
  • Informar e ajudar a família nos cuidados da criança como: amamentação, banho, troca de roupa e verificar se o ambiente é seguro para a criança dormir. Aqui, eles são muitos cuidadosos com relação aos fatores que podem estar relacionados a morte súbita;
  • Manter a higiene básica para mãe e filho;
  • Contato durante esses primeiros dias que são bem delicados com a parteira, reportando qualquer coisa fora do normal para antecipar um qualquer problema;
  • Tarefas domésticas, como: lavar e passar roupa, passar aspirador, manter os ambientes limpos e até mesmo cozinhar. Nota-se, que essas tarefas são secundárias aos cuidados com a saúde da mãe e do filho. Ela só é cumprida, quando há tempo para a mesma;
  • Ajuda a tomar conta dos outros integrantes da família, quando há outras crianças ou até mesmo o papai. A nossa, sempre lembrava o meu marido de comer alguma coisa também para continuar em pé.
  • Leia também: sistema de saúde na Holanda

Acontecendo algum problema entre a família e a enfermeira, é possível solicitar a agência uma substituição. Lógico que tudo vai depender da disponibilidade. Já vi casos de mudanças sendo feitas no mesmo dia, e em outros, a família teve que esperar um ou dois dias para receber uma nova pessoa.

Se um serviço desse já é maravilhoso para qualquer mãe – quem é mãe sabe a dureza que é a primeira semana com um recém-nascido, imagina para nós estrangeiras, sem ajuda de familiares. Em um momento tão delicado, em que tudo é novo e ainda precisamos lidar com as diferenças culturais, ter um suporte desse tipo é muito importante. Para mim, foi importantíssimo. Enquanto eu e meu marido focávamos naquele pequeno ser, tinha alguém garantindo que todo o resto estava funcionando bem.

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2 comentários

Carolina Vitti Setembro 29, 2018 at 6:12 pm

Olá Me chamo Carolina
Amo esse blog
Poderiam me tirar uma dúvida ?
Pretendo morar na Holanda futuramente
Sou estudante de enfermagem
Caso eu vá morar na Holanda já formada como enfermeira Obstetra eu consigo validar isso?
Sei que terei que fazer um curso para me adequar ao modelo de assistência holandês mas queria saber se consigo fazer isso sem ter que fazer a faculdade de Midwife de 4 anos

Resposta
Liliane Oliveira Setembro 30, 2018 at 3:24 pm

Olá Carolina,
A Priscilla Sobral parou de colaborar conosco, mas temos outras colunistas a Holanda que talvez possam te ajudar.
Você pode entrar em contato com elas deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

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