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Dicas para viajar sozinha

Lições de um ano sabático

Lições de um ano sabático.

Ao me propor viajar fora do Brasil por um ano, nunca imaginei o quanto realmente somos capazes de mudar nossas vidas e consequentemente quem somos através das experiências que acumulamos num pequeno espaço de tempo, de aproximadamente 360 dias. A sensação que tenho é de ter voltado ao tempo, e estar descobrindo a vida como uma criança, que através do acúmulo de experiências vai moldando quem é, mas desta vez com a consciência e real possibilidade de poder ser e viver como eu quiser!

Tratar-se de um processo quase meditativo em vários aspectos, afinal, o tempo reservado para pensar sobre mim e minhas escolhas de vida ganhou espaço central durante a viagem, fazendo com que cada experiência vivida fosse minuciosamente digerida e desconstruída, servindo de lição para um próximo ‘obstáculo’, e contabilizando mudanças e adaptações no meu estilo de vida, que já mudou drasticamente e continua em constante adaptação diariamente.

De um tempo pra cá, até mesmo minhas motivações para iniciar este processo já mudaram de significado, desde estarem estreitamente alinhadas a realização de um sonho, ou a desestressar da correria de trabalhar demais, até entender que na verdade este espaço era mais que necessário para que eu repensasse meus ideais sobre a vida, e entendesse melhor como me relacionar com tudo a minha volta de uma maneira mais alinhada com o futuro que eu quero para mim e para o mundo.

Leia também: Como é viajar sozinha pela Turquia

Lições de um ano sabático

Durante a viagem conheci muita gente,  passei por diversas fases e muitos perrengues, que me mostraram apenas que não há com o que se preocupar, tudo que acontece, inclusive os perrengues, fazem parte do processo, e estão aí para nos ensinar algo sobre nosso futuro, a grande maravilha inclusive, é saber olhar para os acontecimentos como parte integrante desse processo, e tirar deles as melhores lições práticas sobre a vida, que dentre muitas poderia citar:

  • Não fazer as mesmas coisas todos os dias, e se fizer, que sejam sempre bem-feitas. Se for pra fazer algo, faça o seu melhor, senão nem faça. Aprendi que tudo que nos propomos a fazer deve estar alinhado à nossa intenção, e que essa deve ser sempre a mais positiva possível!
  • Quanto mais pessoas conhecemos pelo caminho, mais rica nossa experiência se torna. O poder das trocas nos torna mais preparados, e faz com que nossos encontros ganhem mais significados.
  • Fazer coisas sozinha pode ser a melhor alternativa possível. Aproveite sua própria companhia, deixe de lado o celular, aprenda novas coisas, prove novos sabores, viva de maneira simples e esteja presente, sua própria companhia deve ser bem vivida!
  • Fazer planos para o futuro. Coloque em mente suas prioridades, e vá alimentando-as com incentivos diários, nossas ideias são como combustível, guiam e impulsionam nossos caminhos.
  • Estar sempre aprendendo algo, nem que seja uma nova palavra por dia.
  • Arriscar-se, o “não” a gente já tem, vamos sempre em busca do “sim”!
  • Seja atencioso, gentil e cuidadoso com as pessoas, não custa nada e é um exercício incrível de empatia!
  • Na dúvida, opte sempre pela confiança no melhor, isso te acalmará e, caso algo não saia como o esperado, entenda que talvez fosse esse o melhor.
  • Entenda que tudo está em processo de mudança, sendo assim seus laços com coisas e pessoas serão naturalmente impactados, esteja consciente e tenha paciência para compreender que nem todos seguirão sempre ao seu lado.

Hoje sinto o quão diferente estou da pessoa que saiu do Brasil, e o quanto na verdade está em nossas mãos colocarmo-nos como protagonistas em nossas vidas, e fazermos as mudanças necessárias para alcançarmos algo que seja importante para nós.

Estar um ano fora da minha zona de conforto, me ajudou a acelerar processos de desapego, amor próprio, cuidados com  o bem estar e autoconhecimento, que hoje sei que necessitavam uma atenção que somente uma experiência parecida com esta poderia me proporcionar, afinal, há muito tempo não me concentrava em mim mesma e nas coisas que realmente eram importantes para mim.

Tem sido interessante durante este processo também observar como algumas pessoas e pequenos atos ganham mais significados quando estamos distantes, e claramente, como também algumas pessoas e coisas vão ficando pelo caminho, o bonito disso tudo é apenas observar e sentir este fluxo natural, sem buscar plena compreensão, apenas aceitando a transitoriedade da vida.

É claro que se trata de um processo que na verdade não tem fim, mas que agora tenho a certeza viver em mim todas as ferramentas para aprimorar tais processos e muitos outros que estão a caminho.

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