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Meus primeiros seis meses em Nova Iorque

Meus primeiros seis meses em Nova Iorque e os truques para não passar perrengue por aqui.

Quando as primeiras conversas sobre morar em NY começaram a pipocar na minha casa (por volta de maio de 2018), ponderei qual seria o melhor mês para a mudança e cheguei à conclusão de que não seria bom chegar no inverno.

Não parecia promissor procurar apartamento e resolver várias burocracias na rua com neve no ombro.

Chegamos a um acordo com a empresa da minha esposa e fizemos a mudança no primeiro dia de setembro. A saída do Brasil foi um capítulo (nesse caso, um artigo) à parte.

Sou do Rio de Janeiro, mas já estava há 4 anos e meio em São Paulo, portanto bem mais acostumada a temperaturas amenas e bem menos tolerante ao calor.

Chegamos em NY na última semana do verão e as sensações térmicas ainda estavam parecidas com as do Rio. Muito calor e suor.

Não costumo lembrar de sensações térmicas, então, setembro em NY, pra mim, foi “o maior calor que eu já senti na minha vida”. Bem dramática. Conscientemente eu sei que não, mas a sensação era essa.

Foi uma fase que eu estava muito dividida entre querer explorar a cidade e planejar meus projetos para os meses frios.

Leia também: Tudo o que você precisa saber para morar nos EUA

Andei o máximo que pude por Manhattan, saboreando as vantagens de voltar a viver numa cidade plana.

Foto: Arquivo pessoal

Lembro que voltava com a roupa molhada e a frase “nunca suei tanto na vida” saía constantemente da minha boca.

Eu pegava ônibus no verão carioca. Já devo ter suado bem mais na vida, mas como escrevi antes: não sou boa de guardar essas memórias.

Fomos resolvendo as burocracias e eu fui pegando as “manhas” de morar aqui. Uma das primeiras coisas que tive que me acostumar foi com o imposto que não vem embutido no valor do produto.

Funciona assim: na gôndola do mercado um biscoito custa um dólar, quando você passa esse produto no caixa, ele calcula o valor do imposto e no final você paga US$1,09 mais ou menos. E é assim em todos os lugares, do restaurante à loja da Apple.

Mobiliar a casa sem as referências das lojas daqui também foi bem desafiador. Eu gosto muito de assistir TV e acabava anotando o nome das lojas que via nas propagandas, pegava indicação dos amigos e passava horas na internet procurando móveis para a casa.

Descobri que o estilo deles é bem diferente do que eu imaginava para a minha casa, então foram muitas horas de pesquisa antes de ter todos os móveis.

Uma dica para fazer compras nos EUA, em geral: tem cupom para tudo!  Vale pesquisar por cupons antes de comprar qualquer coisa.

Escrevi sobre compras baratas em NY e listei algumas lojas de acessórios para casa. Posso fazer um artigo só sobre lojas de móveis se for do interesse de vocês. É só deixar um pedido nos comentários.

Se você acha o Brasil burocrático e caro, eu tenho uma notícia: aqui também é!

Para tudo tem um formulário a ser preenchido e uma taxa a ser paga. Todos os serviços que precisam do governo, envolvem alguns formulários e, várias vezes, até correio. Bem vintage.

E nem vá pensando que rola jogar um charme. As pessoas aqui seguem as regras cegamente, não tem jeitinho brasileiro que funcione.

O metrô nova-iorquino também tem seus truques. Eu já tinha viajado para a Europa algumas vezes antes de vir morar aqui e por causa de uma vozinha pretensiosa que sussurrava na minha mente que dizia que “metrô é igual no mundo inteiro”, eu fui parar do outro lado da cidade e levei uma hora e meia pra chegar em casa. Águas passadas, pegadinha aprendida.

Muitas estações têm entradas separadas para downtown e uptown. Está escrito na entrada, antes de descer a escada, mas às vezes eu só percebo quando já tá estou na catraca e, como muitas estações não têm escada rolante, esse pequeno erro significa subir e descer tudo de novo.

No inverno isso é especialmente desagradável porque as camadas de roupa pesam bastante. O truque é ficar atenta.

Leia também: Uma crônica do metrô de Nova Iorque

Temperaturas extremas em NY: quais meses evitar?

O inverno foi especialmente difícil para mim. Ainda sem emprego, não precisava sair de casa todos os dias e a sensação de isolamento bateu forte depois de uma gripe que me pegou de jeito.

Tentei seguir com o podcast e começar a aplicar para trabalhos, mas essas atividades não preenchiam toda a minha semana e o frio me dava muita preguiça de sair. Foi sufocante.

São seis meses frios. O outono começa com temperaturas mais amenas, mas em novembro já estava nevando.

Escrevi aqui sobre a minha virada de ano e depois disso foi ladeira abaixo, tiraram todas as decorações de natal, o sol se punha por volta das 16h e a sensação térmica em janeiro e fevereiro chegou a – 21ºC. Frio real/oficial. Bem desagradável.

Em teoria, o inverno termina no dia 21 de março, mas até meados de abril as temperaturas não chegavam aos 20ºC. Contaram? Seis meses certinho de baixas temperaturas. É cansativo.

Americanos são mais frios, em geral, e nova-iorquinos são mais estúpidos. Mesmo.

Morar aqui é como morar no Rio de Janeiro. Tudo é supervalorizado, caro, concorrido e está sempre lotado.

Não é difícil fazer um garçom te atender, mas é quase impossível que ele te mostre um sorriso, mesmo assim é muito mal visto não pagar 15% (ou mais) de gorjeta.

Sem falar que é costume que eles tragam a conta sem você pedir. Cada um vê isso de um jeito, tem gente que vê como sinônimo de eficiência, pra mim é uma maneira nada sutil de dizer: se não está consumindo, libere a mesa!

Acho que, de certa maneira, São Paulo me mimou com a simpatia, os preços (quase sempre) justos e a temperatura amena.

Depois de tanto tempo morando lá, eu já tinha a “minha turma”, o que envolve amigos, bairros, passeios e restaurantes favoritos. E me desapegar disso tudo para mudar (de novo) foi bem chato.

Eu já escrevi que Nova Iorque costuma nos pregar peças. A gente acha que está em casa porque tudo parece familiar de tanto que vimos Nova Iorque nos filmes, mas como vocês puderam ler: a realidade é um pouco menos glamourosa.

Espero que meus textos ajudem quem mora aqui ou quem quiser vir passear. Ficarei feliz em responder dúvidas nos comentários e aceito sugestões de temas.

Beijos e até o mês que vem! 

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2 comentários

Marlise Lehner Maio 10, 2019 at 8:56 pm

Adoro seus posts, Lari. Fique por aí muito tempo. Ainda quero ir para NY e ter você como guia. Bjs/Marlise

Resposta
Larissa Rinaldi Maio 10, 2019 at 9:10 pm

Eeee obrigada, Marlise! Estou esperando você.

Bjssss.

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