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Entrevistas México

Ediane Tenório, diretora executiva da FUCAPS

Há alguns anos, o que motivava a maioria dos imigrantes a viver no exterior era a busca por aventuras, novas experiências, aprender idiomas e bons salários por serviços gerais, se comparados aos salários oferecidos no Brasil. Mas, no decorrer dos anos, a busca por um novo país para viver tem se tornado cada vez mais crescente por diferentes motivos. Antes, buscava-se mais pelos países de primeiro mundo que ofereciam melhores condições financeiras, qualidade de vida etc.  Atualmente, o leque tem se estendido e muitos encontram excelentes ofertas de trabalho e alcançam êxito profissional em países onde a economia se assemelha a do Brasil.

Não sou nenhuma especialista no assunto, mas nestes 5 anos em que moro fora, conheci muitos brasileiros ou pessoas de outras nacionalidades que também são imigrantes trabalhando (ou tentando). Pude entender que o caminho não é de rosas como muitos imaginam ou criam expectativas, não é nada fácil. É preciso passar por um longo processo que pode durar meses ou anos, começando pela adaptação ao idioma e a cultura local. Mas algo é certo: quem se esforça alcança!

Hoje eu trago não só o exemplo de alguém que trabalha no exterior, mas de uma MULHER que é destaque profissional em sua área.

Ediane Tenório, nascida no Rio de Janeiro, vive atualmente na cidade de Querétaro, México. Formada em administração de empresas com especialização em gestão ambiental, cedeu uma pequena entrevista para esta colaboradora que vos fala:

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BPM: Quais foram seus trabalhos anteriores?

EDIANE: No Brasil, basicamente trabalhei na área comercial de diferentes empresas (Meritia Mobile, AcadCorp) e como presidente da empresa júnior na faculdade. Mas minha experiência laboral mais significativa e sólida foi desenvolvida aqui no México.

BPM: Como surgiu a opção México em sua vida?

EDIANE: Cheguei no México em 2009, casada com um mexicano. Inicialmente não tinha planos para voltar a trabalhar, já que meu filho tinha 1 ano e meio ainda. Mas, por uma questão pessoal, resolvi buscar trabalho e vi uma oportunidade para dar aulas de português. A diretora da escola de idiomas me recomendou ao seu esposo, que por sua vez me recomendou  àquele que seria meu chefe até dezembro de 2014, quando novamente dei uma pausa no trabalho para receber meu segundo filho.

BPM: Atualmente qual é o seu trabalho?

EDIANE: Atualmente sou Diretora Executiva da FUCAPS, Fundación de Capacitación para Contratistas y Prestadores de Servicios. É uma fundação dedicada a desenvolver capacitação especializada e promover a profissionalização no setor de serviços de Facilities no México. Esse projeto surgiu quando eu ainda era Gerente Comercial no Grupo Noddo, uma empresa mexicana que fatura atualmente mais de $70 milhões de pesos, sendo os principais negócios limpeza e manutenção. Quando comecei em 2009, a empresa tinha 300 trabalhadores, passando em dezembro de 2013 para um total de 1200. Buscávamos sempre nos diferenciar da concorrência, seja por meio de certificados de qualidade de serviço ou chancelas internacionais. Dessa forma nasceu a AMCPSI, Associação Mexicana de Contratistas e Prestadores de Serviços, uma associação civil que representa o México ante a WFBSC (World Federation of Buidilng Service Contractors). Fui diretora de ambas ACs de dezembro de 2013 a dezembro de 2014.

BPM: Quais as principais diferenças que você encontrou na sua área de trabalho com relação Brasil x México?

EDIANE: No México as Associações Civis devem fazer um trabalho de posicionamento e conscientização da importância de agrupar-se como setor, cumprindo seu papel de promover políticas e novos processos de trabalho, além do networking natural entre seus membros. No Brasil, justo tomamos conhecimento dessa diferença, porque ao fazer benchmarking de uma associação de Curitiba (FACOP – Fundação de Asseio e Conservação do Paraná), percebemos que a forma de se organizar lá era por meio de sindicatos e, esses, por sua vez, pela estrutura e figura legal, já interferiam diretamente nas diretrizes políticas e fiscais, com seu próprio orçamento derivado de taxas praticamente obrigatórias, pagas pelas empresas que são afiliadas. Lá, e em outros países como Estados Unidos, Espanha e Japão, por exemplo, para empresas participarem de processos de licitação, elas devem pertencer a uma associação do setor. Aqui no México ainda estamos em fase de apresentação de proposta para as câmaras de indústria e órgãos de governo.

BPM: Quais seus planos para o futuro na sua profissão?

EDIANE: Meu objetivo neste momento é consolidar a fundação e posicioná-la como a melhor instituição de capacitação em processos de limpeza e manutenção no país. Além de conscientizar as indústrias para a importância da limpeza, evitando assim a contaminação cruzada e até brotes de doenças, como foi o H1N1 em 2008.

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Foto: Com Sean Stephenson, palestrante motivacional que participou na convenção mundial da WFBSC em NY, abril 2014.

BPM: Se pudesse dar um conselho para outras MULHERES que queiram se destacar profissionalmente no México, o que diria?

EDIANE: Não só como mulher, mãe e brasileira, mas principalmente como empreendedora, aconselho às demais profissionais que busquem de que maneira podem se diferenciar nas suas empresas com técnicas ou conhecimentos adquiridos no Brasil. Nosso país é muito desenvolvido nessa questão de empreendedorismo e é possível encontrar inúmeros casos de inovação em várias áreas, desde biotecnologia, alimentos, administração de negócios, franquias, associativismo, enfim, uma infinidade de negócios e ideias que podem facilmente ser replicados aqui no país. E também que não se limitem por causa do idioma, que sigam aperfeiçoando seu “core business”, ou seja, aquilo em que vocês são destaque, e que o seu nível de espanhol não lhes dê medo nem vergonha, mas que se esforcem para falar um espanhol correto cada dia mais.

Eu li em algum lugar, não lembro onde e nem quem fez a citação, mas estou redondamente de acordo:

“Atrás de uma mulher de sucesso, está ela mesma.”

Fotos acervo pessoal de Ediane Tenório.

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