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Cadê o Natal na Arábia Saudita?

Fim de ano chegando, aquele clima gostoso, enfeites, festas de fim de ano, pinheirinhos, luzes e… OPA! Estamos na Arábia Saudita e aqui não tem Natal!

Então, não tem nada nas ruas que nos faça lembrar que o ano está chegando ao fim. É difícil encontrar objetos de decoração de natal, mas não impossível. Pois mesmo sendo proibido manifestar qualquer celebração de outra religião que não seja a muçulmana, ainda assim tem lugares que vendem alguma coisinha assim… que lembre vagamente o Natal. (Eu comprei um prato em forma de pinheirinho numa loja bem típica árabe. Afinal, é só um pinheirinho não é?)

Já a vida dentro dos condomínios, onde moram somente os estrangeiros, permite que a data não passe em branco. Amigos se reúnem, quem trouxe seus enfeites do Brasil se esmera em decorar, pratos típicos e pronto: temos uma pequena festa de Natal à vista. Outros tantos programam suas férias pra passar esse momento bem longe daqui. Mas como não é uma época de festas, as empresas não param e nem sempre tirar férias é possível.

Este ano vai ser meu primeiro Natal aqui em Saudi e eu sinto falta das musiquinhas natalinas tocando em todos os lugares. Passei o ano reunindo ideias de decoração, e espero que pelo menos consiga trazer um toque de festa para casa.

E como eu não sou a única que sente falta disso, e temos uma comunidade brasileira muito unida por aqui, convidei algumas amigas a compartilharem seus sentimentos quanto à essa data no post de hoje. Como nem tudo são flores e as experiências são muito pessoais, nos momentos em que bate a saudade, as pessoas reagem de forma diferente. Para uns é muito mais doloroso que para outros. Então convido você a ler os relatos sem julgamentos, pois o intuito é somente compartilhar algumas linhas com vocês honestamente, cada uma do seu jeito.

A Jacira Normand de Al Khobar diz que é super estranho, pois você nem se dá conta de que as festas estão chegando, e só percebe mesmo com as postagens dos amigos no Facebook celebrando o Natal.

“Quando eu me mudei pra Saudi, foi exatamente dois dias antes do Natal de 2014. Cheguei muito cansada da viagem e acabei esquecendo que era Natal, até que vi no Facebook as pessoas enviando mensagens umas às outras. Foi então que me dei conta de que não tinha feito compras para ter uma bela ceia em família, já que não via o meu marido havia dois meses. Resolvemos ir ao supermercado no dia 24, e qual não foi minha surpresa? Não havia peru, chester, nada, nadica de nada. Então resolvemos comprar um mini frango e fizemos uma ceia completamente improvisada. Tínhamos a árvore de Natal que meu marido comprou, era também o primeiro Natal da nossa filha, e meu marido teve que dormir cedo pois tinha trabalho no dia seguinte.”

A Lenira Bonavides, que mora em Dhahran, também já passou o Natal por aqui e achou um pouco complicado, porque no condomínio em que ela reside é proibido colocar enfeites e luzes do lado de fora da casa; porém, dentro de casa, ela consegue decorar e dar um toque natalino. Quanto aos pratos típicos da ceia, ela conta que consegue improvisar trazendo alguns ingredientes de fora.

Mas apesar desses entraves ela finaliza:

“Acho a experiência de morar por aqui válida; as lições aprendidas ficarão para sempre. Tanto as amizades que fiz por aqui, quanto o país em si, todo o aprendizado tem valido a pena até agora”

Já para a Stella Sampaio Amorim de Oliveira, de Jubail, passar o Natal por aqui foi um tanto triste. Ela sentiu muita falta da família reunida para a ceia, e do sentido do Natal. A Stella contou que a diferença cultural é muito contrastante nesse momento, e que o Natal por aqui não tem o mesmo encanto. Eles passaram o Natal de 2015 com amigos do condomínio, fazendo uma ceia, mas ela espera passar os próximos natais em outros lugares.

“Fiquei com um vazio enorme… Sentindo falta da minha família, da nossa ceia, das nossas comidas, da árvore de natal, do sentido da vida, dos olhares, dos abraços, dos sorrisos, da boa música, do amor… De todos e de tudo.”

Assim como eu, a Cleide Fernandes, de Jubail, também nunca passou um Natal por aqui, mas deixa o recado:

“Creio que temos várias famílias, entre essas a de brasileiros. Esta necessidade de pertencer a algum lugar com sua cultura e história nos leva a estarmos mais unidos aqui. Eu acho muito positiva a aproximação de outros irmãos, estando longe da nossa pátria e usufruindo de carinho, solidariedade e amor. Isto também é Natal!.”

Quem já mora há três anos aqui em Khobar é a Rosângela Barbosa, que também sente falta do clima de Natal, do calor humano, da família reunida na organização de brincadeiras como o amigo secreto, e dos donativos que eles se uniam para entregar à instituições de caridade, algo que já era tradicional na família dela.

“A união com minha família é tamanha que consegui me adaptar e saber viver feliz em Saudi. E também só procuro valorizar as coisas boas que vivemos aqui, envolvendo tudo (amigos, dinheiro, viagens, etc) para poder transformar tudo que é ruim em bom ou até mesmo maravilhoso! […] somos privilegiados, pois entrar na Arábia Saudita não é algo fácil.”

Juntar-se com outros expatriados que estão na mesma situação (longe de casa) é a forma que Luiza Santiago Graham, de Khobar, dribla essas restrições que temos.

“Você pode enfeitar a sua casa sim: criatividade é tudo!. E depois que você mora em vários países acaba aprendendo que sua família direta é a que conta: meu marido e meus filhos”

Por fim, a Sissi Argolo, de Khobar, também contribuiu com algumas palavras. Quando se mudou pra cá, trouxe enfeites do Brasil, mas a empolgação para decorar não é a mesma. Ela disse que é uma sensação diferente, e sente muita saudade. Em 2014, ela passou o Natal aqui, fez uma ceia com os amigos.

“Gosto muito de viver aqui. Conhecer essa cultura cheia de mistérios e riqueza me fez ver as pessoas de uma outra forma. Viver aqui é abrir a mente para um novo mundo, para novos conhecimentos e sensações. Por outro lado, estar longe da família é bem doloroso, ainda mais porque eles não podem nos visitar com liberdade e frequência”.

Eu acho importante valorizarmos as coisas boas sempre. Essa mudança de foco já me ajudou muito a tornar a vida mais leve. Mas é super compreensível que, em uma época que você cresceu comemorando com os entes queridos por perto, a saudade fale mais alto.

E fora toda a questão de presentes e enfeites, o Natal carrega aquele clima de valores e sentimentos que vão além das coisas materiais: a solidariedade, a compaixão, a gratidão… Então, onde quer que estejamos, e independente da religião que seguimos, além de pensar nos presentes e no bom velhinho, vale resgatar esses valores, que as vezes ficam enfraquecidos pelo estresse do dia a dia.

E você, teve alguma vez que se sentiu um pouco privado de comemorar o Natal com tudo que tinha direito? Conta aqui nos comentários pra gente.

Um bom Natal à todos vocês e ano que vem volto com mais coisas pra contar!

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