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Holanda

O azul de Delft

Delft é uma cidade super bonitinha, com muitos cafés, bares, restaurantes, lojinhas, igrejas e vários canais bem típicos, o lugar ideal para passar o dia.

Leia todas as dicas sobre a cidade em: Delft, a pequena Amsterdam

É claro que a gente sempre espera os dias de sol para passear por aí, mas a verdade é que aqui eles são raros, até mesmo no verão. Então, aproveitando um dia de chuva, resolvi ir a Delft para um programa diferente e bem específico: conhecer o museu da Royal Delft (Royal Delft Experience), que foi fundada em 1653 e é a ultima, e única fábrica, que ainda produz a cerâmica azul de Delft.

Delfts Blawn (azul de Delft) é o nome que identifica a cerâmica que hoje é inspiração para a maioria dos souvenires holandeses. Aqueles moinhos e tamanquinhos de cerâmica branca com desenhos  azuis, que todo mundo conhece e que agora são produzidos industrialmente em grande escala. Mas a cerâmica original, pintada à mão desde o século 16, tem uma história muito interessante.

Por volta de 1550 a moda era a cerâmica Majolica, de origem italiana e espanhola. Muitos ceramistas que dominavam esta técnica viviam na Antuérpia mas, com a ameaça dos conquistadores espanhóis, eles acabaram fugindo e se instalando em Delft e trazendo a cultura da produção de cerâmica para cá.

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Anos depois a Companhia das Índias, através do comércio com a China, começou a trazer para a Holanda a porcelana Chinesa que era super valorizada pelas famílias ricas e os ceramistas de Delft, buscando uma forma de competir com os produtos importados, acabaram desenvolvendo um material, utilizando 3 tipos de argilas diferentes, que tinha um resultado final muito parecido com a requintada porcelana chinesa. A princípio os motivos das pinturas seguiam os desenhos das dinastias Ming e Kang Hsi, mas no início do século 17 já começam a aparecer peças com paisagens holandesas.

Apesar de não poder ser chamada de porcelana, por usar outro tipo de barro, a cerâmica de Delft alcançou sucesso mundial e suas louças e azulejos posicionaram a cidade como uma das mais importantes produtoras de cerâmica da Europa. No seu apogeu Delft tinha 33 fábricas. Hoje em dia só existe a Royal Delft, que é onde se encontra também o museu.

No museu você vai conhecer toda a história e o processo de produção e poderá ver peças sendo produzidas e pintadas na hora. Também há exposições de peças da realeza, como a coleção de louças doadas pelo Rei Willem III em 1887 e de pratos comemorativos, que são peças para colecionadores, com produção limitada e motivos relacionados a eventos sobre navegação, aviação, guerra e paz e história da Holanda. (Na verdade tem prato para tudo! Principalmente para os eventos que envolvem a realeza: prato para os casamentos reais, nascimentos reais, batizados reais, etc.)

O museu é bem interessante, a visita é guiada com áudio em várias línguas. Quem me conhece sabe que eu adoro lojinha de museu, mas sinceramente, Royal Delft não é um museu com uma lojinha, é uma loja com um museusinho.

A loja é enorme e maravilhosa. Tem peças de todos os tamanhos e valores. As peças feitas à mão, são bem caras, e são todas assinadas, mas você também encontra peças originais com preços bons, que são presentes lindos, típicos da Holanda, entre eles o vaso para tulipas, que é super diferente pois tem um buraquinho para cada flor, de forma que cada tulipa fica bem encaixadinha e não cai em cima das outras.

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Mas a coisa que mais me encantou foi o Tranenflesje (garrafa de lágrima) que tem uma história linda: antigamente, quando não havia telefone, fotografia ou aviões, viajar significava ficar fora de casa por longos períodos, sem notícias das pessoas amadas. Os marinheiros, por exemplo, deixavam suas casas por anos. Para carregar um pouquinho da família com eles, as esposas derramavam algumas lágrimas na garrafinha que os acompanharia por toda a jornada.

O porta lágrima (foto: acervo pessoal)

O museu também tem uma brasserie muito gostosa, ou seja, no fim, foi o passeio ideal para um dia de chuva: museu, lojinha e café! Ah, você também pode se inscrever e participar de uma oficina/ workshop onde poderá pintar sua própria peça.

Royal Delft abre todos os dias e não é necessário comprar entrada antecipada para o museu (a menos que você esteja em um grupo grande). Meu único conselho é que, se você gosta de cerâmica, prepare os bolsos e vá de carro…O museu tem estacionamento e carregar vasos delicados e caros no ônibus não é nada fácil!

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