O poder da cooperação

Pesquisando e desenhando uma Nova Educação para a Sustentabilidade

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Sempre acreditei que a essência do ser humano é boa, mas ela pode estar encoberta por uma névoa produzida pela sociedade que nos ensina a competir desde criança. No entanto, urge a necessidade de encontrarmos alternativas para esse modelo social vigente que insiste em enraizar a competição.

Sugiro começarmos com uma predisposição para enxergarmos além dessa mancha densa que perturba nossa visão e compreensão para nos conectarmos com o que existe de melhor em cada um de nós. Decidi agir com o coração e me abrir para estas novas conexões. Compartilho, neste post, o poder da cooperação que tenho vivenciado na minha jornada atual.

Em fevereiro deste ano, pedi demissão para dar uma volta ao mundo sozinha pesquisando e desenhando uma Nova Educação para a Sustentabilidade. Meu planejamento é explorar os cinco continentes, durante cinco anos através da imersão em escolas inovadoras e comunidades sustentáveis. 

Sonho em co-criar no Rio de Janeiro, um espaço gratuito de formação de cidadãos ativos, livres para explorarem sua essência e potencialidades, cidadãos globais e conscientes do seu papel na construção de um mundo mais solidário através da cooperação e não da competição.

Com três meses viajando pelo velho continente, tenho experimentado a generosidade e solidariedade do ser humano através das ofertas gratuitas de hospedagem, das caronas, dos convites para refeições, das doações de roupas e calçados além de tantos outros gestos que me permitem não exceder o meu planejamento financeiro de €20 (vinte euros) por dia.

É incrível como recebo numerosas mensagens de pessoas que tiveram conhecimento do meu projeto através da mídia brasileira e, por vibrarem com a mesma energia, fazem contato comigo simplesmente para ofertar algum tipo de ajuda. E o mais especial: sem me conhecer.

Tenho convites para hospedar-me no Japão, Austrália, Canadá, EUA, Bélgica, Holanda, Alemanha, Inglaterra, Suécia e em diferentes regiões do Brasil.

Mensagens como as destacadas abaixo nutrem a minha alma e me incentivam a caminhar confiante em busca do meu sonho:

“Obrigada, Vanessa. Você é uma inspiração! Gostaria de te conhecer apenas para te dar um abraço, compartilhar um sorriso. Muita luz em seu caminho!” Brasil

“Te escrevo porque me identifiquei com você e para te convidar a se hospedar em minha casa. Mesmo não nos conhecendo… teríamos prazer em te dar essa oportunidade. Boa Viagem!” Portugal

“Oi, Vanessa! Adorei seu projeto! Poxa quero muito te conhecer pessoalmente. Você pode ficar na minha casa. Será bem recebida: casa, comida e roupa lavada.” Suécia

Atribuo essa abundância a energia que tenho me concentrado e, como o meu objetivo é cooperar, recebo em troca a cooperação.

Pensando que a intenção do meu projeto é boa, o lado bom do ser humano tem se revelado para mim através do professor que deixa de almoçar para me buscar em outro bairro; da diretora da escola que pede ao namorado para me dar carona de ida e volta; da mãe do aluno que me leva na rodoviária; do casal que me entrega a chave de casa no primeiro dia de Couchsurfing; da amiga de um amigo que me doa roupas quentes e impermeáveis; do prefeito que me recebe em seu gabinete e compartilha detalhes do seu prêmio internacional de mentes brilhantes que acabara de receber; do artista português que se oferece para ir ao Brasil construir uma casa na floresta utilizando recursos naturais; e tantas outras gentilezas que comprovam que tudo flui quando você se conecta em abundância no universo.

Recentemente, cooperei como voluntária na Ecoaldeia de Janas, em Portugal. É uma comunidade com o objetivo de construir e viver um centro de educação não-formal para a sustentabilidade. Os pilares desta iniciativa estão baseados numa experiência e partilha de aprendizagens práticas, criando assim, uma rede de colaboradores, alunos, formadores, residentes e associados que em conjunto, dinamizam atividades, serviços e produtos em diversas temáticas como: construção natural, agricultura regenerativa, alimentação natural, consumo e produção colaborativa, gestão da água, cosmética natural, entre muitas outras.

Trabalhei seis horas por dia e, em troca, recebi hospedagem, alimentação e muito conhecimento! No meu grupo, havia pessoas da Alemanha, Dinamarca, Espanha, Suécia, Coréia do Sul e Portugal.

Tive esta experiência através da plataforma colaborativa WWOOF, responsável por intermediar o contato entre pessoas que querem ser voluntárias em fazendas orgânicas ou espaços sustentáveis e estão à procura de ajuda. Os voluntários têm a oportunidade de conhecer as diversas técnicas de permacultura, bioconstrução, agrofloresta e no final, todos ganham através da cooperação. Esta prática tem se tornado cada vez mais comum entre os jovens viajantes, motivo de muita celebração ver esta consciência cooperativa desabrochar.

Com relação as escolas inovadoras, tive a oportunidade de visitar 17 projetos neste primeiro trimestre de jornada. Conheci profissionais incríveis e receptivos, todos dispostos a partilhar suas experiências e cooperar com o meu sonho. Além da calorosa hospitalidade, recebo muitos presentes, sorrisos, abraços e apoio desta rede cujo objetivo comum é transformar a educação.

É possível conhecer a minha preciosa rede de colaboradores aqui.

Comecei este texto propondo nos conectarmos com o que existe de melhor em cada um de nós e finalizo, com o encorajamento da prática frequente da cooperação. O resultado é poderoso!

Se quiser compartilhar alguma experiência aqui nos comentários, vou adorar ler.

Boa prática!

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