BrasileirasPeloMundo.com
EUA

O que aprendi no meu primeiro triathlon nos EUA

O que aprendi no meu primeiro triathlon nos EUA.

Eu sou apaixonada por esportes. Já faz um tempo que pratico corrida de rua. O triathlon é algo que comecei a arriscar há mais ou menos dois anos. Não sou atleta de performance, longe disso. Pratico esporte como amadora, sem pódios. Só com medalha de participação mesmo. E já fico muito feliz. Explico isso para alinhar expectativas, pois sempre lembro do meu pai me perguntando quando participo de uma prova dessas:

– “Mas e aí, ganhou?”

– “Ganhei, pai… Ganhei experiência”

Enfim, tudo isso para contar que fiz minha primeira prova de triathlon nos EUA e neste dia tirei alguns aprendizados que gostaria de dividir aqui com vocês.

Quando a maioria das pessoas pensa em triathlon, já vem logo à mente o esteriótipo de uma pessoa jovem, magra, musculosa, com biotipo de atleta olímpico, meio e.t. até por fazer três modalidades diferentes de uma só vez: nadar, pedalar e correr na sequência um do outro: coisa de maluco.

Não sei se porque nos EUA a quantidade de malucos é maior, mas aqui muita gente faz triathlon. Claro que os atletas profissionais têm o biotipo corpóreo esperado, mas eles não são a maioria que participa dessas provas abertas.

O triathlon vem ganhando popularidade no Brasil e é ótimo que cada vez mais pessoas pratiquem a modalidade. Mas temos essa crença (descupe por estar aqui generalizando), de que para fazer triathlon é preciso ser mega atlético. Porém, aqui nos EUA, numa prova de triathlon se vê de tudo. Pessoas de todos os tipos, tamanhos, idades. Achei uma experiência incrível ver tantas pessoas diferentes, fora do padrão esperado e considerado “fitness”.

Vi muitas pessoas acima do peso fazendo a prova e percebi que o padrão de corpo ideal para qualquer coisa realmente tinha de ser re-definido na minha cabeça. Aquelas pessoas acima do peso eram atletas e assim como eu, estavam ali dando o seu melhor e fazendo a prova (bem mais rápido do que eu por sinal). Estavam bem treinados e era perceptível que o esporte fazia parte da vida delas. Ver esta variedade de biotipos me fez refletir que não deve existir um padrão para nada. Somos todos seres humanos sim, mas muito diferentes uns dos outros, cada um com sua individualidade e tamanho, cada um com sua riqueza genética, cada um com sua história.

Foto: arquivo pessoal

Leia também: A epidemia de obesidade nos EUA

Para fazer esporte de forma amadora não é regra ser magro e musculoso. É regra se dedicar e gostar de esporte. Acredito que por aqui uma pessoa acima do peso não se sente envergonhada em participar de um triathlon, pois não existe um padrão pré-concebido. Todos são bem vindos ao esporte. É um ambiente acolhedor e não excludente. Não existem olhares de reprovação e nem julgamento. Todos estão ali por um propósito em comum.

Isso foi uma grande lição para mim, pois sempre julguei (eu sei que julgar é feio, mas eu reconheço que fazia isso) que os americanos fossem muito competitivos. Mas em se tratando de provas esportivas com público amador, o ambiente é muito mais acolhedor do que no Brasil ou em Portugal. Não existe uma padrão pré-definido, todos são bem vindos.

Outro grupo que me chamou a atenção foi o de atletas acima de 60 anos. Eram muitos! Principalmente mulheres, já com seus cabelos brancos montando suas bikes a mais de 30 km/h. Eu fiquei maravilhada em ver tantas pessoas mais velhas participando da prova. Aquela ideia de que americano é preguiçoso não serve para um grupo grande dessa geração acima dos 60 anos. Não sei se isso é fruto de uma país que sempre incentivou a prática esportiva ou se os jovens que viveram a década de 1970 carregaram consigo o espírito de liberdade da época e hoje estão por aí se aventurando em triathlons e maratonas.

Me senti muito inspirada ao me ver rodeada de pessoas acima dos 60 anos com tamanha habilidade física. Nesta prova, em específico, marcam a idade do atleta na batata da sua perna com um canetão. Então ao pedalar e correr, consegui acompanhar a idade das pessoas que estavam na minha frente.  Foi uma lição de vida. A quantidade de pessoas que vi acima de 60 anos era enorme.

Tudo isso para refletir o quando temos padrões pré-concebidos na nossa cabeça. Sinto que por aqui as pessoas estão bem menos preocupadas em se encaixar em esteriótipos, afinal os olhares de julgamento são menos arrebatadores. Existe espaço para começar, sem julgamentos. O formato do seu corpo não é a coisa mais importante que você carrega. Sua idade não é fator limitante, pelo contrário, é uma oportunidade que a vida te dá para aproveitar ainda mais e com mais sabedoria. Assim como para se ter um corpo de praia, é preciso 1. ter um corpo e 2. ir à praia. Para se ter um corpo de triatleta nos EUA basta: 1. ter um corpo e 2.  fazer triathlon.

Related posts

Situações engraçadas durante a adaptação nos Estados Unidos

Carleara Weiss

Trabalho voluntário nos Estados Unidos

Liliane Oliveira

5 motivos para você conhecer Natchez no Mississippi

Mariana Carvalho

2 comentários

Roberta Julho 16, 2019 at 4:49 pm

Oi Ana, gostei bastante de seu texto. Sou sua colega de BPM e estou morando nos Estados Unidos. Desde entao venho me arriscando a participar de provas de corrida, algo que jamais imaginei fazendo no Brasil e noto o mesmo que voce notou ao participar do Triatlon. Pessoas de todas as idades e tipos fisicos. Tambem julgava no comeco (olha que feio, mas somos humanas) e agora percebo o quanto acolhedor e a pratica esportiva amadora aqui.

Resposta
Ana Tavela Julho 16, 2019 at 6:26 pm

Obrigada Roberta 😉 fico feliz que tenha gostado do texto. Acho legal dividir que teve a mesma impressão… somos mesmo seres em constante desconstrução, não é mesmo? Obrigada por comentar 😉

Resposta

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site ou suas ferramentas de terceiros usam cookies Aceitar Consulte Mais Informação