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O sistema educacional francês

O sistema educacional francês.

Uma das perguntas que sempre recebo aqui no BPM é em relação ao sistema educacional francês e como é o processo de candidatura para um curso de mestrado, doutorado e afins.

Para sanar algumas dessas dúvidas, vou explicar um pouquinho do sistema de ensino daqui e dar umas dicas sobre o processo de seleção.

Antes de entrar no processo de candidatura, propriamente dito, é necessário enteder as peculiaridades do sistema educacional e as eventuais diferenças que podem existir em relação ao sistema educacional brasileiro, a fim de se preparar da melhor maneira e verificar a pertinência das suas escolhas.

Com relação às peculiaridades francesas, começo dizendo que a escolarização aqui é obrigatória e gratuita entre a faixa etária de 6 aos 16 anos, tanto para estudantes franceses quanto estrangeiros. As escolas públicas são na sua grande maioria de qualidade e apenas uma pequena parcela dos alunos, estuda em escolas privadas, em torno de 20%, segundo uma pesquisa realizada em 2017.

Quanto à divisão do ciclo educacional, temos, basicamente, 5 níveis: o maternal (3 a 6 anos), ensino primário (6 a 10 anos), o colégio (11 a 15 anos), o lycée ou ensino médio (16-18 anos), e a Universidade. Além disso, o ano escolar dura 9 meses, iniciando em setembro e finalizando em maio.

Ao contrário do Brasil, onde estudamos geralmente de 4a 5 anos na faculdade, na França os cursos duram 3 anos. O mestrado tem a duração de 2 anos e é facultativo, mas a sua procura tem crescido cada vez mais em função da forte competitividade do mercado de trabalho. Até 10 anos atrás, o mestrado era considerado uma formação puramente acadêmica e destinada apenas a aqueles que quisessem ingressar no mercado de trabalho como professore. Atualmente ter um mestrado é quase que uma regra e a demanda cresceu mais de 75%, entre 2000 e 2012 ! O doutorado continua, no entanto, sendo uma especialização voltada para profissionais do meio acadêmico…

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Ao término do colégio, as escolhas para uma formação complementar são múltiplas e às vezes um tanto quanto confusas. Basicamente, existem dois percursos, e o primeiro é voltado para uma formação mais técnica – direcionada para aqueles que querem entrar diretamente no mercado de trabalho a partir de uma formação puramente prática e relativamente rápida. Em seguida, temos a formação geral e tecnológica, voltada para o ingresso na universidade, com uma formação de caratér mais teórico.

Para um ingresso no sistema superior, é necessário realizar uma candidatura, principalmente para cursos de mestrado, doutorado, ou ingresso em escolas de engenharia e grandes écoles (escolas públicas que oferecem uma formação de alto nível).

Cada formação, instituto de ensino, universidade…, tem o seu método de seleção, e para isso é nécessário se informar diretamente com o estabelecimento de seu interesse ou com o Campus France, organismo responsável pela promoção do ensino francês à nível internacional. Digo isto, pois para alguns cursos, não será necessário apresentar diploma de fluência em francês, por exemplo, ou fazer entrevista.

No Brasil, o Campus France tem escritório em São Paulo, e é uma parada quase que obrigatória para aqueles que almejam fazer uma formação acadêmica ou outro tipo de especialização em território francês. Ele faz o intermédio entre o aluno e as universidades, e auxilia na preparação da candidatura.

Uma outra dica importante é o planejamento. Estudar e morar fora do seu país de origem requer estrutura e organização, é claro que é sempre possível decidir algumas coisas no último momento, mas acredite em mim, o trabalho vai ser em dobro e sem a certeza de que poderá dar certo.

A última dica eu acredito ser a mais importante, pois sempre falo que deve-se levar muito em conta quais são os seus planos pessoais, profissionais, ou seja, de vida mesmo ! Fazer uma especialização fora do Brasil tem um peso considerável, mas antes de pensar em simplesmente se jogar na estrada é necessário analisar as vantagens que o lugar de escolha vai te trazer, ou se a sua área de trabalho tem uma boa aceitação.

E finalmente, aproveito também a ocasião para falar sobre alguns outros pontos que considero importantes e que nem sempre são tão mencionados quanto deveriam. Acho que, para mim, como colunista da França pelo BPM, é de extrema importância abordar certas questões, desmistificando alguns mitos e visões, um tanto quanto irrealistas, que alguns brasileiros têm sobre países ditos desenvolvidos.

Algumas pessoas vendem o sonho de estudar na França, sempre demonstrando o lado maravilhoso da história, quase que impassível de problemas. Eu acredito que é sempre bom demonstrar o lado positivo desse sistema, mas acho que como colunista do BPM e tendo vivido a realidade do ensino francês após a realização de dois mestrados, é quase uma obrigação mostrar os dois lados da moeda.

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Nos últimos anos muito tem sido discutido com relação à reforma do ensino nacional, inclusive estudos realizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) demonstraram que o sistema educacional francês é um dos mais desiguais entre os países membros, ao total 72. Isso porque as grandes écoles ainda são reservadas para a formação de uma pequena elite, e enquanto isso os professores das universidades não recebem nenhuma instrução pedagógica para repassar os conteúdos aos alunos, cada um realiza o curso à sua maneira. Aulas essencialmente teóricas, uma hierarquia fortemente presente entre professores e alunos, enfim, as queixas são várias.

O objetivo de falar sobre essas questões não é o de desencorajar, mas sim de alertar para a realidade. O sistema escolar francês continua sendo muito bom, mas é importante saber que também existem problemas, e isso pode ajudar a se preparar para as possíveis eventualidades.

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