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Outono na Virginia

Ah o outono na Virginia… Finalmente ele chegou por aqui, nos EUA, para refrescar um pouco o calor insano do verão. Para muitos, eu incluso, é uma estação com uma certa melancolia. Sei que apesar de lindo, ele é o anúncio da época mais difícil do ano: o escuro e gelado inverno.

Mas antes de todas as folhas caírem das árvores e a paisagem ficar cinza, acontece uma espécie de milagre na região. Todas as cores possíveis e imagináveis aparecem, criando um visual deslumbrante.

A Virgínia está geograficamente situada na costa leste americana, às margens da maior bacia de águas do país, o estuário de Chesapeake Bay, que recebe as águas de alguns dos maiores rios norte-americanos e mistura-se com o Oceano Atlântico. Essa umidade toda proporciona o clima perfeito para a vegetação e a primavera aqui é considerada uma das mais exuberantes do mundo, com o belo festival das cerejeiras, já descrito aqui nesse blog.

Pois bem, assim como a primavera, o outono é um espetáculo, afinal essa quantidade enorme de folhas se transforma do verde para todas as variações possíveis de amarelos, laranjas e vermelhos, para depois caírem e deixarem os galhos nus à espera do inverno. As vezes estou caminhando pelo meu bairro e fico com a sensação de estar dentro de uma dessas manjadas imagens fotográficas usadas como proteção de tela.

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Arte ao ar livre para aproveitar as cores da estação – foto Gabriela Albuquerque

Além da oportunidade de fazer qualquer fotografia de celular virar obra de arte, experienciar o outono na Virgínia é delicioso. São inúmeras fazendas onde é possível ajudar na colheita de flores, frutas e, claro, abóboras por todos os lados. Por falar nisso, tudo fica laranja: as vitrines, os cafés, as roupas, os enfeites… Americano sabe bem como capitalizar tudo e, assim, eles te vendem as estações e as sensações que elas carregam. Parece que qualquer produto, de sabonete à ração de cachorro, tem que ter a cara da estação!

Já falei aqui sobre as vinícolas e essa é a melhor época para curtir um bom tinto, sentada à beira de uma fogueira olhando o horizonte colorido. Um programa quase obrigatório para todos os moradores da região.

Acontecem inúmeros festivais, do vinho, da maçã, da cidra, da abóbora, etc. E a agenda parece pequena para tantas atividades que englobam crianças, jovens, adultos e velhos. Muitos são gratuitos e entretenimento é o que não falta.

Por último e não menos importante, estão duas das datas mais queridas do povo americano: o Halloween e o Thanksgiving. O dia das bruxas acontece no dia 31/10, bem no auge da estação. Fantasias, abóboras decoradas e muitos filmes e histórias de terror viram parte da rotina.

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Maças recém colhidas nas montanhas da Virginia – Foto Gabriela Albuquerque

Depois chega o tempo do feriado de ação de graças que marca o fim do outono e que, originalmente, foi criado justamente para agradecer à boa colheita do ano. Trata-se da data mais importante para os americanos, superando até o Natal, porque é o momento de reunião de todas as famílias, independente das crenças religiosas.

Enfim, trata-se de uma época muito celebrada nos Estados Unidos, marcada por dias belíssimos e temperaturas amenas. Para mim, pessoalmente, é o momento onde posso admirar a mudança quase dramática das estações, coisa impossível de se notar nos trópicos brasileiros.

Guardo todas as roupas de verão (com pesar) porque sei que não serão utilizadas pelos próximos seis meses – pelo menos – e começo a me preparar psicologicamente para o uso ininterrupto de botas e cachecóis. Costuma sempre bater uma dorzinha, pois a medida que as folhas caem e as árvores vão se desnudando, percebemos que o inverno está chegando e, com ele, aquelas dificuldades típicas que um imigrante dos trópicos passa nos países do hemisfério norte: dias curtos, temperaturas baixas e raros momentos ao ar livre.

Para não pirar e não deixar a depressão tomar conta  eu tento  me  envolver ao máximo pela beleza dessa temporada e curtir o que ela traz de melhor, fazendo sempre dos limões uma limonada. Esse é o segredo número um e primordial para que a vida longe da terra natal seja sempre agradável e enriquecedora.

É preciso se envolver com a cultura local, entender seus costumes e tradições e se permitir viver um diferente estilo de vida. O resultado será sempre compensador, porque crescemos como seres humanos, através de experiências únicas que seriam impossíveis de vivenciar no conforto de nossa pátria.

Que caiam as folhas e que chegue o inverno, me pegando principalmente com a alma e o coração agasalhado!

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