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Passo a passo para visto de reunião familiar na Alemanha

Passo a passo para visto de reunião familiar na Alemanha.

O ano de 2018 começou intenso. No início de janeiro, eu e o meu marido recebemos a notícia de que eu tinha sido aprovada na faculdade em que queria fazer mestrado em Munique. Ficamos muito empolgados com a novidade, mas a partir daí começou também uma corrida contra o tempo, pois o início do semestre era 14 de março.

Por onde começar neste caso? Sugiro que pelo visto. É uma parte chatinha, mas extremamente importante. Anteriormente, quando morei na França e na Espanha com visto de estudante, o processo tinha levado um tempo considerável, então estava preocupada com o prazo.

A escolha do tipo de visto

Pesquisei bastante na internet e contatei o consulado alemão em São Paulo para avaliar qual seria a melhor opção para mim neste primeiro momento: se visto de reunião familiar por ser casada com um cidadão alemão ou visto de estudante por estar matriculada em um mestrado em Munique.

Recebi a informação de que ambos eu poderia fazer na Alemanha, não precisava me preocupar de já ir com o visto. Confesso que foi um alívio.

Leia também: Como obter o Cartão Azul na Alemanha (EU Blue Card)

Eu entraria no país como turista e dentro do prazo de 90 dias (período em que cidadãos brasileiros podem permanecer na União Europeia como turistas) precisaria fazer o agendamento para dar entrada no visto. No entanto, fui advertida que devido à alta demanda, poderia ser que eu tivesse que esperar um bom tempo até conseguir uma data.

Ao comparar mais profundamente as condições para os dois vistos e os direitos que cada um assegurava, optei pelo de reunião familiar. Este me possibilitaria viver aqui sem ter que fazer um novo tipo de visto depois do término do mestrado, me permitiria trabalhar em período integral (o de estudante tem um limite de horas para trabalho por semana) e não me obrigaria a ter uma certa quantia de dinheiro em uma conta bancária na Alemanha, como exigido para visto de estudante.

Parece bom, né? Só o que o visto de reunião familiar pode significar a obrigatoriedade de fazer o Integrationskurs, ou seja um curso para a integração na sociedade alemã que ensina idioma, história e cultura do País.

Até aí seria legal se não fosse a quantidade de horas, que impossibilita conciliar com um mestrado ou trabalho e o valor alto que deve ser pago.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Alemanha

Recebi informações do consulado que meu voo deveria ser direto para a Alemanha, não poderia ter conexões, pois o carimbo de entrada no meu passaporte precisava ser daqui.

Teste de proficiência em alemão

Também me orientaram a fazer o teste de proficiência em alemão nível A1, caso contrário eu teria que fazer aqui. Como eu queria evitar mais essa preocupação para a minha lista de recém-chegada a um país onde tudo seria novidade, resolvi fazer em São Paulo.

Na época, estava estudando o nível A2, mas fiz algumas aulas preparatórias para o exame porque tem alguns truques que é necessário saber. Não é apenas a língua, mas entender como o teste é estruturado e ter algumas dicas de como resolver da forma mais eficiente. Passei, ufa!

Como estávamos bem apreensivos se conseguiríamos agendar um horário no departamento de estrangeiros quando chegássemos aqui, meu marido telefonou um pouco antes de viajarmos.

Ele foi informado que “estava muito cheio e essa semana não seria possível”. Quando ele perguntou quando seria possível então, recebemos a resposta que poderíamos ir já na semana seguinte à nossa chegada.

O “muito cheio” aqui é um pouco diferente, mas acredito que foi fácil assim porque vivemos em uma cidade pequena. Já ouvi muitos relatos que em Berlim, Munique, Frankfurt, Mainz etc, e lá a situação é bem mais complicada.

Chegada na Alemanha

Primeiro passo, após nossa chegada, foi me registrar na prefeitura da cidade onde estamos morando. Este procedimento é necessário para todos que se mudam para uma cidade diferente na Alemanha, sejam cidadãos alemães ou estrangeiros.

Para isso é necessário levar passaporte, contrato de aluguel para comprovar seu endereço e no meu caso, especificamente, certidão de casamento com tradução juramentada, pois casamos no Brasil. Recomendo fazer a tradução aqui, pois muitas vezes as autoridades alemãs criam problemas com as traduções feitas no Brasil.

Em seguida, foi o momento de fazer o seguro de saúde. Na Alemanha, não existe SUS, então melhor estar prevenido. E no caso de estrangeiros, é exigido para o visto também. Os alemães adoram seguros, outro muito importante (me recomendaram já quando fiz a matrícula na faculdade) é um seguro caso você destrua ou quebre algo. Até nosso cachorro tem este.

Documentos para o visto

Superadas estas primeiras etapas, chegou o momento de baixar o formulário que tive que preencher e apresentar no horário agendado no departamento de estrangeiros.

Esse documento está traduzido em vários idiomas, mas eu aconselho, caso o seu nível de alemão não seja fluente, levar alguém que possa te auxiliar, pois normalmente nos órgãos públicos aqui eles só falam o idioma do país.

Nos dias anteriores ao agendamento, reunimos toda a documentação: passaporte, certidão de casamento com tradução juramentada, registro na prefeitura da cidade, contrato de aluguel, contrato do seguro de saúde, certificado de alemão nível A1, comprovantes de renda (tanto meus quanto do meu marido) e fotos.

No meu caso, levei ainda certificado de matrícula no mestrado e outros exames de proficiência em línguas que eu tinha (TOEFL e DELE C1) porque com isso eu poderia conseguir um prazo maior para fazer o exame de proficiência em alemão para um nível mais avançado.

O grande dia

Antes do departamento para estrangeiros abrir, eu e meu marido já estávamos na porta passando frio. Embora tivesse bastante gente, quem marcou horário não demorou a ser atendido.

Confesso que estava um pouco ansiosa, mas a pessoa que nos atendeu foi gentil, falou que os documentos estavam corretos e que iriam avaliar se eu precisaria fazer o Integrationskurs.

Pagamos uma taxa no próprio local e fomos informados de que quando o visto estivesse pronto receberíamos uma carta. Para retirar não precisávamos agendar atendimento.

As vezes, as cartas na Alemanha demoram bem mais do que gostaríamos (as contas vêm rápido, mas o que você está esperando que chegue logo demora uma eternidade). Depois de cerca de dois meses, recebi a correspondência de que podia ir retirar o meu visto.

Retirada do visto

No dia seguinte, lá estávamos nós novamente. Recebi o meu visto e mais uma boa notícia, não precisaria fazer o Integrationskurs. As autoridades julgaram que eu me enquadrava como imigrante qualificada e me livraram dessa, obviamente confiando que eu iria aprender alemão.

A sugestão foi que quando for renovar o visto, em três anos, eu tenha pelo menos nível B1 no idioma. Após essa segunda renovação, só terei que renovar novamente se mudar de passaporte brasileiro, o que certamente acontecerá já que nossos passaportes têm data de validade.

Leia também: Os primeiros meses na Alemanha

Etapa do visto cumprida já deu um alívio. Logo depois descobri que tinha que transferir minha carteira de motorista (brasileiros só podem dirigir na Alemanha por seis meses) e esse foi um longo processo, porque envolve provas teórica e escrita, mas agora em outubro consegui.

Passada a fase burocrática, é o desafio de a cada dia melhorar o meu alemão e me adaptar a esse país gelado e incrível que escolhi para ser a minha nova casa e que tem me acolhido tão bem.

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