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Por que fiquei feliz em ter minha filha na Nova Zelândia

Por que fiquei feliz em ter minha filha na Nova Zelândia.

Eu não me considero feminista. Mesmo assim, hoje posso dizer com todas as letras que sou muito feliz e honrada por ter tido uma menina na Nova Zelândia. Este país tão pequeno é também cheio de atitude e, por isso, está a frente de países como a Austrália, Estados Unidos e muitos outros, incluindo, é claro, o nosso Brasil.

Essaa felicidade não tem nada a ver com não gostar de ser brasileira, mesmo porque fiz questão de que minha filha fosse registrada no Brasil e tivesse dupla cidadania. É claro que sou super orgulhosa de ser brasileira; por isso, quero contar um pouquinho sobre como descobri que preferia que ela nascesse por aqui.

Na verdade, ao longo desses sete anos vivendo do outro lado do mundo, encontrei diversos motivos para justificar a minha preferência. Não é apenas pelo fato de a Nova Zelândia ter sido o primeiro país a conceder direito de voto para as mulheres, ou pelo país estar na lista dos países com mais igualdade entre os gêneros; nem mesmo porque por aqui a diferença salarial entre homens e mulheres é de 14 centavos a mais, quando consideremos os salários do sexo masculino – enquanto que na Nova Zelândia ela está em torno de 4,2%, no Brasil ela é de aproximadamente 15%; confira a lista completa dos países com mais igualdade entre os sexos clicando aqui.

Não é o paraíso, nem a situação mais perfeita do mundo; o que quero dizer é que por aqui eu consigo sentir que as mulheres se veem de uma forma diferente e inspiradora.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na Nova Zelândia

Eu me lembro muito bem de situações de trabalho onde eu facilmente pediria a ajuda do sexo oposto e nas quais minhas colegas neozeolandesas nem cogitavam esta opção. Eu sempre ouvia delas: “we can do it”. Quando fiquei grávida e me vi pensando em que sexo teria o meu bebê, confesso que pensei que se fosse um menino, teria uma vida mais fácil e com mais possibilidades de escolhas.

Como a maioria das psicólogas eu me vi na obrigação de questionar este pensamento. A minha razão dizia que na minha família eu havia sentido que meus irmãos tinham tido mais escolhas, menos obrigações e menos necessidade de satisfazer um modelo pré-definido de filha educada, estudiosa, sempre comportada e tudo mais que estamos cansadas de saber.

Enfim, quando soube que estava esperando uma menina eu pensei que seria ótimo que ela nascesse na Nova Zelândia, um país com mulheres que não páram de surpreender.

Mia
Mia

Hoje, devido ao meu trabalho, visito diversas escolas e consigo visualizar como eles encorajam as meninas. Em escolas primárias, intermediárias ou secundárias você pode escolher entre escolas mistas ou escolas somente para meninas ou somente para meninos.

Nas escolas que são somente para meninas, pude observar como elas se sentem livres para escolher o que querem estudar, sem nenhuma pressão social. Quer fazer escalada, pode fazer. Quer aprender sobre carpintaria, pode aprender. Quer estudar robótica, é só vir para aula. Não tem esse negócio de dizer que isso não combina com menina, que elas não irão aprender da mesma maneira – sem contar que o desempenho acadêmico neste tipo de escola é mais alto. Se quiser saber sobre desempenho nas escolas somente para meninas clique nesse link.

Uma das mulheres inspiradoras que vim a conhecer aqui na Nova Zelândia foi a aviadora Jean Gardner Batten, que mesmo se destacando em balé e piano durante seus anos escolares, decidiu que queria pilotar aviões. Jane é reconhecida mundialmente e bateu vários recordes dando voltas ao mundo sozinha.

Eu também vejo isso no dia a dia, quando busco minha filha na escolinha e recebo informações de que ela irá aprender sobre construção, dinossauros, rúgby, em vez de aprender somente sobre contos de fada, brincar de boneca, músicas, entre outras atividades que são comumente ligadas ao sexo feminino.

Sempre que posso, compro para ela brinquedos que muitas pessoas compram para meninos, com cores bastante variadas; mesmo assim, não consegui fugir do rosa, que ela tanto adora.

Acredito que a maternidade me fez e ainda faz pensar muito sobre o exemplo que quero passar para ela, que é o de encorajá-la a acreditar que nós podemos quase tudo; que nosso sucesso depende muito mais do nosso esforço e foco e não de ser homem ou mulher. Isso tudo me fez amadurecer e me fez sentir vontade de fazer algo mais, algo que pudesse inspirar e mostrar que existe muita mulher forte por aí, fazendo coisas mais incríveis do que a gente imagina. Foi assim que, juntamente com minha sócia, Rosana Melo, decidi apoiar o encontro de mulheres da Nova Zelândia, o NZ Brasileiríssimas.

Foto Brasielirísimas
Roberta, Rosana e Cristiane

Coordenamos os eventos do grupo NZBrasileiríssimas juntamente com outra mulher poderosa, a Cristiane Diogo, que é editora de uma revista para brasileiros na Nova Zelândia, a MBA, com a qual temos o prazer de contribuir mensalmente, falando sobre educação. Nós nos conhecemos através da revista. Ela é mãe de meninos e, assim como eu, através da maternidade sentiu a necessidade de fazer algo diferente para que seus filhos pudessem conviver e conhecer mais sobre a nossa cultura brasileira.

O foco do grupo NZBrasileiríssimas é promover o encontro e a descoberta de mulheres brasileiras de negócio que estão fazendo história na Nova Zelândia. Durante estes encontros nós podemos nos conhecer melhor, celebrar juntas nosso sucesso e, claro, dividir experiências, aprendizados e muitas risadas. O último encontro aconteceu em Auckland, este mês. Esses encontros são ótimos e nos deixam com a energia renovada e prontas para encarar de frente os desafios e todas as pedras no caminho.

Se você quer saber mais sobre nossos encontros é só visitar nossa página, clicando aqui.

NZBrasileiríssimas

É dessa forma que vivemos na Nova Zelândia: reaprendendo que não precisamos nos encaixar em nenhum modelo social; que precisamos acreditar mais em nós mesmas; que o mundo está cheio de mulheres poderosas e que nós podemos fazer parte dessa tribo.

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9 comentários

Aline Arruda Agosto 5, 2016 at 9:03 am

Adorei seu post. A Mia é linda, muito fofa.
Eu penso isso também. Amanda terá muito mais oportunidades sendo criada aqui na Austrália. Pode ser o que quiser, e brincar com o que quiser.
Beijos

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Kátia Fittipaldi Gardin Agosto 5, 2016 at 11:15 am

Parabéns Roberta, não nos conhecemos mas sou prima da sua mãe. …..filha do Demėtrio, irmão da sua avó.
Mulheres como vc fazem a diferença e nos tornam mulheres mais esperançosas de um mundo com mais igualdade e direitos.
Tive sempre mais contato com a sua tia Elenil, que quando estudava em internato em Ourinhos era minha referência de despreendimento.
Que a Mia seja muito feliz nesse país tão desenvolvido. Parabéns!

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Roberta Crossley Agosto 6, 2016 at 2:19 am

Obrigada Kátia!
Estarei no Brasil em Setembro e Outubro, seria um prazer conhecê-lá. Lembro muito bem do seu pai 😉 Bjo

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Maria Lucia Mesquita Agosto 5, 2016 at 10:13 pm

ola,
eu sou uma americana-brasileira, trabalhei durante muitos anos nos Estados Unidos como professora de quimica e de ESL em Nova Iorque. Eu dou aulas por skype, tenho alunas nos Estados Unidos e no Brasil, acho que, de repente, haveria interesse por parte de algumas de voces para melhorar o ingles falado e escrito.
Voces tem interesse? poderiam dar uma olhada no meu facebook MLM Tutoring, Maria Lucia Mesquita.
Obrigada

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tathiane almeida Agosto 6, 2016 at 11:28 pm

Oi Roberta, tudo bem? Gostaria de uma indicaçao de escola de inglês em Auckland. Você saberia me dizer? Já olhei com agencias mas gostaria de uma indicação mais pessoal.
Obrigada

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Roberta Crossley Agosto 9, 2016 at 11:12 pm

Olá Tathiane, Com certeza posso te indicar várias opções ótimas. Mas antes seria interessante entender o que você procura. Você vem com família? Qual o seu principal objetivo? Fique a vontade para entrar em contato por email [email protected] Abraço, Roberta

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Alex Cleiton Agostinho Agosto 22, 2016 at 9:09 pm

Olá, espero que esteja bem; então, me chamo Alex e moro em Vitória, ES – Brasil, gostaria de saber se em NZ possui muitas empresa que atua na área petrolífera do País, exploração e perfuração de poços de petróleo em alto mar, manutenção de poços, construção naval em estaleiros com dique seco e dique molhado, enfim, toda trabalho voltado para o petróleo, se sim, quais as cidades se localizam mais estes tipo de serviço, tu pode dizer por favor, pois, atuei anteriormente, como Analista Químico de Petróleo Offshore (Petroleum Chemist – 08 anos) & Mecânico de Sonda de Perfuração de Petróleo Offshore (Rig Mechanic – 08 anos) e possuo uma empresa de Refrigeração e Climatização Industrial aqui onde moro atualmente, e gostaria muito de ir á NZ á trabalho entende (Inglês intermediário – Offshore); contudo, certo de tua compreensão, tenha uma semana e fico no aguardo do teu feedback, obrigado !!! Sincerely, Alex Cleiton Agostinho | @.: [email protected] 🙂 Forte abraço á todos por aí. PS.: Não sou ganancioso, quero apenas trabalhar e viver um vida simples, no ramo do petróleo ou não!

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Matheus Setembro 21, 2016 at 2:15 pm

Olá Roberta, você poderia fazer um adendo ao seu post comparando, pela sua experiência e opinião, a oportunidade que você acredita que sua filha terá crescendo na NZ que não teria no Brasil? É importante e muito legal saber como aí as mulheres tem oportunidades quase que iguais, e a sociedade em geral já tem bem menos distinção de gênero, coisa que, infelizmente, sabemos que aqui no Brasil irá demorar a acontecer. Vou a NZ no ano que vem para conhecer, mas também com planos de me apresentar, fazer contatos e quem sabe conseguir um emprego, e me passou pela cabeça sobre essa diferença que deve ser criar um filho (futuro) aqui e aí. Gostaria de sua visão, sem distinção de gênero, sobre a oportunidade de ter uma educação, cultura, e bem, viver em uma sociedade diferente, visivelmente mais evoluída. Felicidades pra você e toda a família!

Resposta
Roberta Crossley Setembro 22, 2016 at 4:26 pm

Oi Matheus,

Obrigada pelo comentário. Tenha tantas coisas para compartilhar com você, mas o que mais me chama a atenção na NZ é a segurança e a liberdade que proporcionamos ás nossas crianças. Por aqui eles podem ir a escola á pé, sem medo de que alguém lhes irá fazer algum mal. Desde pequeno são incentivados a ser independentes e a fazer escolhas por si mesmo, tem liberdade para se expressar, crescendo com uma auto confiança maior e responsabilidade pela própria vida. Também escrevo para revista brasileira da Nova Zelândia – MBA. Vou deixar o link do último artigo: https://issuu.com/mamaebrasileiraaotearoa/docs/agosto_2016 Abraço, RC

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