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Quando você não se sente suficiente morando fora do Brasil

Quando você não se sente suficiente morando fora do Brasil

Sabe aquele sentimento que muitas vezes nos visita? Visita, não! Na verdade, esconde-se dentro da gente e às vezes aparece em situações em que acreditamos não serem boas o suficiente. Pode ser na escola, quando você não sabe a resposta de uma determinada questão; ou no trabalho, quando parece que todo mundo entendeu a reunião e você se sente um peixe fora d’água?

Então, essa companheira também viaja contigo.

Tenho certeza de que não importa o destino: Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Irlanda ou qualquer outro país.

Quando você pensa que vai ser diferente, está num lugar incomum, terá a chance de reescrever a sua história e até mostrar, testar diversas faces da sua personalidade, se prepare, porque nossa amiguinha dá as caras.

No meu caso ela apareceu de forma sutil, no início, quando meu inglês ainda estava melhorando. Quando eu errava a pronúncia de uma palavra ou quando trabalhava em um café e não entendia o pedido do cliente (que me olhava com uma cara de “como assim, não entendeu pela terceira vez?”)

Ela foi crescendo e ficando mais forte. Em minha próxima fase, já com o inglês fluente, ela vinha quando as pessoas comentavam (e ainda comentam by the way!) o quanto meu sotaque é forte, ou me perguntavam se eu acabara de chegar na Nova Zelândia e eu respondia com o tal sorriso amarelo: “não, na verdade, faz 5 anos que moro por aqui”.

Quando havia entrevistas de trabalho, ou tinha que falar e expor minhas ideias para colegas; quando era preciso ligar para clientes na frente do meu chefe, a amiguinha vinha com muita força e falava em minha mente: “eii, ei você, tá pensando que é quem? Ninguém vai te entender, não adianta persistir. Quando você vai aceitar que não pertence a este lugar?”

E assim é! Muitos dias, muitas vezes ela ainda aparece. Essa insegurança de que não somos “boas ou bons o suficiente” pode ser uma constante na vida de quem decide morar fora do Brasil. Mas e aí, você deve estar se perguntando: não tem como mudar? Ou nem todo mundo passa por isso, aposto!

E sim, acho que tem como mudar. Não que isso não vá acontecer mais, mas você vai aprender cada vez mais rápido a deixá-la de lado e go on with it, encarar isso como uma parte que não precisa de atenção e não deve te impedir de realizar ou estar onde você quer e merece.

Pode ser que algumas pessoas não passem por isso, mas por enquanto não as conheci. Um dos momentos mais marcantes, para mim, aconteceu ainda neste ano. Depois de 10 anos vivendo fora do Brasil eu participei de um grupo de mentoria, em que todas as outras 49 mulheres tinham inglês como primeira língua, e eu era a única pessoa da América Latina no grupo.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Nova Zelândia

Participei de 3 dias de treinamentos com estas mulheres, todas donas dos seus negócios.

Confesso que no primeiro dia logo pensei: WOW, estas mulheres são de sucesso, they have their things together! Ai ai ai, o que eu estou fazendo aqui?

Logo depois, a pessoa que estava mediando o grupo, disse: se você está aqui é porque tem que estar, não tenha medo, não duvide mais de si mesmo. Praticamente leu meus pensamentos.

E isso me acalmou, mas não me preparava para o que ainda estava por vir. No desenrolar desses intensos três dias, vimos as máscaras caírem, e as lindas mulheres que estavam atrás delas se abriram e deixaram que as outras pudessem enxergar suas limitações e dificuldades.

E o que aprendi com isso?

Eu percebi que em muitos momentos me julgava not good enough por não ser do mesmo país, ou não falar inglês como um nativo ou por ter um sotaque forte, mas naquele momento eu vi que minhas inseguranças eram EXATAMENTE as mesmas do que dessas mulheres, que tinham nascido neste país, que falavam inglês como primeira língua e não seriam questionadas pelo seu sotaque.

Havia chegado meu momento de entender que eu já havia usado a mesma desculpa por muitos anos, estava na hora de dizer “bye bye” para essa amiguinha.

Isso é TÃO comum, gente! Todos os dias nos deparamos com mulheres super capazes, lindas por dentro e por fora, (e homens, também) pessoas que decidiram desbravar uma vida nova, criar um jeito novo de viver com uma profissão diferente e ainda sofrem com essa síndrome de impostora, de que não pertencem a esse lugar, que não são boas ou bons o suficiente para estar aqui, ou que o inglês nunca está bom.

E claro, essa não tem que ser a sua história, mas se de algum jeito você se identificou e está lendo até aqui, quero que saiba que não importa a sua desculpa, ou o que sua amiga (que na verdade é sua inimiga) cochicha em seu ouvido. Ignore-a, levante sua cabeça e absorva o mundo que você criou e está criando para si. Um mundo cheio de coragem, descobertas, amor, e persista, não deixe que isso roube seus sonhos, sua paz, seus dias e pensamentos!

Se você já se sentiu assim, ainda se sente e não sabe o que fazer, vou dividir com você minhas atividades. Existem várias formas:

Insegurança com inglês não tem mágica: estude, estude e estude. Recomendo que assista TV ou seriados com legenda em inglês, ouça músicas e leia muito.

Visitar as bibliotecas públicas, na Austrália e Nova Zelândia (que são os países que tenho conhecimento). Elas são maravilhosas. Link abaixo:

Nova Zelândia: Clique aqui
Austrália: Clique aqui
Conversação gratuita – Em Auckland: Clique aqui

Aulas gratuitas de inglês: Clique aqui

Conecte-se com pessoas que tenham interesse comum. Gosta de dança: procure uma aula; gosta de malhar: procure uma academia; gosta de plantas: procure um grupo que goste das mesmas coisas; está sem ideias, dá uma olhada nos meet ups perto de você: aqui;

Faça amigos de outras nacionalidades e compartilhe seus sentimentos;

Faça atividades ou vá aos encontros, mesmo com aquele friozinho na barriga.

Caso não esteja bem, procure ajuda. Se suspeitar que está com depressão, leve a sério e busque ajuda especializada. Existem vários psicólogos, online, como esses:
Mentecriativaonline;
Vittude.

Por fim, acredite em você e saiba que pode realizar tudo que se propuser a fazer.

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